sábado, 10 de junho de 2017

”No silêncio da minha noite…”



“Senhor, eu poderia enfeitar, falar bonito, mas não quero faltar à verdade. Meu desabafo é sincero, veraz: esvaziei a taça da vida e a embriagues não veio, a paz não aconteceu. Chamei pela felicidade a ponto de ficar rouco, e o eco não me respondeu. Andei caminhos e descaminhos, estradas possíveis e impossíveis, e até hoje não achei o que tanto procuro.

Terei errado na escolha da vocação? O tédio me abate e a angústia retalha. E sigo cansado, tateando no escuro…
Busquei liberdade, pensando ser ela a grande solução. Mas sinto nos lábios e no fundo da alma o trago amargo da frustração. E com o poeta eu choro: “Como me pesa hoje o esquife dos meus sonhos mortos !”

É duro, Senhor, caminhar sempre em tua direção, quando há tantos outros apelos mais lisonjeiros solicitando minha adesão. É duro, Senhor, acreditar na oração e em nenhum momento ter gosto para rezar., para fazer meditação.

Bebi, tu sabes em quantas jornadas, na fonte da Escritura, mas contínuo sedento. Alimentei-me, tu sabes quantas vezes, do pão eucarístico, mas continuo faminto em meu jornadear. Sorrindo, busquei partilhar as tuas riquezas, Senhor, porque em teu reino a gente cresce repartindo. no entanto, sinto-me tão pobre, sub-alimentado. Quanto mais te busco, mais distante me parece estar. Estarei vocacionalmente em barco errado? Ando esmagado, ferido e desnorteado.

E no silêncio da minha noite, toda feita de incertezas e contradição, ouvi uma voz que dizia no fundo de meu coração:

– Oferece-me o teu vazio… Preciso da tua miséria para manifestar a minha Misericórdia, de geração em geração! 

- Henri Lacordaire

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