quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A legenda de Zmovit

Basílica de Nossa Senhora, na Praça do Mercado, Cracóvia, Polônia.
Basílica de Nossa Senhora, na Praça do Mercado, Cracóvia, Polônia.

Era uma terra onde o trigo brotava, louro e farto, em imensas planícies. Também o linho ali crescia. A gente do lugar ocupava-se com a agricultura, e nunca lhe faltava alimento são e frutos gostosos, que a boa terra oferecia generosamente.

Das grandes florestas tiravam a madeira com que construíam suas casas, chamadas isbás.

Apesar de o inverno rigoroso cobrir de neve, durante longo tempo, as grandes planícies, transformando os pinheiros em árvores de cristais que refulgiam ao sol, os camponeses sentiam-se felizes, festejando com cânticos os dias alegres e consolando-se mutuamente quando surgiam as horas de tristeza.

Entre esses camponeses havia um, chamado Piast, homem respeitado e querido pelos companheiros. Era bom e forte, sempre pronto para auxiliar os menos felizes. Esse bom Piast amava ternamente a esposa e o único filho que tinha. O menino se chamava Zmovit, e era uma criança encantadora. A pele fresca e rosada como flor recém-aberta, os cabelos como que feitos de pura seda cor de sol.

Zmovit tinha os olhos azuis. Olhos imensos, puros e claros como duas estrelas. Mas — ai dele! — seus olhos eram estrelas, sim, mas duas tristes estrelas mortas, sem luz e sem calor: Zmovit, o filho do camponês Piast, nascera cego.

Os pobres pais choravam, mas Zmovit nada sabia da tristeza deles. Passava os dias sentado à porta da isbá. Inventava canções e poesias, erguendo a voz meiga, no silêncio das tardes, para louvar as coisas belas que existiam sobre a terra, as coisas que ele não podia ver, mas aprendera a amar através dos olhos maternos.

Ora, na terra do camponês Piast adoravam-se ainda toda sorte de deuses pagãos. Ainda não conheciam ali o único e verdadeiro Deus, e o nome divino de Jesus Cristo nunca fora pronunciado entre aquela gente.
Havia um costume estranho entre eles. As crianças, em vez de receberem o batismo, passavam por uma cerimônia, no dia em que completavam sete anos.

Essa cerimônia consistia em cortar os cabelos, que até aquela data tinham permissão de crescer à vontade. Nesse dia a criança era consagrada aos deuses, e os pais faziam uma bonita festa, convidando todos os vizinhos.

No dia em que Zmovit devia cortar seus cabelos cor de sol, a pobre mãe estava bem triste. Via a despensa quase vazia. Pouco vinho e pouco mel havia, para oferecer aos convidados.

Também os frutos eram escassos, e a carne de que dispunham não daria para satisfazer a todos. A mãe de Zmovit estava triste, porque desejara que a festa de seu filho fosse farta e alegre.

Queixava-se assim a boa mulher, quando lhe bateram à porta dois peregrinos pobres. Vinham cansados e com fome. O casal de camponeses nem por um momento pensou em recusar-lhes hospedagem. Escolheram ambos as melhores frutas e o mais claro mel, para os viajantes desconhecidos. Com isso haveria ainda menos fartura na festa de Zmovit, mas não importava. Antes de tudo estava o dever de caridade.

Terminada a refeição, porém, um dos peregrinos levantou-se e disse:
— Meus amigos, destes com amor, a dois pobres que passavam, o que de melhor tínheis em vossa despensa, não pensando na vergonha que iríeis sentir quando os vizinhos viessem para a festa deste menino e nada encontrassem. Ouvistes apenas a voz do coração, e destes alimento aos famintos e matastes a sede dos caminhantes exaustos. Sois dignos de conhecer o único Deus verdadeiro, Aquele que fez o Céu e a Terra!

Uma grande luz inundou então a cabana. As vestes dos peregrinos tombaram ao chão, e os camponeses, mudos de espanto, viram que ali estavam dois anjos de faces resplandecentes, dois mensageiros de Deus.
Anjo com o escudo da Polônia. Basílica de Nossa Senhora, na Praça do Mercado, Cracóvia.
Anjo com o escudo da Polônia.
Basílica de Nossa Senhora, na Praça do Mercado, Cracóvia.
Um deles, abrindo a porta da despensa, fez a mãe de Zmovit ver que as prateleiras, momentos antes vazias, estavam transbordando agora de vinhos e de alimentos deliciosos, ricamente preparados para a festa.

Entraram os vizinhos, em ruidoso bando, ataviados com seus coloridos trajes domingueiros, tocando flautas e dançando. Foram chegando e rodeando o casal e seu filho cego.

O mais velho do grupo adiantou-se e fez um sinal. A música e os cânticos cessaram, e em meio ao silêncio respeitoso que se fez, a voz do ancião ergueu-se:

— Amigo Piast, és homem honrado e bom. Nossa gente tem aumentado e nossa tribo já é um povo. Queremos que sejas nosso rei, o primeiro rei desta terra fértil e boa, que se chamará Polônia. Porque Polônia quer dizer planície, e esta é a terra das grandes planícies, cheias de trigo e de sol.

E todos gritaram:
— Viva! Viva Piast! Viva o primeiro rei da Polônia!

Piast chorava, não porque agora era rei, mas por ver quanto o estimavam os seus vizinhos. Contudo, as felizes surpresas ainda não estavam terminadas. Zmovit fora trazido para o meio da casa, e começaram a cortar-lhe os cabelos, conforme mandava o cerimonial do dia.

O pequeno conservava-se imóvel, com os imensos olhos azuis muito abertos e um sorriso angelical nos lábios. Ao tombar o último cacho de seu cabelo cor de sol, ele deu um grande grito:
— Eu vejo, eu vejo! Ó minha mãe, eu vejo!

Então, todos quantos ali estavam tombaram de joelhos. Os anjos peregrinos reapareceram, e disseram:
— Esta criança cega era símbolo deste pobre povo pagão. Ela abre hoje os olhos à luz, como este povo abre o coração a Deus Todo-Poderoso!

E desde então existe um grande país católico, chamado Polônia.

(Fonte: Fernando Correia da Silva, "Maravilhas do Conto Popular" - Cultrix, SP, 1968)

Confiança em Deus

A devoção e o desejo de amar a Deus sobre todas as coisas nos leva a perceber a presença dele em todos os momentos de nossa existência. A confiança em Deus nos ajuda a ter força e coragem para enfrentar as dificuldades. 

Elam de Almeida Pimentel

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Não deixe Jesus sozinho


Ele está com os braços abertos e as mãos repletas de graças para aqueles que forem buscá-lo com o coração aberto


Uma das nossas maiores ingratidões para com Jesus é o abandono em que o deixamos em muitos dos nossos sacrários.
A Igreja o chama de “prisioneiro dos sacrários”.
Jesus eucarístico é o “amor dos amores”. Ele faz continuamente este milagre para poder cumprir a sua promessa:
“Eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 20,20).
Do sacrário Ele nos chama continuamente:
“Vinde a mim vós todos que estais cansados e Eu vos aliviarei” (Mt 11,28).
Ali Ele está, como no Céu, com os braços abertos e as mãos repletas de graças para aqueles que forem buscá-las com o coração aberto. São João Bosco dizia:
“Quereis que o Senhor vos dê muitas graças? Visitai-o muitas vezes. Quereis que Ele vos dê poucas graças? Visitai-o raramente. Quereis que o demônio vos assalte? Visitai raramente a Jesus Sacramentado. Quereis que o demônio fuja de vós ? Visitai a Jesus muitas vezes. Não omitais nunca a visita ao Santíssimo Sacramento, ainda que seja muito breve, mas contanto que seja constante”.
Santo Afonso de Ligorio disse:
“Os soberanos desta terra nem sempre, nem com facilidade concedem audiência; mas o Rei do céu, ao contrário, escondido debaixo dos véus eucarísticos, está pronto a receber qualquer um… Ficai certos de que de todos os instantes da vossa vida, o tempo que passardes diante do Divino Sacramento será o que vos dará mais força durante a vida, mais consolação na hora da morte e durante a eternidade”.
Diante do Senhor no Sacrário podemos repetir aquela oração reparadora que o Anjo, em pessoa, ensinou às crianças em Fátima, nas aparições de Nossa Senhora, em 1917:
“Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.
Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos; peço-Vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Amém!”
Não deixe Jesus sozinho no Sacrário da igreja de sua comunidade ou paróquia. Organize uma adoração, a mais constante possível, ao Santíssimo. Chame as pessoas, faça uma escala, divida o tempo para cada um: meia hora, uma hora, o quanto for possível. Podemos ter certeza que as chuvas de bênçãos descerão sobre a comunidade! Os jovens serão preservados do mau caminho, os pecadores serão convertidos, o demônio afastado, as calamidades afugentadas. Não é disto que estamos precisando?
A Igreja, desde o seu início, quis manter Jesus nos Sacrários da terra para alí ele ser amado, louvado e derramar sobre nós as suas bênçãos, e poder ser levado aos doentes.
Sempre foi ao pé do Sacrário que os homens e mulheres de Deus buscaram forças e luzes para a sua caminhada. Foi ali que São João Vianney, conquistou o coração dos seus fiéis e se tornou o grande “Cura D’Ars”. Quando, recém ordenado padre, ele chegou a Ars, e encontrou alí uma paróquia sem padre há muitos anos, e as pessoas longe de Deus; a primeira coisa que fez foi ajoelhar-se diante do Santíssimo durante horas, rezando o rosário. Assim ele revolucionou aquele pequeno lugar e fez tantos prodígios.
No livro das suas Confissões, Santo Agostinho dá um testemunho marcante. Ele afirma que se converteu porque a sua mãe, Santa Mônica, entrava na igreja, três vezes por dia, e pedia a sua conversão a Jesus sacramentado.
Não há problema, qualquer que seja, que não possa ser resolvido diante do sacrário. Deus está ali. O que mais desejar?
Chiara Lubich disse certa vez que, enquanto houver a Eucaristia, o homem não caminhará sozinho, e enquanto houver um sacrário, não haverá solidão.
Que grande riqueza a nossa, de podermos viver em um país católico, onde se pode encontrar com facilidade uma igreja, com as suas portas abertas, guardando no seu interior o Rei da Glória, que nos espera com as mãos cheias de graças!…





sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Oração de cura para o coração triste

Deus, fonte da verdadeira felicidade, quer nos ver alegres
mirada triste - pt

Papa Francisco nos fala constantemente da alegria:

“O coração do homem deseja a alegria. Todos desejamos a alegria, cada família, cada povo aspira à felicidade. Mas qual é a alegria que o cristão está chamado a viver e a testemunhar?

É a que vem da proximidade de Deus, da sua presença na nossa vida. Desde quando Jesus entrou na história, com o seu nascimento em Belém, a humanidade recebeu o germe do Reino de Deus, como um terreno que recebe a semente, promessa da colheita futura. Não é preciso continuar a procurar noutra parte! Jesus veio trazer a alegria para todos e para sempre!” (Ângelus, 14 dez 2014)
Mas às vezes experimentamos a tristeza em nossa vida e não sabemos como enfrentá-la.
Sabendo que Deus nos quer alegres e que a tristeza é uma ferramenta do demônio para levar-nos a pecar, precisamos buscar combater essa tristeza em todo momento. Para isso, a Bíblia nos oferece o segredo da sabedoria: "Alguém entre vós está triste? Reze!" (São Tiago 5, 13).
A verdadeira alegria nos vem de Deus, e precisamos recorrer a Ele em oração, pedindo-lhe que nos ajude a restaurar nosso coração ferido. Apresentamos, a seguir, uma poderosa oração de cura da tristeza:

ORAÇÃO

Senhor Jesus,
tu conheces a minha tristeza,
essa tristeza que invade meu coração,
e sabes a origem dela.
Hoje me apresento a ti
e te peço, Senhor, que me ajudes,
pois já não posso continuar assim.
Sei que tu me convidas a viver em paz,
com serenidade e alegria,
inclusive em meio às dificuldades cotidianas.
Por isso, eu te peço que coloques tuas mãos
nas feridas do meu coração,
que me fazem ser tão sensível aos problemas,
e me libertes da tendência à tristeza e à melancolia,
que tomam conta de mim.
Hoje te peço que tua graça restaure a minha história,
para que eu não viva escravizado
pela lembrança amarga
dos acontecimentos dolorosos do passado.
Como eles já passaram,
não existem mais,
eu te entrego tudo aquilo por que passei e sofri.
Quero perdoar-me e perdoar,
a fim de que a tua alegria comece a fluir em mim.
Eu te entrego as tristezas unidas às preocupações
e aos temores do amanhã.
Esse amanhã tampouco chegou e,
por isso, só existe na minha imaginação.
Devo viver somente o hoje,
e aprender a caminhar na tua alegria no momento presente.
Aumenta minha confiança em ti,
para que minha alma cresça em júbilo.
Tu és Deus e Senhor da história e da vida,
das nossas vidas.
Por isso, toma a minha existência
e a das pessoas a quem amo,
com todos os nossos sofrimentos,
com todas as nossas necessidades,
e que, com a ajuda do teu poderoso amor,
cresça em nós a virtude da alegria.
Amém.

Os olhos milagrosos da Virgem de Guadalupe

É impossível, cientificamente, que sejam olhos pintados: são olhos vivos!
olhos de Guadalupe

Um dos maiores milagres de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem, projetada sobre um tecido feito de cacto que não costuma durar mais de 20 anos. No entanto, o manto com a imagem milagrosa da Mãe de Deus existe há quase cinco séculos sem que os peritos em pintura e química tenham encontrado nele qualquer sinal de corrupção! Além de ter passado intacto por um período de 16 anos em que permaneceu sem proteção nenhuma, o tecido foi “vítima” de um grave acidente em 1971: alguns peritos deixaram cair ácido nítrico sobre toda a imagem. Nem sequer a força desse ácido altamente corrosivo, porém, conseguiu danificá-la.
A vasta quantidade de estudos científicos realizados com a imagem aponta que a Virgem de Guadalupe não foi pintada sobre o pobre tecido: ela está, de algum modo, estampada “acima” do tecido, como que “flutuando” ligeiramente sobre ele, sem tocá-lo!
Quanto à imagem propriamente dita de Maria, que é representadagrávida, há nela toda uma miríade de elementos inexplicáveis. Vamos destacar aqui apenas seus olhos.
Os olhos milagrosos da Virgem de Guadalupe
  • Assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, estão refletidos nos olhos de Nossa Senhora as figuras do índio Juan Diego, do bispo da Cidade do México e do intérprete entre eles. Cientistas dos Estados Unidos estudaram as imagens refletidas e concluíram que as figuras não são pintadas, mas gravadas nos olhos de uma pessoa viva.
  • O diminuto tamanho das córneas na imagem, de cerca de 7mm a 8mm, descartam a possibilidade de pintura. Além disso, o rudimentar tecido de fibras do cactomaguey apresenta poros e falhas na costura que são maiores que as próprias córneas da imagem. Nem mesmo a tecnologia de hoje permite reproduzir tamanha riqueza de detalhes sobre um tecido tão inadequado.
  • Os estudos dos olhos da Virgem de Guadalupe levaram à descoberta de 13 pequenas imagens. Mas as surpresas vão além. 1 milímetro da imagem foi ampliado 2.500 vezes e descobriu-se que, num dos seus pontinhos microscópicos, pode-se ver a pupila do bispo dom Zumárraga, que aparece por inteiro na pupila de Nossa Senhora. Acontece que, também na pupila do bispo, está refletida a imagem de Juan Diego mostrando o poncho com a imagem da Virgem de Guadalupe.
  • A imagem de Juan Diego, portanto, aparece duas vezes: uma nos olhos da Virgem e outra nos olhos do bispo, que, por sua vez, está refletido nos olhos da Virgem.
  • O papa Bento XIV, em 1754, declarou sobre a imagem:“Tudo nela é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros… Uma imagem estampada numa tela tão rala que, através dela, podem-se ver o povo e a nave da Igreja… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.
http://pt.aleteia.org/2015/12/11/os-olhos-milagrosos-da-virgem-de-guadalupe/

Esplêndidos ícones tecidos a dedo – e guiados, talvez, por uma mão invisível?

Após um derrame, Vladimir Denshchikov sentiu a mão quase paralisada mover-se cada vez mais livremente, como se não fosse ele próprio quem a guiava

Vladimir Denshchikov
O artista ucraniano Vladimir Denshchikov emprega a técnica domacramê, arte de tecelagem manual que não utiliza nenhumtipo de ferramenta, para, apenas com seus dedos que trançam os fios, criar ícones religiosos esplêndidos, que exigem milhões de nós e meses de trabalho árduo.
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Cada ícone demora de 3 a 9 meses para ficar pronto – e Vladimir os elabora há mais de 30 anos!
Nascido 1952 em Kiev, ele tem uma reconhecida carreira profissional como ator, diretor teatral e professor de atuação, mas o seu “hobby” de trançar ícones religiosos com fios de linho lhe consegue ainda mais reconhecimento e admiração internacional.
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Apenas as mãos e o rosto dos anjos e santos são pintados sobre tela, enquanto todo o resto de cada ícone é composto pelos milhões de nós de linho puro, em fios de 0,5 a 2 metros de comprimento.
Em 2007, Vladimir Denshchikov sofreu um acidente vascular cerebral que, além de afastá-lo do teatro, também deixou uma das suas mãos parcialmente paralisada. Enquanto se recuperava, ele insistiu em continuar trabalhando no ícone que queria entregar à igreja de Malorechenskoye. Foi na sua luta para tecer os minúsculos nós que ele sentiu a mão mover-se cada vez mais livremente, como se não fosse ele próprio quem a guiava…
O artista considera a sua recuperação um milagre.
Admire um pouco mais da sua obra extraordinária:

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http://pt.aleteia.org/2015/12/10/esplendidos-icones-tecidos-a-dedo-e-guiados-talvez-por-uma-mao-invisivel/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Dec%2010,%202015%2007:22%20pm


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Ele era muçulmano – hoje é arcebispo católico e batizou o seu pai, que também era muçulmano

Dom Thomas é do Malaui, na África, e, durante o sínodo em Roma, nos relata uma história fascinante de conversão

Dom Msusa

Quarenta e oito bispos da África estão em Roma para o Sínodo sobre a Família. Ao falar com eles, surgem histórias surpreendentes e belas sobre os seus países, culturas e suas próprias vidas familiares.
Uma dessas histórias é a de dom Thomas Luke Msusa, arcebispo de Blantyre, no Malaui, perto da fronteira sul com Moçambique. Ele era muçulmano e se converteu ao catolicismo.
Ordenado sacerdote dos Missionários da Companhia de Maria, comumente conhecidos como missionários de Montfort, dom Msusa, hoje com 53 anos, é vice-presidente da associação das Conferências Episcopais da África Oriental, que reúne oito países.
O arcebispo contou à Aleteia a sua história de conversão, bem como a do seu pai, que era imã.
Excelência, temos ouvido que muitos muçulmanos estão se convertendo ao cristianismo no Malaui. O que o senhor pode nos contar sobre isso?
Sim, é verdade. Eu trabalhei na diocese de Zomba durante dez anos e, todo ano, na Vigília Pascal na catedral, havia de 100 a 150 adultos entrando para a Igreja. E nas outras paróquias acontece a mesma coisa. Eu perguntei a eles como chegaram a se converter. Vários disseram que foi através da Rádio Maria, que é muito influente em nosso país, muito influente. Essas pessoas ouvem a Rádio Maria. Nas grandes celebrações, lá está a Rádio Maria. No início, antes da rádio, eles só ouviam propaganda contra a Igreja católica. Mas agora que começaram a conhecer a verdade sobre a Igreja, eles se converteram ao catolicismo. Em Blantyre, a diocese onde estou agora, é a mesma coisa. Nas confirmações, há sempre de 20 a 50 pessoas que eram muçulmanas e estão se convertendo ao catolicismo. E isto não é um problema em nosso país. Na aldeia onde eu nasci, 99,9% são muçulmanos. Alguns dos meus parentes são muçulmanos. O meu pai era imã.
O senhor foi criado como muçulmano?
Quando eu tinha 7 anos, saí de casa porque eu queria ir para a escola. Ninguém da nossa aldeia iria me ajudar. Então, eu fiquei na paróquia. Aos 12 anos, eu pedi o batismo. E fui batizado. Então perguntei ao padre: “Como é que eu posso ser como o senhor?” E ele me enviou para o seminário. Quando eu voltei para casa, meus parentes e meu pai foram contra. Eles não me recebiam em casa, então eu sempre fiquei no paróquia. Mas, graças a Deus, fui ordenado. Para agradecer a Deus, eu quis celebrar a missa na minha terra. Então eu pedi para a igreja de lá e para o meu tio, que já era católico, organizarem uma missa campal. As pessoas estavam se perguntando quanta gente iria. Ficou lotado. Meus parentes e meu pai foram. E ele me disse: “Sabe, eu me recusava a permitir que você entrasse nessa Igreja, mas agora eu acredito que provavelmente nós vamos chegar ao céu graças a você”. O meu pai, que era um professor do islã, um imã, disse isso.
O seu pai também se converteu ao catolicismo?
Quando eu fui ordenado bispo, voltei para casa e convidei as pessoas a se unirem à Igreja. E o meu pai, imã, se ajoelhou e disse: “Eu preciso do batismo”. E eu disse: “Pai, esses anos todos você ficou dizendo que eu ia para o inferno. Você quer ir para o inferno junto comigo?” (risos). A nossa formação na fé cristã dura três anos, então eu disse: “Se você quer se tornar católico, tem que passar por uma formação cristã durante três anos. Ele aceitou e, em 2006, eu o batizei. Hoje ele já está bastante idoso e muito doente. Quando eu voltar para o Malaui, tenho que ir à casa dele para que ele possa declarar diante de todos quem ele se tornou. Vou viajar para lá no dia 29, para levar a paz à minha família. Nós seguimos o lado da mãe. Ele tem que declarar que quis se tornar cristão como nós, para, quando morrer, não ter nenhum problema para ser enterrado. Vai ser minha responsabilidade, nossa responsabilidade como cristãos, fazer um enterro cristão. Para lhe dar outro exemplo: no começo, eles me diziam: “Você está indo para longe da nossa cultura”. Mas, agora, até o chefe tradicional do nosso povo me deu uma aldeia e me tornou chefe. Eu cuido de 62 famílias. Mas é claro que, como bispo, eu tenho muitas responsabilidades; por isso, a minha irmã, Christina, é a chefe agora. Às vezes ela me telefona quando há discussões e me pede para ir até lá.
É uma vila de cristãos ou de muçulmanos?
É uma mistura. Estamos juntos. Depois do Sínodo da África [em 2006], eu convidei as pessoas a se unirem, católicos e muçulmanos. Nós celebramos a missa, nos reunimos, comemos juntos. E eu peço a eles para esquecer os problemas: “Hoje nós vamos celebrar”. Começamos com a missa e eles gostam dela. Os católicos que estão devidamente preparados recebem a Sagrada Comunhão, e os muçulmanos ficam lá junto conosco. Eles esperam por essa ocasião todos os anos.

http://pt.aleteia.org/2015/10/17/ele-era-muculmano-hoje-e-arcebispo-catolico-e-batizou-o-seu-pai-que-tambem-era-muculmano/

Agora é minha vez: vou me confessar depois de 40 anos


A emocionante história de conversão de um mendigo, contada pelo seu pároco

Laurent Lavì Lazzeresky-CC

O ambiente familiar é algo de que cuidamos muito no refeitório social São José, em nossa paróquia. Desde que as pessoas entram para almoçar, percebe-se que se sentem em casa, e há algo especial que faz que todas se sintam cômodas.
Foi isso que o Miguel me disse quando começou a vir almoçar diariamente. Ele morava sozinho em um quarto e não tinha amigos nem família. Esteve preso durante 13 anos, e isso acabou rompendo com seu passado. Ninguém queria saber nada dele.
As pessoas do refeitório se tornaram sua família. Ele não vinha somente para almoçar, mas se oferecia para varrer, tirar o lixo e realizar muitas outras tarefas. Nós o nomeamos encarregado dos enfeites do refeitório e ele ficou feliz, pois se sentia importante. Todos nós o conhecíamos e nos preocupávamos com ele.
Poucos meses depois, ele foi diagnosticado com câncer no fígado. Avançado. De fato, ele já estava meio amarelado. Foi internado no hospital e ninguém o visitava, a não ser as pessoas da paróquia. Sua família do refeitório começou a fazer turnos para acompanhá-lo durante a noite. As enfermeiras ficavam impressionadas com o movimento de pessoas no quarto de alguém que não era exatamente da “nata” da sociedade.
Depois de alguns dias, fui visitá-lo. Quando entrei no quarto do hospital, ele estava acompanhado de vários amigos do refeitório. Ao ver-me, exclamou: “Todos para fora agora, vou me confessar com o padre. Faz 40 anos que não me confesso!”. Todos saíram, impactados.
Ao terminar sua confissão, ele ficou como uma criança. Convidou-me para tomar uma Fanta laranja com ele. Foi como celebrar novamente sua Primeira Comunhão, sem recursos, mas com muita alegria.
Esta conversão caiu como fruto maduro do amor que se respira no refeitório paroquial.

Pe. José Manuel Horcajo
Paróquia de São Raimundo Nonato (Madri)

Oração para exame de consciência

Em exame de consciência, revejo o meu dia, à luz do teu amor imenso. Ponde encontrei os espinhos das minhas culpas. Tu fizeste-os desabrochar em bem queres de paz. Quando entortei as linhas dos meus deveres, Tu escreveste direito. “Quero-te todo o bem como à pupila dos meus olhos”. Agora vou descansar e sinto que reclinar a minha cabeça num travesseiro de magnífica ternura, que é o teu próprio coração. Mil vezes obrigado!

(Manoel Morujão SJ)

domingo, 6 de dezembro de 2015

A Igreja escondeu alguma parte do terceiro segredo de Fátima?

Terceira guerra mundial? Chegada do anticristo? Apesar de já ser público, o 3º segredo de Fátima continua gerando polêmica
La Virgen de Fatima

O que aconteceu em Fátima e qual é seu valor?
 
Em 13 de maio de 1917, "uma Senhora mais brilhante que o sol" apareceu a três crianças, convidando-as a rezar e a encontrar-se com ela durante cinco meses, sempre no dia 13. Em sua última aparição, a misteriosa mulher se identificou, diante de milhares de pessoas, como "a Senhora do Rosário" e, a partir disso, ocorreram alguns milagres.
 
A Igreja aceitou a mensagem de Nossa Senhora em Fátimaporque está em conformidade com a revelação divina: seu núcleo fundamental é o convite à conversão e à penitência – precisamente as palavras com as quais Jesus iniciou seu ministério público.
 
O que é o terceiro segredo de Fátima?
 
Quando Maria apareceu às três crianças, mostrou-lhes umsegredo que, obviamente, não revelaram a ninguém, por expresso desejo da Virgem. Lúcia, uma das sobreviventes, escreveu o segredo quando o bispo de Leiria lhe ordenou e Nossa Senhora permitiu.
 
Na verdade, mais do que três segredos, é um texto que tem três partes; é por isso que se fala de "a terceira parte do segredo de Fátima". As duas primeiras partes foram dadas a conhecer na década de 40, quando foram divulgadas no diário da irmã Lúcia.
 
A terceira parte foi escrita em 1944 e enviada ao Arquivo Secreto do Santo Ofício de Roma. Nem João XXIII nem Paulo VI revelaram seu conteúdo. João Paulo II leu o texto após o atentado que sofreu em 13 de maio de 1981 e, após sua leitura, fez um ato solene de consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria.
 
Quando o segredo foi revelado e qual é seu conteúdo?
 
Em uma de suas visitas a Fátima, João Paulo II quis dar a conhecer publicamente a terceira parte do segredo de Fátima. Era 13 de maio de 2000. O secretário de Estado do Papa, cardeal Angelo Sodano, explicou o núcleo da visão, que "tem a ver sobretudo com a luta dos sistemas ateus contra a Igreja e os cristãos, e descreve o imenso sofrimento das testemunhas da fé do último século do segundo milênio".
 
Em junho de 2000, a Congregação para a Doutrina da Fé deu a conhecer os manuscritos da vidente Lúcia relativos às três partes do segredo. A primeira é relativa à visão terrível doinferno e a segunda contém a promessa de que, "no final, meu Imaculado Coração triunfará" e haverá paz, depois de ter feito a consagração da Rússia à Mãe do Senhor.
 
Quanto à terceira parte do segredo, revelado por Nossa Senhora em 13 de julho de 1917 e também escrito à mão por Lúcia, trata-se, em resumo, da visão de um anjo com uma espada de fogo junto a Maria, exortando à penitência.
 
Além disso, um bispo vestido de branco, junto a outros bispos, sacerdotes e religiosos aparecem subindo uma montanha coroada por uma grande cruz, atravessando, para isso, uma cidade em ruínas, cheia de cadáveres.
 
Ao chegar ao topo, o bispo é assassinado por soldados, que fazem o mesmo com os demais eclesiásticos e outros fiéis leigos. Sob a cruz, anjos recolhem, em jarras de cristal, o sangue dos mártires e com ele regam as almas que se aproximam de Deus.
 
A terceira parte do segredo é uma visão profética comparável às da história sagrada. A visão de Fátima se refere sobretudo à luta do comunismo ateu contra a Igreja e os cristãos, e descreve o imenso sofrimento das vítimas da fé no século 20. O bispo vestido de branco representava o Papa João Paulo II que sofria, e foi Nossa Senhora quem desviou a bala disparada no atentado, para evitar sua morte.
 
Como entender este segredo a partir da fé cristã?
 
Todo este tema, antes e depois da sua publicação por parte da Igreja, gerou muitas interpretações e comentários.
 
João Paulo II, na Missa de 13 de maio de 1982, destacou a
dimensão do amor materno na mensagem de Fátima, um amor que não só abrange os caminhos do homem a Deus sobre a terra, mas também os que vão além, incluindo o purgatório.
 
O que está no centro é a vontade de Deus, que quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. O pecado afasta o homem de Deus, fonte da vida, e acaba condenando-o. A mensagem de Fátima é um convite à conversão urgente.
 
Bento XVI, no diálogo que teve com os jornalistas em maio de 2010, durante a viagem a Portugal, explicou que, na terceira parte da visão, "indicam-se realidades do futuro da Igreja, que se desenvolvem e se mostram paulatinamente". Por meio de uma linguagem simbólica e profética, reafirma-se o que o próprio Jesus disse: que a Igreja teria de sofrer sempre, de diversas maneiras, até o fim do mundo.
 
Por isso, acrescentou, "a resposta de Fátima não tem a ver substancialmente com devoções particulares, mas com a resposta fundamental, ou seja, a conversão permanente, a penitência, a oração e as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade".
 
Foi o Papa alemão quem melhor resumiu o sentido do terceiro segredo de Fátima e como este deve ser entendido na fé, quando disse: "Somos realistas ao esperar que o mal ataque sempre, do interior e do exterior, mas também que as forças do bem estão presentes e que, no final, o Senhor é mais forte que o mal; e Nossa Senhora, para nós, é a garantia visível e materna da bondade de Deus, que é sempre a última palavra da história".
 
Vale a pena ler o denso comentário teológico publicado em 2000, ao revelar a terceira parte do segredo, assinado pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
 
Cabe destacar este trecho: "Os diversos acontecimentos, na medida em que lá são representados, pertencem já ao passado. Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ficar desiludido. Fátima não oferece tais satisfações à nossa curiosidade, como, aliás, a fé cristã em geral que não pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece – dissemo-lo logo ao início das nossas reflexões sobre o texto do ‘segredo’ – é a exortação à oração como caminho para a ‘salvação das almas’, e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão". Bem claro.
 
Em suma, a Igreja ocultou o terceiro segredo de Fátima?
 
À luz de tudo o que vimos aqui, a resposta tem de ser negativa. Porque a Igreja mostrou, no seu devido tempo, o conteúdo deste segredo tão temido. Da mesma maneira, deu a conhecer o conteúdo dos outros dois, no momento oportuno.
 
Outra coisa é o que cada um quiser pensar, as polêmicas que queiram criar sobre o tema ou a vontade de buscar aspectos mórbidos ou esotéricos. Aqui se cumpre algo que Jesus disse e que nos remete não a um obscurantismo eclesiástico, e sim a uma estratégia que vem mais de cima: de um Deus que ocultou estas coisas aos sábios e entendidos e as revelou às pessoas simples.
 
http://pt.aleteia.org/2013/05/14/a-igreja-escondeu-alguma-parte-do-terceiro-segredo-de-fatima/2/