segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Centelha Divina

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus
E dentro de nós existe uma centelha divina buscando a perfeição.
Quando temos a oportunidade de trazer a vida ao mundo,
Pelos nossos filhos e descendentes,
Podemos sentir a infinita bondade de Deus,
Que nos dá a chance da eterna continuidade.
É neles que podemos "recriar" nosso interior...
Pelo amor que dedicamos aos nossos filhos,
Iniciamos a caminhada em busca de compreender o amor divino.
Nossos filhos não são apenas nossos filhos.
Eles representam a própria vida eterna e imutável,
Que alimenta a esperança e consagra a nossa felicidade.

(Iran Ibrahim Jacob)

Esmagar a serpente

Nossa Senhora é cheia de graça;
A ela Deus concedeu poderes para esmagar a serpente.
Dela nasce aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Ela está sempre conosco,
Intervindo junto ao Senhor quando necessário.
É nosso escudo e nossa defesa.

(Elam de Almeida Pimentel)

domingo, 22 de novembro de 2015

Sejam salvos

Ò Deus, Tu queres que todos os seres humanos sejam salvos
E cheguem ao pleno conhecimento da verdade;
Olha quão grande é a tua messe e manda operários,
Para que seja anunciado o Evangelho a toda criatura,
E o teu povo, reunido pela Palavra de vida,
E moldado pela força dos sacramentos,
Prossiga no caminho da salvação e do amor.
Por Jesus Cristo nosso Senhor.
Amém.

Fonte de Fé

O Coração de Jesus nos ensina a crer. E a fé constrói pontes. Ela é caminho seguro. Aquele que tem fé nunca está só. Crer em Jesus significa também crer no mundo, crer na vida, na beleza e na felicidade. Uma vez firmados na fé, nada mais nos pode enganar. É da fé que extraímos a doçura da vida, o sabor do sagrado, o sentido da existência. É a fé que nos oferece o desejo da eternidade. Muitos procuram Jesus a Jesus e não sabem onde encontrá-lo, caem na descrença. Na descrença o ofendem. Na ofensa, tropeçam e, no tropeço, caem. Na queda sentem-se fracos e, na fraqueza, buscam socorro. No socorro encontram carinho. No carinho, renasce o amor. E no amor de Jesus, reencontram a fé.
 (Pe. Antônio Francisco Bohn)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Seja você mesmo

Seja você mesmo. Não se preocupe com o que vão dizer de você. Seja autêntico e simples aja de acordo com sua consciência. Entretanto, saiba controlar seus impulsos para não incomodar as pessoas. O ser humano é livre para ser como realmente é. Seu direito, no entanto, termina quando sua liberdade alcança o limite da liberdade alheia. Respeitando as outras pessoas, ninguém poderá recriminar você. Você é o único e singular em todo o universo. A vida é bela, aproveite-a sabiamente para não se arrepender mais tarde.

(Iran Ibrahim Jacob)

A oração

A oração que não desperta em nós o desejo
De perdoar e de sermos melhores, não é verdadeira.
Se depois de uma desavença você se
Recolher em oração e sentir desejo de perdoar e reconciliar-se,
A oração foi autêntica porque despertou em você
O desejo de ser melhor. Mas se depois de ter orado,
Ainda continua afastado do outro,
Sua oração foi falsa porque não desencadeou o desejo de tornar-se melhor.
Toda a oração bem feita nos torna mais humanos,
Mais fáceis para o perdão e mais generosos no amor.


(Frei Anselmo Fracasso OFM).

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Como o desespero, a devoção e o terço mudaram a minha vida de oração

"Eu trabalho o dia inteiro, administro a casa, mantenho meus quatro filhos vivos todos os dias. Eu nunca vou conseguir fazer essa novena"
terço

Tive, faz certo tempo, mais uma conversa com uma bem-intencionada mulher da paróquia, que me contava todos os frutos da sua ativa vida de oração. “Olha, para essas intenções, o que você tem que fazer é a novena dos 54 dias de terço”, declarou ela. “A Mãe de Deus nunca falha!”.
Eu olhei para baixo e vi meu filho de três anos de idade comendo terra, meu bebê tentando beijá-lo (ou mordê-lo) e meu filho de oito anos envolvido em algum litígio com minha filha de seis.
“Sim, sim, eu vou tentar”, balbuciei. “Muito obrigada”. Peguei os meus pequeninos e os encurralei dentro do carro.
Era a quarta vez só naquele mês que eu ouvia falar da novena dos rosários. Para quem não a conhece, trata-se de rezar o terço diariamente durante 54 dias: nos primeiros 27, confiando a Maria uma intenção; nos outros 27, em ação de graças. Também conhecida como “Novena Milagrosa dos 54 Dias”, essa devoção começou quando Nossa Senhora apareceu para a jovem Fortuna Agrelli, em Pompeia, na Itália, em 1884. A moça estava gravemente doente e não havia muita esperança de que ela sobrevivesse. Em total desespero, a família começou a rezar o terço. A Mãe de Deus apareceu então para Fortuna e lhe disse: “Quem quiser obter os meus favores deve fazer três novenas de oração do terço e três novenas em agradecimento”. Fortuna, milagrosamente, recuperou a saúde perfeita.
Eu estava familiarizada com essa novena – já a tinha feito algumas vezes na faculdade. Mas, agora, parecia uma tarefa irrealista. Absurda, até. “Eu trabalho o dia inteiro, administro a casa e, além de tudo, tenho que manter os meus quatro filhos vivos todos os dias. Eu nunca vou conseguir fazer essa novena”.
Mas a verdade era que eu sabia que precisava fazê-la. Não bastasse o meu caos diário, eu estava me afogando nas preocupações da vida. No início da semana, o meu marido tinha ficado sabendo que o seu departamento ia ser extinto da empresa. A promoção prometida no meu próprio trabalho não tinha acontecido e, para meu horror, eu assistia mês a mês ao aumento da nossa dívida no cartão de crédito. Meu irmão rebelde não retornava as minhas ligações havia semanas e minha filha estava mostrando sinais de ansiedade extrema. Eu sabia que precisava retomar a minha vida de oração. Mais ainda: eu sabia que todo mundo ao meu redor precisava que eu retomasse a minha vida de oração.
Como em todos os desafios anteriores na minha vida, eu sabia que a paz e a resolução só viriam por intervenção divina. E então comecei a novena dos 54 dias de rosário. Eu, que não tinha tido uma vida sólida de oração desde o nascimento do meu primeiro filho…
Como não era realista separar 20 minutos todos os dias, eu ia passando as contas do rosário em qualquer intervalo de tempo que conseguisse. Rezava uma dezena enquanto fazia o café e preparava o almoço. Rezava outra enquanto esperava colegas de trabalho para reuniões. Rezava outra enquanto esperava na frente da escola para pegar as crianças e mais outra enquanto colocava a roupa na lavadora. Para as tarefas que exigiam duas mãos, vou admitir, eu dava “play” no canal “Rosary on YouTube” e recitava cada mistério junto com as irmãs clarissas. À medida que os dias passavam, foi ficando cada vez mais natural. Não era eu que caçava um tempo para o rosário: era o rosário que encontrava tempos para mim. E lentamente, quase sem perceber, eu me via terminando o terço mais cedo e conseguindo fazer outras orações para acompanhar as minhas tarefas do cotidiano.
Descobri que os benefícios de rezar o terço ultrapassam de longe o pequeno sacrifício de lhe dedicar meu tempo. Rezar foi não apenas uma solução para a minha ansiedade, mas também começou a me centrar melhor, a aumentar a minha paciência com meus filhos, a ficar mais produtiva no trabalho e mais caridosa com a minha vizinha.
É verdade que eu ainda estou rezando pelas mesmas intenções: esta novena não eliminou os problemas que eu citei – ainda. Mas ela me alcança bênçãos que eu nem sequer tinha pedido. O que é verdade, certamente, é o que aquela mulher da paróquia tinha me dito: “A Mãe de Deus nunca falha!”. Nunca!

http://pt.aleteia.org/2015/11/11/como-o-desespero-a-devocao-e-o-terco-mudaram-a-minha-vida-de-oracao/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Nov%2011,%202015%2001:08%20pm

16 razões incríveis para rezar o terço

Se você está precisando de motivação para rezar o terço, precisa ler isso!
Biblia y rosario de Jerusalén - pt

Os santos da Igreja são nossos grandes mestres na arte de amar a Deus. Reunimos aqui os motivos que São Luís Maria Grignion de Montfort e o Beato Alano de la Roche nos dão para rezar o terço, com base nos benefícios desta oração.
Segundo São Luís Maria Grignion de Montfort, o terço:
1) Eleva-nos insensivelmente ao conhecimento perfeito de Jesus Cristo;
2) Purifica as nossas almas do pecado;
3) Faz-nos vitoriosos contra todos os nossos inimigos;
4) Torna-nos fácil a prática das virtudes;
5) Abrasa-nos no amor de Jesus Cristo;
6) Enriquece-nos de graças e de méritos;
7) Fornece-nos com o que pagar todas as nossas dividas com Deus e com os homens;
8) Por fim, faz-nos obter de Deus toda espécie de graças.
E o Beato Alano de la Roche acrescenta que o Rosário é um manancial e depósito de toda espécie de bens:
9. Os pecadores obtêm o perdão;
10. As almas sedentas saciam-se;
11. Os que choram encontram a alegria;
12. Os que são tentados, a tranquilidade;
13. Os pobres, socorridos;
14. Os religiosos, afervorados;
15. Os ignorantes, instruídos;
16. Os vivos vencem a vaidade, e as almas do purgatório encontram alívio.
E você, está esperando o que para começar a rezar o terço? Aproveite esta maravilhosa fonte de graças!

(Adaptado de Virgem Imaculada)

http://pt.aleteia.org/2015/11/11/16-motivos-para-rezar-o-terco/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Nov%2011,%202015%2011:24%20pm

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Acalmai-me, Senhor!

Acalmai-me, Senhor! Abrandai o batimento do meu coração, aquietando meu espírito. Regrai o meu passo apressado com a visão da eterna extensão do tempo. Daí-me, em meio a confusão do meu dia, a serenidade das montanhas perenes. Inspirai-me a criar raízes profundas no solo dos valores duradouros da vida, para que eu possa crescer em direção às estrelas de meu destino maior. Amém!
 
(Mosteiro Nossa Senhora da Paz)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A pergunta que não quer calar: você ora ou simplesmente reza orações?

A diferença que faz a diferença
Pray - pt

Certa vez, eu estava com um grupo de jovens ao redor de uma fogueira, em um dia frio de inverno. Conversamos durante horas, compartilhamos experiências. Mas observei que um dos jovens ficava o tempo todo se levantando para fazer coisas: ajeitava a lenha, abanava a fogueira, ajustava alguma coisa. A cada cinco minutos, ele se levantava para verificar se tudo estava bem.
No final da reunião, perguntei-lhe o que ele tinha achado da experiência. Sua resposta me deixou impressionado: “Não consegui prestar atenção em muita coisa, na verdade”. E como ia conseguir prestar atenção desse jeito? Em nenhum momento ele realmente deu atenção à conversa que tivemos.
Às vezes, vamos à oração com esta inquietude. Ficamos preocupados em como orar e não oramos; buscamos cumprir uma série de passos e esquecemos que estamos em diálogo com Alguém; olhamos continuamente para nós mesmos e não vemos o “Tu”; pensamos muito e amamos pouco.
O que é orar?
Os santos jamais definem a oração como um método. Santa Teresa de Jesus a descreve como “tratar de amizade, estando muitas vezes a sós com alguém que sabemos que nos ama”. Não se trata apenas de ficar de joelhos, cuidar da minha postura, ficar tentando ver se estou atento. Amizade. Estar a sós com o Amado.
Assisti recentemente “Up”, a produção da Disney. O início do filme é um dos melhores cantos ao amor que já vi na vida. E daqui tiro esta imagem, que pode resumir bem o que estou tentando dizer:
Nessa cena, nenhum dos dois está falando… Mas dizem tantas coisas um ao outro! Esse unir as mãos, estar juntos, compartilhar uma mesma coisa… tudo isso é um dos atos de amor mais profundos entre duas pessoas. E Deus quer realizar isso conosco em cada oração!
Orar é estar com Deus, dedicar-lhe um tempo, falar com Ele.
É verdade que precisamos saber fazer isso, sobretudo no começo, aprender um método que nos ajude a orar (assim como na infância aprendemos a caminhar ou a falar), mas não podemos nos limitar a isso: o método é um caminho para chegar a um objetivo. E este objetivo é Deus.
É importante lembrar: não se inquiete se lhe custa estar a sós com Deus porque você se distrai ou porque está cansado. Lembre-se: orar é estar com Deus. Se, no meu tempo de oração, estou continuamente elevando minha alma a Deus, mesmo com cansaço ou distrações, estou amando… porque estou com Ele.
Assim, não me preocupo pela quantidade do que dou a Deus ou pelo que faço enquanto oro; o único que me importa é estar ao seu lado, acompanhá-lo, dedicar-lhe tempo.
Como é a minha oração?
Esta é uma pergunta que podemos nos fazer algumas vezes, mas corremos o risco de ter uma resposta frustrante, que nos desanima. Mas espero que estas linhas possam ajudar você a ter mais confiança em sua capacidade de orar.
Sabe por quê? Porque o ser humano foi feito para amar, e a oração é um dos atos de amor a Deus mais simples e profundos que o ser humano pode realizar!
Mas é importante não ficar olhando para si mesmo, e sim para Deus. Quem faz esta distinção, captou o essencial: que orar é um diálogo simples e profundo com um Deus que está esperando você, no fogo da alma da sua chaminé interior, para estar um tempo a sós com você.

http://pt.aleteia.org/2015/10/29/a-pergunta-que-nao-quer-calar-voce-ora-ou-simplesmente-reza-oracoes/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Oct%2030,%202015%2001:17%20am

MARIA: A ALEGRIA DA HUMILDADE

O cântico de um coração enamorado
Uma das maiores alegrias do Evangelho é a que transbordou do coração de Maria quando visitou a sua prima santa Isabel. Não cabendo no seu peito, ela extravasou-a no cântico de gratidão e louvor que conhecemos como o Magnificat (cf. Lc 1, 39-56).
Tudo aconteceu pouco depois da Anunciação. Maria tinha recebido, através do anjo Gabriel, o anúncio de que Deus a escolhera para ser a Mãe do Salvador. Com uma simplicidade encantadora, pediu esclarecimento do que não entendia, e imediatamente entregou-se a Deus com fé plena:  Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (cf. Lc 1, 26-38). Naquele mesmo instante, o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1, 14). A segunda Pessoa da Trindade assumiu a natureza humana no seio de Maria.
Gabriel, ao anunciar à Virgem que ela conceberia milagrosamente, sem intervenção de varão, quis firmá-la na certeza de que para Deus nada é impossível, e, como prova disso, comunicou-lhe que a sua prima Isabel, uma mulher já idosa e considerada estéril, haviaconcebido um filho na sua velhice, e estava no sexto mês (Lc 1, 36).
Para Maria, a Encarnação do Verbo foi o momento supremo da sua vida. Tudo a levava a se extasiar, deslumbrada com a predileção de Deus para com ela e o incrível futuro que se lhe abria. No entanto, ao saber da gravidez de Isabel, esqueceu-se de si, e foi com pressa às montanhas da Judéia, à cidade onde a prima morava. Sentia necessidade de lhe dar assistência até o nascimento do filho. E foi ali, na casa de Isabel, que Maria cantou a sua felicidade com o Magnificat.
Vale a pena meditarmos – neste capítulo e no próximo – sobre a alegria de Nossa Senhora, tal como se contempla no mistério da Visitação.
“Olhou para a sua humilde serva”
Com estas palavras Maria começa a explicar, no Magnificat, as razões da sua alegria: A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito  exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a sua humilde serva (Lc 1, 48). Para entender melhor essas últimas palavras, tenha em conta que também seria correto traduzir: “porque olhou para a humilde condição da sua serva”, ou “porque olhou para a pequenez da sua serva” ou “porque olhou para a sua pobre serva”.
Em todas as possíveis versões o sentido é o mesmo: a humildade de Maria. Ela considera-se uma pequena criatura que não merece que Deus a distinga especialmente.  Por isso, ficou perturbada (Lc 1, 29) quando ouviu a saudação de Gabriel e a escolha que Deus fizera dela, chamando-a a se tornar a Mãe de seu Filho.
Olhou para a sua humilde serva. Maria tem a surpresa de quem se sabe muito pequena diante de Deus, e sabe que não poderia jamais igualar-se a Deus, como o diabo sugeriu aos nossos primeiros pais: Sereis como deuses (Gn 3, 5) – e como continua a sugerir-nos a nós…
Em Maria, há uma realização viva do que diz o livro dos Salmos: Excelso é o Senhor e olha para o humilde (Ps 138, 6). Uma alma humilde como a de Maria, que ama e adora Deus de coração puro, atrai sobre si o olhar e as bênçãos do Senhor, que a levam a fazer e a viver coisas grandes. Deus, pelo contrário, se afastaria do coração orgulhoso e o deixaria abandonado aos seus delírios estéreis.
Deus – diz São Pedro, citando o livro dos Provérbios – resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (1 Pd 5, 5). O mesmo pensamento foi inspirando pelo Espírito Santo a Maria no Magnificat: Deus desconcertou o coração dos orgulhosos… e exaltou os humildes (Lc 1, 51-52). O humilde de coração sempre encontra a paz e a alegria (cf. Mt11, 29).
“A minha alma engrandece o Senhor”
Assim começa Maria o Magnificat. Na alma humilde, Deus se mostra grande, e “diviniza” a sua criatura, tornando-a apta a conseguir maravilhas.
Comentando o Magnificat, Bento XVI dizia que, «neste cântico maravilhoso reflete-se toda a alma, toda  personalidade de Maria. Podemos dizer que este seu cântico é um retrato, é um verdadeiro ícone de Maria… Ele se inicia com a palavra magnificat: a minha alma “engrandece” o Senhor, ou seja, “proclama grande” o Senhor. Maria deseja que Deus seja grande no mundo, seja grande na sua vida, esteja presente entre todos nós. Não teme que Deus possa ser um “concorrente” na nossa vida, que nos possa tirar algo da nossa liberdade, do nosso espaço vital, com a sua grandeza. Ela sabe que, se Deus é grande, também nós somos grandes. A nossa vida…torna-se grande no esplendor de Deus» (Homilia, 15/08/2005).
Na alma humilde, Deus pode agir livremente, com toda a potência do seu amor, com toda a energia vivificante do Espírito Santo. Isso é o que aconteceu com Maria, que foi, pela graça, bendita entre todas as mulheres (Lc  1, 42), Mãe de Deus, cheia de graça e virtudes, corredentora com Cristo, Mãe de todos os homens.
E nós? Quanta graça de Deus não fica tolhida pela nossa soberba, pelo nosso “medo” de nos comprometermos com Deus, pelo nosso egoísmo! Essa falsa “exaltação” orgulhosa e esse “encolhimento” tacanho garantem a nossa tristeza.
“Não temas, Maria”
Foi assim que o anjo tranquilizou a Virgem no dia da Anunciação: Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo. Ela perturbou-se com estas palavras…O anjo, então, lhe disse: “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus (Lc 1, 28-30).
“Não tenhas medo, Maria”. Também a nós Deus nos chama pelo nome. Não somos números abstratos. Cada um de nós é único diante de Deus. A todos, de um modo ou de outro, Ele nos diz: Eu te chamei pelo teu nome (Is 45,4) – Eu te amo com eterno amor, e por isso a ti estendi o meu favor (Jr 31, 3).
Convençamo-nos de que, se Deus nos ama assim “pessoalmente”, Ele reserva para cada um de nós muitos dons e, além disso, confia a cada um uma missão. Se formos humildes, abrir-se-ão as comportas das bênçãos divinas, receberemos na alma a graça do Espírito Santo, e poderemos realizar coisas admiráveis, do tamanho do Amor. Por isso, o coração humilde de Maria canta com gozo: Todas as gerações me chamarão feliz, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso, e o seu nome é Santo (Lc 1, 49).

Está vendo? Uma alma verdadeiramente humilde não teme, não se amesquinha. Não diz “coitado de mim, não posso…” Isso seria uma falsa humildade. Com a graça Deus, devemos dizer como são Paulo: Sou o último dos apóstolos…, mas posso tudo naquele que me dá forças (cf.1 Cor 15,9 e Fl 4, 13).
São Josemaria, com pouca idade, sem muitos conhecidos e sem meios materiais, percebeu claramente que Deus lhe pedia uma coisa grande, a fundação do Opus Dei, que devia se estender por toda a terra. Alguns padres amigos dele achavam que não daria, que seria uma loucura tentar esse empreendimento apostólico de dimensões universais.
Mas ele pôs tudo nas mãos de Deus e se lançou a essa “loucura”. Por isso Deus o abençoou. Muitos anos depois, lembrando a época em que tudo parecia impossível, dizia: «Impossível! Se tivesse pensado assim, se não tivesse tido uma plena confiança em que, quando Deus pede alguma coisa, concede todas as graças necessárias para realizá-la, ainda hoje estaria repetindo essa palavra – impossível! – como um débil mental»[1].
“Deus realizou em mim maravilhas”
            Realizou em mim maravilhas aquele que é Poderoso e cujo nome é Santo (Lc 1, 49).São palavras do Magnificat. Na vida dos homens e mulheres humildes, Deus operamaravilhas, que os orgulhosos, sozinhos (porque se isolam de Deus), não conseguem jamais realizar. A pessoa humilde, recebe de Deus energias espirituais novas, que a tornam capaz de vencer dificuldades antes invencíveis; a pessoa humilde recebe a graça de ver com a luz da fé coisas que antes eram totalmente obscuras; a pessoa humilde torna-se capaz – com Deus! – de ter uma paciência, um espírito de sacrifício, uma mansidão e uma compreensão incríveis, que antes julgava impossíveis de alcançar; a pessoa humilde, com a graça divina, enfrenta com coragem todos os obstáculos e se atira a conquistas espirituais “impossíveis” …
Maria, a Mãe de Deus, lembra-nos com o Magnificat que Deus escolhe os que são humildes como instrumentos para realizar coisas grandes neste mundo. Ela, inseparavelmente associada por Deus à missão redentora do Filho, foi – com Cristo Jesus e pendente dele –, corredentora da humanidade inteira.
Todos os grandes santos – a exemplo de Maria – foram humildes. Os realizadores de iniciativas cristãs incríveis, que dão vertigem, foram humildes. Os melhores mestres – os que não transmitiram só a ciência, mas formaram homens e mulheres, filhos de Deus, de verdade – foram humildes. Os bons pais – os que não se limitam a dar comida, saúde e estudo, mas ajudam os filhos a serem pessoas de grandes valores e virtudes cristãs – são pacientes e humildes. Os apóstolos eficazes – os que caminham e avançam rumo a Deus junto com muitas outras almas – são humildes. Os que, por Cristo,vivem dedicados com desprendimento total de si mesmos aos pobres e sofredores são humildes.
“Humildade! Humildade!” – não se cansavam de pedir os santos.
«O cântico humilde e gozoso de Maria no  Magnificat – diz são Josemaria –, lembra-nos a infinita generosidade do Senhor para com os que se fazem como crianças, para com os que se abaixam e sinceramente se sabem nada» (Forja, n. 608).


[1] Beato Álvaro del Portillo, Entrevista sobre o Fundador do Opus Dei, Quadrante, São Paulo 1994, p. 110