sábado, 31 de outubro de 2015

Aparecida, Guadalupe, Fátima, Lourdes… Por que há tantas, se Nossa Senhora é só uma?

Nossa Senhora já nos deu esta resposta e ela é muito especial

Our Lady of Fatima - Pilgrim Statue - pt

Na Igreja, veneramos Maria com amor filial. Ela é importante para nós porque nos mostra Jesus e, além disso, é o caminho que Deus escolheu para chegar a nós na divina pessoa de Jesus.
Maria nos leva a Jesus não somente no mistério da Encarnação, mas também com suas aparições e/ou manifestações. Mas por que Ela aparece cada vez com uma forma diferente?
Em geral, cada intervenção de Maria tem a ver com uma realidade histórica precisa ou necessidade particular do povo de Deus – fato que demonstra a ação maternal de Nossa Senhora, que levou muito a sério o mandato de Jesus na cruz, de nos acolher como filhos.
A Virgem adota os traços étnicos da população dos lugares em que aparece. E cada advocação mariana nos permite contemplar, através de rostos diferentes, a grandeza de Maria, grandeza perceptível em qualquer época, lugar e cultura.
Não importa o nome que Maria recebe, e sim a devoção e o amor inquebrantáveis à nossa Mãe Celestial.
Todas as imagens marianas, fruto das aparições ao redor do mundo, apresentam uma infinidade de diferenças entre si, que vão da vestimenta até os traços faciais, passando pelo idioma, para gerar mais confiança nos destinatários das suas aparições e tornando sua mensagem inteligível, sobretudo às crianças.
Mas também há semelhanças, pois Maria se manifesta de diferentes maneiras para ganhar a simpatia e aprovação dos nativos de cada povo, já que não quer ser uma estranha. Em todos os casos, Ela se adapta à mentalidade, à cultura e à psicologia do vidente e do povo.
Racionalmente, sabemos que Maria era uma mulher judia e pobre. Não era negra, nem tampouco tinha traços chineses ou indígenas. Seus traços provavelmente eram muito semelhantes aos das mulheres judias ou palestinas que vivem hoje no Oriente Médio.
Porém, por desígnios divinos, Maria se mostrou às diferentes culturas por amor à humanidade, geralmente para reforçar a fidelidade ao seu divino filho; por isso, conhecemos Virgens asiáticas, africanas, europeias, indígenas etc.
A lógica das aparições marianas não é difícil de entender. Se Deus envia um anjo para transmitir uma mensagem a Maria, por que não pode enviar Maria para transmitir-nos uma mensagem, se Ela, mais que um ajo, é a cheia de graça?
Porém, mais importante que o rosto que Maria assume, são as mensagens que Ela vem nos trazer em suas aparições.
O que podemos aprender desses rostos de Nossa Senhora? Podemos aprender a ser criativos e sensíveis diante das diferenças étnicas e culturais. E que o essencial não é que Maria tenha vivido no Oriente Médio, ou que a cor da sua pele tenha sido a das mulheres dessa região, e sim que Ela foi e é uma de nós – e este “nós” sem nacionalidade específica.

http://pt.aleteia.org/2015/10/30/aparecida-guadalupe-fatima-lourdes-por-que-ha-tantas-se-nossa-senhora-e-so-uma/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Oct%2030,%202015%2004:16%20pm

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Aparências

"Jesus não vê as aparências e sim o coração de todos nós.
Ele não escolhe por tamanho ou força,mas quer que vejamos o mundo como as crianças o veem. Ele escolheu as crianças para pertencerem ao seu Reino.
Vamos ser crianças, vamos ver o mundo com os olhos de uma criança, com alegria e amor". 
(Elam de Almeida Pimentel)

Não de qualquer jeito

"Senhor, faze com que vivamos nossa vida, não como um tabuleiro de xadrez onde tudo se calcula, não como uma partida de jogo onde tudo é difícil,não como um teorema que nos faz quebrar a cabeça. Mas como uma festa sem fim sempre renovada pelo encontro contigo, como um baile, como uma dança entre os braços de tua graça na música universal do amor, Senhor, vem nos convidar para a dança".
 (Madeleine Delbrêt)

sábado, 17 de outubro de 2015

Teresa de Jesus, a santa católica que influencia uma das maiores autoridades anglicanas

Entrevista com o ex-arcebispo primaz da Igreja anglicana, Rowan Williams, que se apresenta como “filho espiritual do Carmelo” no Congresso Mundial Teresiano

Santa Teresa de Avila

Rowan Williams, o ex-arcebispo de Canterbury e ex-primaz da Igreja anglicana, se declarou “filho espiritual do carmelo” durante o Congresso Mundial Teresiano celebrado em Ávila, Espanha, de 21 a 27 de setembro. A revista Alfa y Omega o entrevistou:

Por que o homem que foi a máxima autoridade espiritual da Igreja anglicana quis participar do Congresso Mundial Teresiano para falar de Teresa, da Eucaristia e da Reforma?

Falei do modo com que Teresa reagiu à Reforma do século XVI. O clima de violência que assolava a Europa a impulsionou a reformar a ordem do Carmelo e a mudar a forma da vida religiosa. Ela acreditava que Cristo estava sendo desonrado e humilhado com a destruição de igrejas, com a profanação das Sagradas Formas na França e no norte da Europa etc. Nós, como é óbvio, não estamos com Teresa no sentido de achar que a Reforma é o fim do mundo. Ela tinha um conhecimento limitado sobre os interesses da Reforma e a sua teologia. Mas o que é muito interessante é que a sua reação a esse período foi expressar a necessidade de uma vida de pobreza e entrega. A Reforma também implicou, para Teresa, um aprofundamento espiritual no sentido da Eucaristia. Ela atribuía à Reforma a rejeição da Eucaristia na Igreja. Então a vemos pensando sobre o que significa verdadeiramente a Eucaristia.

Isto merece uma explicação…

Ela nos confirma que o Filho de Deus aceita no pão a humilhação da humanidade. E, quando rezamos “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, rezamos para que Deus permaneça conosco até o final dos tempos. Nós, em resposta, devemos estar com Cristo. Devemos aceitar que, na pobreza, no sofrimento, na incerteza, temos de ser fiéis. Temos que acabar com a falsa crença de que a espiritualidade é cômoda ou fácil. E, em nossa fidelidade, Cristo reza, Cristo age.

Um anglicano que fala de diálogo ecumênico, de Teresa de Jesus e da Igreja católica… Como podemos entrelaçar esses aspectos?

Como anglicano, eu sempre me encontrei entre a Reforma e a Igreja católica. Em nossa Igreja, temos uma forte teologia sobre a Eucaristia. Nos últimos 150 anos, temos redescoberto a vida contemplativa e a prática da oração. Eu falo como um anglicano cujo próprio conhecimento de Deus, da Igreja e dos sacramentos foi influenciado por Teresa de Jesus e pelo desenvolvimento social dos carmelitas. Comecei a estudar João da Cruz quando eu era estudante, e Teresa quando era adolescente. Estas vozes dentro do carmelo me ajudaram no meu desenvolvimento e na minha vida de oração. Tanto a Igreja católica quanto a anglicana têm múltiplos elementos para estar em diálogo.

Às vezes, parece que estamos muito longe…

Esse diálogo tem muitos desafios e, às vezes, pode parecer excessivamente distanciado, mas eu percebo, no dia-a-dia da Igreja na Inglaterra, que há cada vez mais proximidade dos católicos, um intercâmbio maior de orações uns pelos outros, e obras de uns pelos outros. Em Canterbury, temos reuniões regulares entre bispos anglicanos e bispos católicos, e, mais do que discutir, nos reunimos para fazer uma reflexão conjunta. Isto se tornou uma rotina sadia em nossa vida e espero que possamos aprofundar no descobrimento de Deus no outro.

Rowan Williams, ex-arcebispo primaz da Igreja anglicana



No momento atual da Europa, é possível transformar a economia, o trabalho, os salários, a situação das fronteiras, sem resgatar os valores cristãos que nos unem?

Quando falamos dos valores europeus, eu creio que temos que lançar luz sobre o que isto significa. Simplesmente nos referimos à história dos nossos países e sociedades em particular, ou falamos das visões que fazem parte da Europa há vários séculos graças ao cristianismo? Porque os valores das Igrejas cristãs são o acolhimento, a afirmação da dignidade de cada pessoa, a possibilidade de que os estranhos possam viver juntos… Com a terrível situação que os refugiados estão sofrendo na Europa, temos que resgatar essa visão positiva da cristandade. É verdade que a Europa continua sofrendo uma crise profunda, com altos níveis de pobreza e uma situação financeira complexa, mas eu não creio que a solução para esses problemas seja criar muros e nos voltarmos para nós mesmos. Se estamos em sintonia com o conceito de sociedade global, temos que velar pela justiça para todos. Estes são os valores europeus que importam de verdade.

Falamos de uma religiosa de cinco séculos atrás. Por que é importante estudar Santa Teresa hoje?

Teresa de Ávila é uma pensadora e escritora que foca nas questões básicas da humanidade, nas questões verdadeiramente importantes. O primeiro ponto é a sua insistência no fato de que Deus traça uma relação de amizade com o homem. Direitos, igualdade, dignidade… Nada disso importa na realidade. O que importa é que Deus chama cada um de nós de “amigo”. Por isso, quando nas comunidades religiosas ou monásticas existe amizade, ela nos ajuda a conhecer os propósitos de Deus para nós. Teresa tem uma mensagem imediata para as sociedades que estão divididas. Sua própria sociedade, a do seu contexto, estava dividida e cheia de suspeitas e discriminações. Ela, com amizade e graça, enfrenta esse contexto. O segundo ponto é a sua vida de oração. Deus está vivendo, agora mesmo, neste momento, em cada um de nós. Está trabalhando em cada alma. E Deus nos chama a nos reconhecermos e a reconhecê-lo. Ela nos incentiva ao silêncio, a nos sentarmos, a ser pacientes com o mistério de Deus. E, no final, Deus aparece. Ele rompe a superfície e nós vemos Deus em cada rosto, na Igreja, em seu Filho Jesus Cristo… Deus se mostra com clareza. Contemplação e ação, oração e justiça estão indissoluvelmente unidas. É a isto que Teresa nos chama hoje.

Entrevista realizada por Ricardo Morales Jiménez / Ávila

http://pt.aleteia.org/2015/10/15/teresa-de-jesus-a-santa-catolica-que-influencia-uma-das-maiores-autoridades-anglicanas/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Oct%2015,%202015%2009:54%20pm

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Oração a Nossa Senhora de Montserrat

Confio-vos e entrego em vossas mãos todas as minhas esperanças e consolações, todas as minhas penas e misérias...
Nossa Senhora de Montserrat

Ó clementíssima Virgem Maria,
minha soberana e Mãe augusta, Senhora de Montserrat,
venho lançar-me no seio de vossa misericórdia
e pôr desde agora e para sempre a minha alma
e o meu corpo sob a vossa salvaguarda
e vossa bendita proteção.

Confio-vos e entrego em vossas mãos
todas as minhas esperanças e consolações,
todas as minhas penas e misérias,
bem como o curso e o fim da minha vida,
para que, por vossa intercessão
e por vossos merecimentos,
todas as minhas ações se dirijam
e se disponham segundo a vontade
de vosso divino Filho, nosso Senhor Jesus Cristo,
e que minha alma, depois desta vida,
possa alcançar a salvação eterna.

Ó Maria, concebida sem pecado,
rogai por nós, que recorremos a Vós.

Nossa Senhora de Montserrat,
rogai por nós.
Amém.

http://pt.aleteia.org/2015/10/13/oracao-a-nossa-senhora-de-montserrat/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Oct%2013,%202015%2004:32%20pm

sábado, 10 de outubro de 2015

Pequeno ato de fé



"Ir até o fim sem desanimar? Na verdade nada me leva a continuar o empenho. Nada? Na verdade, Senhor, Tu me animas. Tu estás aí, tão perto, perto de mim. Obrigado, Senhor,por esta tua presença tão única, pelo olhar que dirigis a mim cada dia com a mesma ternura. Obrigado. Muito grato por me acompanhares nesses dias difíceis. Caminhas ao meu lado na imensa praia da solidão. Vejo que teus passos ficam marcados na areia. Não abandonas; Tu me carregas em minha tristeza. Estou em teus braços. Tu me carregas".



(Prece de antigo membro da Juventude Operária Católica).

Bela paisagem

Quando contemplamos uma bela paisagem, sentimos uma alegria e um prazer indescritíveis. Neste instante, podemos sentir a presença de Deus em cada detalhe das flores, das árvores, dos animais...A própria perfeição! Mas podemos sentir também a nossa própria presença como parte integrante da natureza. E verdadeiramente o somos quando reconhecemos dentro do nosso coração a Luz Divina que clareia a nossa consciência. A natureza é o espelho do ser humano e nela percebemos o amor verdadeiro, reflexo dos nossos sonhos e esperanças.


(Iran Ibrahim Jacob)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Uma história de horror incrível ligada ao poder do Santo Rosário


Rezem o terço todos os dias para a proteção e para derrotar as forças de Satanás! Você não pode imaginar o incrível poder no mundo espiritual


Esta é  uma história poderosa e perturbadora  sobre o poder do Santo Rosário. Neste, ele é considerado um conhecido  assassino em série  no estado da Flórida, Estados Unidos, chamado Ted Bundy
Algumas pessoas são tão alienados de Deus e perdida no pecado eles se tornam completamente dominado pelo mal, mas nosso Senhor, através da Virgem Maria, tem poder sobre eles.

Rosário na mão
No 03:00 em 15 de janeiro, Ten Bundy entrou na casa de fraternidade "Chi Omega" na Florida State University e assassinado duas meninas antes de ir para procurar mais vítimas. Quando ele entrou na sala no terceiro menina com um bastão como arma, ele viu a garota, ainda dormindo, teve um rosário segurava em sua mão, em seguida, deixou cair o bastão e fugiram em terror.
Mais tarde, a menina disse às autoridades que antes de ir para a faculdade, ela havia prometido sua avó ele iria rezar o  rosário  todas as noites para a proteção, mesmo que tivesse adormecido no processo.  Isso era exatamente o que ele tinha feito Naquela noite, ela estava segurando o rosário quando o assassino entrou em seu quarto. Tendem Bundy confessou mais tarde, mais de trinta assassinatos.
Padre Joseph M. Esper  disse em seu livro "Com Maria para Jesus" o seguinte:
"Ironicamente, quando Ted Bundy foi condenado à morte, à espera de execução por seus crimes, ele perguntou monsenhor Kerr para servi-lo como um conselheiro espiritual, eo sacerdote aproveitou a oportunidade para perguntar a ele sobre aquela noite terrível. Bundy explicou que, quando Ele entrou na sala no terceiro menina, que tinha a intenção cheio de assassinato,  um poder misterioso impediu ".
Pai Esper acrescentou: "Não só o rosário ajuda o nosso próprio crescimento espiritual, mas também prejudica o reino de Satanás.
O famoso exorcista  da diocese de Roma,  Padre Gabriele Amorth disse em certa ocasião:
Rezem o terço todos os dias para sua proteção e para derrotar as forças de Satanás!
O Senhor te abençoe,
- 
Adaptação, modificação e tradução espanhola de  PildorasdeFe.net  Artigo publicado originalmente em  Milagrosa Rosário

http://amarajesucristo.blogspot.com.br/2015/09/una-asombrosa-historia-de-terror-atada.html

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Método para rezar com fruto o santo rosário, segundo São Luis Maria Grignion de Montfort

1. Fazer o Sinal da Cruz
Em nome do Pai, (+) do Filho e do Espírito Santo. Amém.
2. Fazer o Oferecimento do Terço
Uno-me a todos os santos que estão no Céu, a todos os justos que estão sobre a Terra, a todas as almas fiéis que estão neste lugar. Uno-me a Vós, meu Jesus, para louvar dignamente Vossa Santa Mãe, e louvar-Vos a Vós, nela e por Ela. Renuncio a todas as distrações que me vierem durante este Rosário, que quero recitar com modéstia, atenção e devoção, como se fosse o último da minha vida.
Nós Vos oferecemos, Trindade Santíssima, este Credo, para honrar os mistérios todos de nossa Fé; este Pater (Pai Nosso) e estas três Ave-Marias, para honrar a unidade de vossa essência e a trindade de vossas pessoas. Pedimo-Vos uma fé viva, uma esperança firme e uma caridade ardente. Assim seja.
 
Pausa para meditar
 
3. Rezar o Credo, segurando a cruz do terço
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso,
criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho Nosso Senhor,
o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu de Maria Virgem,
padeceu sob Pôncio Pilatus,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu aos infernos,
ao terceiro dia ressurgiu dos mortos,
subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
de onde há de vir a julgar os vivos e mortos.
Creio no Espírito Santo.
Na Santa Igreja Católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne,
na vida eterna.
Amém.
4. Rezar 1 Pai Nosso, segurando a conta grande logo após a cruz
Dizer: Louvemos a Maria, Filha bem amada do Pai Eterno.
Em seguida rezar 1 Ave Maria, segurando a conta pequena que se segue.
Dizer: Louvemos a Maria, Mãe admirável de Deus Filho.
Em seguida rezar 1 Ave Maria, segurando a conta pequena que se segue.
Dizer: Esposa fidelíssima de Deus Espírito Santo.
Em seguida rezar 1 Ave Maria, segurando a conta pequena que se segue.
5. Rezar 1 Glória ao Pai.
Gloria ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos, Amém.
6. Em seguida, Ó Meu Jesus perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem.
 


 
Mistérios Gozosos – Rezar às segundas e quintas-feiras
 
Primeiro Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta primeira dezena, em honra a vossa Encarnação no seio de Maria; e vos pedimos, por esse mistério, e por sua intercessão uma profunda humildade. Assim seja.
Pausa para meditar.
Rezar 1 Pai Nosso, segurando a conta maior que se segue.
Rezar 10 Ave Mariassegurando as 10 contas menores que se seguem.
Rezar 1 Glória ao Pai.
Em seguida, Ó Meu Jesus** Proceder da mesma forma nos mistérios seguintes.
Graças ao mistério da Encarnação, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Segundo Mistério
Nos vos oferecemos, Senhor Jesus, esta segunda dezena, em honra da visitação de vossa santa Mãe à sua prima santa Isabel e da santificação de São João Batista; e vos pedimos, por esse mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a caridade para com o nosso próximo. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da visitação, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Terceiro Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta terceira dezena, em honra ao vosso nascimento no estábulo de Belém; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, o desapego dos bens terrenos e ao amor a pobreza. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério do nascimento de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Quarto Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta quarta dezena, em honra a vossa apresentação ao templo, e da purificação de Maria; e vos pedimos, por este mistério e por sua intercessão, uma grande pureza de corpo de alma. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da purificação descei, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Quinto Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta quinta dezena, em honra ao vosso reencontro por Maria; e vos pedimos, por este mistério; e por sua intercessão, a verdadeira sabedoria.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério do reencontro de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.
 

 
Mistérios Dolorosos – Rezar às terças e sextas-feiras
 
Sexto Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta sexta dezena, em honra a vossa agonia mortal no Jardim das Oliveiras; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a contrição de nossos pecados. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da agonia de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Sétimo Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta sétima dezena, em honra a vossa sangrenta flagelação; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe santíssima, a mortificação de nossos sentidos. Assim seja.
Pausa para meditar
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da flagelação de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Oitavo Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta oitava dezena, em honra de vossa coroação de espinhos; e vos pedimos por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, o desprezo do mundo. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da coroação de espinhos, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Nono Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta nona dezena, em honra do carregamento da Cruz; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a paciência em todas as nossas cruzes. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério do carregamento da cruz, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Décimo Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima dezena, em honra a vossa crucificação e morte ignominiosa sobre o calvário; e vos pedimos por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a conversão dos pecadores, a perseverança dos justos e o alívio das almas do purgatório. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da crucificação de Jesus descei em nossas almas. Assim seja.
 

 
Mistérios Gloriosos – Rezar às quartas-feiras, sábados e domingos.
 
Décimo Primeiro Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta undécima dezena, em honra a vossa ressurreição gloriosa; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, o amor a Deus e o fervor ao vosso serviço. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da ressurreição, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Décimo Segundo Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta duodécima dezena, em honra a vossa triunfante ascensão; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, um ardente desejo do céu, nossa cara pátria. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da ascensão descei, em nossas almas. Assim seja.
 
Décimo Terceiro Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima terceira dezena, em honra do mistério de Pentecostes; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a descida do Espírito Santo em nossas almas. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério de Pentecostes, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Décimo Quarto Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima quarta dezena, em honra da ressurreição e triunfal assunção de vossa Mãe ao céu; e vos pedimos, por este mistério e por sua intercessão, uma terna devoção a tão boa mãe. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da assunção descei em nossas almas. Assim seja.
 
Décimo Quinto Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus esta décima quinta dezena, em honra da coroação gloriosa de vossa Mãe Santíssima no céu; e vos pedimos, por este mistério e por sua intercessão, a perseverança na graça e a coroa da glória. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças aos mistérios da coroação gloriosa de Maria, descei em nossas almas. Assim seja.
 

 
Fazer o Agradecimento ao final do terço ou do santo rosário.
 
Rezar 1 Salve Rainha.
Salve Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura e esperança nossa, Salve!
A vós bradamos os degredados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre.
Ó clemente ! ó piedosa ! ó doce sempre Virgem Maria!

 
V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo
 
Rezar a Ladainha de Nossa Senhora.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
 
Pai celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
 
Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das Virgens,
Mãe de Jesus Cristo,
Mãe da divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe imaculada,
Mãe intacta,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Virgem prudentíssima,
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem clemente,
Virgem fiel,
Espelho de justiça,
Sede de sabedoria,
Causa da nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso honorífico,
Vaso insígne de devoção,
Rosa mística,
Torre de David,
Torre de marfim,
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do céu,
Estrela da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos cristãos,
Rainha dos anjos,
Rainha dos patriarcas,
Rainha dos profetas,
Rainha dos apóstolos,
Rainha dos mártires,
Rainha dos confessores,
Rainha das virgens,
Rainha de todos os santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha elevada ao céu,
Rainha do sacratíssimo Rosário,
Rainha da paz,

 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
tende piedade de nós.

 
V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

 
Oremos.
Senhor Deus, nós Vos suplicamos que concedais aos vossos servos perpétua saúde de alma e de corpo; e que, pela gloriosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria.
Por Cristo Nosso Senhor.
Amém.
(no mês de outubro)
V. Rogai por nós, Rainha do Sacratíssimo Rosário,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
Fazer a Saudação Final
Eu vos saúdo, Maria, Filha bem-amada do eterno Pai, Mãe admirável do Filho, Esposa mui fiel do Espírito Santo, templo augusto da santíssima trindade; eu vos saúdo soberana Princesa, a quem tudo está submisso no céu e na terra; eu vos saúdo, seguro refúgio dos pecadores, nossa Senhora da Misericórdia, que jamais repeliste pessoa alguma. Pecador que sou, me prostro aos vossos pés, e vos peço de me obter de Jesus, vosso amado filho, a contrição e o perdão de todos os meus pecados, e a divina sabedoria. Eu me consagro todo a vós, com tudo o que possuo. Eu vos tomo, hoje, por minha Mãe e Senhora. Tratai-me, pois, como o ultimo de vossos filhos e o mais obediente de vossos escravos. Atendei, minha Princesa, atendei aos suspiros de um coração que seja amar-vos e servi-vos fielmente. Que ninguém diga que, entre todos que a vós recorreram, seja eu o primeiro desamparado. Ó minha esperança, Ó minha vida, Ó minha fiel e imaculada Virgem Maria defendei-me, nutri-me, escutai-me, instruí-me, salvai-me. Assim seja. Em Nome do Pai, (+) do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Indulgências do Rosário 

a) Os fiéis quando recitarem a terça parte do Rosário com devoção podem lucrar:
         Uma indulgência de 5 anos (Bula "Ea quae ex fidelium", Sixto IV, 12 de maio 1479 ; S. C. Ind., 29 de agosto 1899 ; S. P. Ap., 18 de março 1932).
         Uma indulgência plenária  nas condições usuaisse eles rezarem [o terço] durante o mês inteiro(Pio XII ,22 de janeiro1952.) .
b) Se rezarem a terça parte do Rosário em companhia de outros         Uma indulgência de 10 anos, uma vez ao dia;
         Uma indulgência plenária no ultimo Domingo de cada mêsjuntamente com confissão, Comunhão e visita a uma igreja ou oratório público, se realizarem tal recitação ao mês três vezes em alguma das semanas precedentes. 
, seja em público ou privado, podem lucrar:
 

Se, de qualquer forma, rezarem juntos em família, além da indulgência parcial de 10 anos, lhes é concedido:
  • Uma indulgência plenária duas vezes ao mês, se realizarem a recitação diariamente durante um mês, forem à confissão, receberem a Santa Comunhão e visitarem alguma igreja ou oratório. (S. C. Ind., 12 de maio de 1851 e 29 agosto de 1899; S. P. Ap., 18 de março de 1932 e 26 de julho de 1946).
  • Os fiéis que diariamente recitam a terça parte do Rosário com devoção em um grupo familiar além das indulgências concedidas em b) também lhes é concedida uma Indulgência Plenária sob condição de Confissão, Comunhão a cada Sábado, em dois outros dias da semana  e em cada uma das Festas da Beatíssima Virgem Maria no Calendário Universal, nomeadamente – A Imaculada Conceição, a Purificação, a Aparição da Beata Senhora em Lourdes, a Anunciação, as Sete Dores (sexta-feira da semana da paixão), a Visitação, Nossa Senhora do Carmo; Nossa Senhora das Neves, a Assunção, o Imaculado Coração de Maria, a Natividade da Santíssima Virgem, as Sete Dores (15 de setembro), Nossa Senhora do Sacratíssimo Rosário, a Maternidade da Beata Virgem Maria, a Apresentação da Beata Virgem Maria (S.P. Ap. 11 de outubro d e 1959)

c) Aqueles que piamente recitarem a terça parte do Rosário na presença do Santíssimo Sacramento         Uma indulgência plenária, sob condição de confissão e Comunhão (B. Apostólico, 4 de setembro de 1927) publicamente exposto ou mesmo reservado no tabernáculo, nas vezes que o fizerem, poderão lucrar:
 

Notas:
1.     As dezenas podem ser separadas se o terço todo for completado no mesmo dia (S. C. Iml.., 8 de julho de 1908.)
2.     Se, como é o costume durante a recitação do Rosário, os fiéis fizeram uso do terço, eles podem lucrar outras indulgências em adição àquelas enumeradas acima, se o terço for abençoado por um religioso da Ordem dos Pregadores ou outro padre tendo faculdades especiais. (S. C. Ind., 13 de abril de 1726. 22 de Janeiro de 1858 e 29 de Agosto de 1899). Raccolta 395


 
Exercícios de Devoção 

Os fiéis que a qualquer tempo do ano devotamente oferecerem suas orações em honra a Nossa Senhora do Rosário, com a intenção de continuar as mesmas por nove dias consecutivos, podem lucrar:  
  • Uma indulgência de 5 anos uma vez a qualquer dia da novena;  
  • Uma indulgência plenária sob as condições usuais no encerramento da novena.  (Pio IX, Audiência de  3 de Janeiro de 1849; S. C. dos Bispos e Religiosos, 28 de Janeiro de 1850; S. C. Ind., 26 de novembro de 1876; S. P. Ap., 29 de junho de 1932) V Raccolta 396
 
Os fiéis que resolverem realizar um exercício de devoção em honra a Nossa Senhora do Rosário por quinze ininterruptos Sábados (ou sendo impedidos, por quantos respectivos Domingos imediatamente seguintes), se devotamente recitarem no mínimo a terça parte do Rosário ou meditarem seus mistérios em alguma outra maneira, podem lucrar:  
  • Uma indulgência plenária sob as condições usuais, em qualquer destes quinze Sábados ou Domingos correspondentes (S. C. Ind., 21 de setembro de 1889 e 17 de setembro de 1892; S. P. Ap.. 3 de agosto de 1936). Raccolta 397
Os fiéis que durante o mês de Outubro recitarem no mínimo a terça parte do Rosário, publica ou privadamente, podem lucrar:  
  • Uma indulgência de 7 anos por dia;
  • Uma indulgência plenária, se realizarem este devoto exercício na Festa do Rosário e em sua Oitava, e além disso, forem à confissão, receberem a Santa Comunhão e visitarem uma igreja ou oratório público;  
  • Uma indulgência plenária, juntamente com confissão, Santa Comunhão e visita a uma igreja ou oratório público, se realizarem a mesma recitação do Santo Rosário por no mínimo dez dias depois da Oitava da supracitada Festa ((S. C. Ind.,  23 de Julho de 1898 e 29 de Agosto de 1899; S. P. Ap., 18 de Março de 1932). Raccolta 398
  • Uma indulgência de 500 dias pode ser lucrada uma vez ao dia pelos fiéis que, beijando o Santo Rosário que carregam consigo, ao mesmo tempo recitarem a primeira parte da Ave Maria até “Jesus”, inclusive. (Sagrada Congregação da Penitenciária Apostólica. 30 de março de 1953)


 
Palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort sobre o Santo Rosário

"Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e quão magnânimo é ao recompensar os que trabalham para pregá-lo, estabelecê-lo e cultivá-lo. Recitado enquanto são meditados os mistérios sagrados, o Rosário é manancial de maravilhosos frutos e depósito de toda espécie de bens. Através dele, os pecadores obtêm o perdão; as almas sedentas se saciam; os que choram acham alegria; os que são tentados, a tranqüilidade; os pobres são socorridos; os religiosos, reformados; os ignorantes, instruídos; os vivos triunfam da vaidade, e as almas do purgatório (por meio de sufrágios) encontram alívio. Perseverai, portanto, nessa santa devoção, e tereis a coroa admirável preparada no Céu para a vossa fidelidade”.
 
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de, Tratado Da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Rio De Janeiro: Vozes, 28º edição.


    Para citar este texto:
"O Terço e o Rosário"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=oracoes&subsecao=oracoes&artigo=o_rosario&lang=bra 
Online, 07/10/2015 às 21:04h

DIUTURNI TEMPORIS

CARTA ENCÍCLICADIUTURNI TEMPORIS DE SUA SANTIDADE
LEÃO XIII

A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS
IRMÃOS, OS PATRIARCAS,
PRIMAZES, ARCEBISPOS
E BISPOS DO ORBE CATÓLICO,
EM GRAÇA E COMUNHÃO
COM A SÉ APOSTÓLICA
SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA

Veneráveis Irmãos,

Saúde e Bênção Apostólica.


Proteção de Maria sobre o Pontificado de Leão XIII
1. Quando refletimos sobre o longo período de tempo que, por vontade de Deus, temos passado na suprema dignidade do Pontificado, não podemos deixar de reconhecer havermos experimentado de modo o mais tangível a singular assistência da Providência Divina. Na verdade, pensamos deva isto principalmente atribuir-se às orações unânimes, e, por isto mesmo, eficacíssimas, que agora toda a Igreja incessantemente eleva a Deus por Nós, como outrora por Pedro. Por isto, antes de tudo agradecemos do mais profundo do coração ao Senhor, dispensados de todos os bens.
E, enquanto tivermos vida, a Nossa alma conservará uma fiel recordação de cada singular benefício d'Ele recebido. Mas logo depois o Nosso pensamento suavemente se volve para a maternal proteção da augusta Rainha do Céu; e esta piedosa lembrança viverá indelével no Nosso coração, para nos mover a magnificar os benefícios de Maria e a nutrir para com ela a mais sentida gratidão. Dela, com efeito, como de um canal repleto, desce a onda das graças celestes: "nas suas mãos se acham os tesouros das divinas misericórdias" (S. João Damasceno, Sermo I de Nativitate) "É vontade de Deus que ela seja o princípio de todos os bens" (S. Ireneu, Contra Valent. 1, III, c. 33). E Nós firmemente esperamos poder encerrar a Nossa vida terrena no amor desta terníssima Mãe: amor que com todas as Nossas forças sempre nos esforçamos por cultivar e estender sempre mais.

A Obra do Pontífice para a devoção ao Rosário
2. Já de há tempo Nós, movido pelo desejo de colocar na tão aumentada devoção para com a Virgem, como numa rocha inexpugnável, a salvação da humanidade, nunca cessamos de promover entre os fiéis a piedosa prática do "santo Rosário". Para este fim, já desde o primeiro dia de Setembro do ano de 1883, publicamos uma Carta Encíclica, e, como todos vós bem sabeis, em seguida temos promulgado sobre este assunto vários outros decretos. E, já que os desígnios da divina misericórdia nos concedem ver, ainda este ano, a aproximação do mês de Outubro, já reiteradamente por Nós dedicado e consagrado à celeste Rainha do Rosário, não queremos deixar de renovar-vos a Nossa exortação. Portanto, a fim ,de que sejam brevemente resumidos todos os esforços por Nós até agora feitos para o incremento desta singular forma de oração, entendemos de coroar a Nossa obra com um último documento que quer demonstrar, com evidência ainda maior, o Nosso zelo e a Nossa solicitude por esta louvabilíssima manifestação de piedade mariana, e ao mesmo tempo estimular o ardor dos fiéis a conservar piedosamente na sua integridade a bela prática do santo Rosário.

Resumo dos documentos pontifícios sobre o Santo Rosário
3. Portanto, impelido pelo constante desejo de manifestar ao povo cristão o poder e a grandeza do Rosário mariano, Nós recordamos antes de tudo a origem, mais celeste que humana, desta oração. E, para este fim, pusemos em evidência que esta maravilhosa coroa é um enredo de saudações angélicas, intercaladas pela oração dominical, unidas pela meditação. Assim composto, o Rosário constitui a mais excelente forma de oração, e o meio mais eficaz para alcançar a vida eterna, visto como, além da excelência das suas orações, ele nos oferece uma sólida defesa da nossa fé e um sublime modelo de virtude, nos mistérios propostos à nossa contemplação. Além disto demonstramos que o Rosário é uma prática fácil e adaptada à índole do povo, a qual apresenta, outrossim, na recordação da Família de Nazaré, o ideal mais perfeito da vida doméstica. Por tais motivos os fiéis sempre lhe experimentaram o salutar poder.

O Mês de Outubro e a Festa do Rosário
4. Depois de havermos inculcado, especialmente com estas razões e com os Nossos reiterados apelos, a prática do santo Rosário, Nós, seguindo o exemplo dos Nossos Predecessores, demo-nos, além disso, pressa de juntar a importância e a solenidade do seu culto. Dos Nossos Predecessores, Sixto V, de feliz memória, aprovou o antigo costume de recitar o Rosário; Gregório XIII instituiu a festa do Rosário; Clemente VIII introduziu-a no Martirológio; Clemente XI estendeu-a a toda a Igreja; e Benedito XIII inseriu-a depois no Breviário Romano. Assim Nós, em perene testemunho do Nosso apreço por esta forma de piedade, além de havermos decretado que dita festa e o seu Oficio sejam celebrados em toda a Igreja, com rito duplo de segunda classe, também quisemos que o mês de Outubro inteiro fosse consagrado a esta devoção. Enfim, prescrevemos que nas Ladainhas Lauretanas se acrescentasse a invocação: "Rainha do sacratíssimo Rosário", como augúrio de vitória na presente luta.

Indulgências anexas à recitação do Santo Rosário
5. Depois disto, não restava senão fazer conhecer aos fiéis o imenso valor e as grandíssimas vantagens ligadas ao Rosário mariano, pelos numerosos privilégios e direitos com que ele foi enriquecido, e sobretudo pelo tesouro de Indulgências de que goza. E certamente não é difícil compreender o quanto estas vantagens devam ser estimadas por aqueles que pensam seriamente na sua eterna salvação. Com efeito, aqui se trata de obter, total ou parcialmente, a remissão da pena temporal a pagar nesta ou na outra vida, mesmo depois de haver sido cancelada a culpa. Tesouro este, sem dúvida, preciosíssimo, porque constituído pelos méritos de Cristo, aos quais se juntaram os da Mãe de Deus e dos Santos. A tal tesouro, o Nosso Predecessor Clemente VI com razão referia aquelas palavras da Sabedoria: "Inexaurível tesouro é ela para os homens: aqueles que dela fazem uso proporcionam-se amizade junto a Deus" (Sab. 7, 14). Já os Romanos Pontífices, por força do seu supremo poder recebido de Deus, abriram largamente os mananciais de tais graças aos membros das Confrarias do Santo Rosário, e àqueles que rezam o Rosário com devoção.

Anúncio de uma constituição sobre as confrarias do Rosário
6. Também Nós, portanto, persuadidos de que estas graças e estas Indulgências, como outras tantas fúlgidas jóias bem dispostas, aumentam o esplendor da Coroa de Maria, após madura reflexão decidimos promulgar uma "Constituição" sobre os direitos, privilégios, Indulgências, reservados às Confrarias do Rosário. Seja essa "Constituição" considerada um público testemunho do Nosso amor à augusta Mãe de Deus e, ao mesmo tempo, um estímulo e um prêmio à piedade dos fiéis, a fim de que, na hora extrema tia sua vida, possam ser confortados pelo seu auxílio, e suavemente adormecer sobre o seu seio.
7. É esta a graça que rogamos a Deus, pela intercessão da Rainha do sacratíssimo Rosário. E, entrementes, como penhor e auspício dos favores celestes, concedemos a vós, Veneráveis Irmãos, ao vosso clero e ao vosso povo a Bênção Apostólica.
Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 5 de Setembro de 1898, vigésimo primeiro ano do Nosso Pontificado.

LEÃO PP. XIII.

https://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_05091898_diuturni-temporis.html

Origem e significado do santo Rosário

Corria o ano da graça de 1214. Havia bastante tempo que o Languedoc, região meridional da França, vinha sendo assolado por uma infame e terrível heresia: a dos albigenses.

Convocada uma Cruzada para estancar o mal, o choque entre católicos e hereges não tardou a acontecer. E a terra da nobre nação francesa passou a ser o teatro de inúmeras e sangrentas batalhas em que católicos e albigenses disputavam o terreno palmo a palmo.

S DOMINGOS DE GUSMAO-2.jpgPorém, apesar de tanto sangue derramado, a heresia continuava a devastar as almas. Como mover o Céu a derrotá-la? Como obter de Deus uma vitória definitiva?

Dias de terrível aflição foram aqueles! Havia horas em que tudo parecia perdido, e a heresia triunfante tudo destruía, manchava e conspurcava.

Nesse estado de tribulação extrema da Cristandade, São Domingos, movido por inspiração divina, entra numa grande e densa floresta próxima de Toulouse (capital do Languedoc). Ali passa três dias e três noites em contínua oração e penitência, não cessando de gemer, de chorar e de se flagelar, implorando a Deus que tivesse pena de sua própria glória calcada aos pés pela heresia albigense.

Em conseqüência de tamanho ardor e esforço, acaba por cair semi-morto. E eis que então, Maria Santíssima, resplandecente de glória, lhe aparece.
A conversão dos albigenses por São Domingos

"A Santíssima Virgem, que estava acompanhada de três princesas do Céu, lhe disse: ‘Sabes tu, meu caro Domingos, de que arma a Santíssima Trindade se serviu para reformar o mundo?' - ‘Ó Senhora! respondeu ele, Vós o sabeis melhor do que eu, porque depois de vosso Filho Jesus Cristo fostes o principal instrumento de nossa salvação'. Ela continuou: ‘O instrumento principal dessa obra foi o Saltério angélico, que é o fundamento do Novo Testamento. Portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Saltério'. O Santo levantou-se muito consolado e, abrasado de zelo pelo bem desses povos, entrou na catedral. No mesmo momento os sinos tocaram, pela intervenção dos Anjos, para reunir os habitantes. No início da pregação caiu uma espantosa tempestade. A terra tremeu, o sol se nublou, os trovões e relâmpagos redobrados fizeram estremecer e empalidecer todos os ouvintes. Seu terror aumentou ao verem uma imagem da Santíssima Virgem, exposta num lugar eminente, levantar três vezes os braços para o céu, para pedir ao Senhor vingança contra eles se não se convertessem e não recorressem à proteção da santa Mãe de Deus.

O Céu queria, por esses prodígios, estimular a nova devoção do santo Rosário e torná-la mais conhecida. A tormenta cessou, por fim, devido às orações de São Domingos. Ele continuou seu sermão e explicou com tanto fervor e entusiasmo a excelência do santo Rosário, que quase todos os tolosinos o adotaram, renunciando a seus erros. Em pouco tempo verificou-se uma grande mudança na vida e nos costumes da cidade."
Essa narrativa, de autoria do Bem-aventurado Alano de la Roche (1428-1475), no seu famoso livro Da dignidade do
ROSARIO_01 RAE 22.jpgSaltério*, é conforme a uma sólida e venerável tradição, segundo a qual a pregação do Rosário foi recomendada pessoalmente por Nossa Senhora a São Domingos.

Apesar de, modernamente, a autenticidade desses fatos haver sido contestada por vários especialistas, que alegam a ausência de documentos contemporâneos que os atestem, a crítica histórica vem demonstrando o acerto de se considerar São Domingos - fundador da Ordem dos Pregadores (os dominicanos) - como o instituidor do Rosário, e a voz de numerosos Pontífices Romanos o confirmam.

Assim, a devoção do Rosário continua estreitamente vinculada a São Domingos, sem dúvida o seu primeiro grande propagador. Obtendo excelentes frutos, ele o pregou durante o resto de sua vida "não só pelo exemplo, como de viva voz, nas cidades e nos campos, diante dos grandes e dos pequenos, dos sábios e dos ignorantes, diante dos católicos e dos hereges" 58.
Alguns anos depois da morte de São Domingos, o costume da recitação do Rosário começ0u a cair pouco a pouco em desuso, por diversas causas. Um de seus filhos espirituais, o Bem-aventurado Alano de la Roche, no século XV, trabalhando incansavelmente na restauração dessa piedosa prática, conseguiu fazê-la reflorescer e difundir por todo o orbe católico.
Coroa de rosas

São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716), grande apóstolo da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, consagrou um de seus extraordinários escritos a enaltecer as excelências do Rosário. Trata-se de O segredo admirável do santíssimo Rosário para se converter e se salvar, em cujas páginas o Santo comenta a origem dessa prática de devoção, seu significado e suas maravilhas, reveladas pela própria Mãe de Deus.

As considerações apresentadas em seguida são extraídas da mencionada obra de São Luís Grignion a respeito do Rosário.
Depois que o Bem-aventurado Alano de la Roche renovou essa devoção ao Saltério de Maria, a voz popular, que é a voz de Deus, conferiu-lhe o nome de Rosário, que significa "coroa de rosas". Quer dizer que todas as vezes que alguém reza, de modo conveniente, seu Rosário, deposita sobre a cabeça de Jesus e de Maria uma coroa formada de 153 rosas brancas e 16 rosas vermelhas do Paraíso, as quais nunca perderão sua beleza ou seu brilho. A Santíssima Virgem aprovou e confirmou esse nome MAOS DE NOSSA SENHORA COM O TER?O........jpgde Rosário, revelando a vários devotos seus que eles Lhe apresentariam tantas e agradáveis rosas quantas Ave-Marias recitassem em sua honra; e tantas coroas de rosas quantos fossem os Rosários por eles rezados.

O Irmão Afonso Rodrigues, da Companhia de Jesus, recitava seu Rosário com tanto fervor que se via, com freqüência, a cada Pai-Nosso, sair de sua boca uma rosa vermelha, e a cada Ave-Maria uma branca, igual em beleza e em bom odor.

As crônicas de São Francisco narram que um jovem religioso tinha o louvável costume de rezar todos os dias, antes da refeição, a coroa da Santíssima Virgem. Um dia, não sei por que imprevisto, deixou de fazê-lo. Tendo soado a hora do jantar, pediu a seu superior a permissão para recitá-la antes de se dirigir à mesa. Com esta licença, recolheu-se em seu quarto. Porém, como demorasse em retornar, o superior enviou um religioso para chamá-lo.

Esse religioso o encontrou no seu quarto, todo resplandecente de celeste luminosidade, e a Santíssima Virgem e dois anjos junto dele. À medida que ele dizia uma Ave-Maria, uma bela rosa saía de sua boca; os anjos recolhiam as rosas, uma após outra, e as colocavam sobre a cabeça da Santíssima Virgem, que manifestava sua alegria com tais adornos. Dois outros religiosos, enviados para ver a causa da demora dos primeiros, presenciaram todo esse mistério, e Nossa Senhora só desapareceu quando a coroa foi inteiramente recitada.

O Rosário é, pois, uma grande coroa, e o Terço [a terça parte do Rosário] é um pequeno chapéu de flores ou um diadema de rosas celestes que se deposita sobre a cabeça de Jesus e de Maria. Assim como a rosa é a rainha das flores, assim também o Rosário é a rosa e o primeiro dos atos de piedade.

http://www.acnsf.org.br/article/7633/Origem-e-significado-do-santo-Rosario.html

Uma breve história do Rosário da Virgem Maria


O Papa João Paulo II decidiu celebrar as suas bodas de prata papais com uma oração, o Rosário da Virgem Maria. Dado que é apenas a quarta vez na História que a Igreja celebra os 25 anos de um pontificado, (depois de S. Pedro, que foi Papa do ano 32 a 67, do beato Pio IX, Papa de 16 de Junho de 1846 a 7 de Fevereiro de 1878 e do seu sucessor Leão XIII, Papa de 20 de Fevereiro de 1878 a 20 de Julho de 1903), esta decisão tem grande relevo histórico e profético. 

1- O Nascimento do Rosário 

O Rosário é uma oração cuja origem se perde nos tempos. A tradição diz que foi revelado a S. Domingos de Gusmão (1170-1221), numa aparição de Nossa Senhora, quando ele se preparava para enfrentar a heresia albigense. 

Parece não haver muitas dúvidas de que o Rosário nasceu para resolver um problema importante dos novos frades mendicantes. De fato, os franciscanos e dominicanos estavam a introduzir um novo tipo de ordem religiosa no século XII, em alternativa aos antigos monges, sobretudo Beneditinos e Agostinhos. Estes, nos seus mosteiros, rezavam todos os dias os 150 salmos do Saltério. Mas os mendicantes não o podiam fazer, não só por causa da sua pobreza e estilo de vida, mas também porque em grande parte eram analfabetos. 

Assim nasceu, nos dominicanos, o Rosário, o “saltério de Nossa Senhora”, a “Bíblia dos pobres”, com 150 Ave-Marias. Um pouco mais tarde, em 1422, pelas mesmas razões, os franciscanos criaram a Coroa Seráfica, uma oração muito parecida, mas com estrutura ligeiramente diferente (tem sete mistérios, em honra das sete alegrias da Virgem, os mistérios Gozosos, trocando a Apresentação no Templo pela Adoração dos Magos e os dois últimos Gloriosos, acrescentando mais duas Ave-Marias em honra dos 72 anos da vida de Nossa Senhora na Terra). 

Mas é preciso dizer que, nessa altura, não havia ainda a Ave Maria. Já desde o século IV se usava a saudação do arcanjo S. Gabriel (Lc 1, 28) como forma de oração, mas só no século VII ela aparece na liturgia da festa da Anunciação como antífona do Ofertório. No século XII, precisamente com o Rosário, juntam-se as duas saudações a Maria, a de S. Gabriel e a de S. Isabel (Lc 1, 42), tornando-se uma forma habitual de rezar. Em 1262 o Papa Urbano IV (papa de 1261-1264) acrescenta-lhes a palavra “Jesus” no fim, criando assim a primeira parte da nossa Ave Maria. 

Só no século XV se acrescenta a segunda parte de súplica, tirada de uma antífona medieval. Esta fórmula, que é a atual, torna-se oficial com o Papa Pio V (1566-1572). Grande reformador no espírito do concílio de Trento (1545-1563), S. Pio V é o responsável pela publicação do Catecismo, Missal e Breviário Romanos surgidos do Concílio, que renovam toda a vida a Igreja. Foi precisamente no Breviário Romano, em 1568, que aparece pela primeira vez na oração oficial da Igreja a Ave-Maria. 

2- A Batalha de Lepanto e a festa de Nossa Senhora do Rosário

O contributo de S. Pio V, um antigo dominicano, para a história do Rosário não se fica por aqui. O grande reformador criou também o último grande momento da antiga Cristandade, a unidade dos reinos cristãos à volta do Papa. Os turcos otomanos, depois do cerco e queda de Constantinopla em 1453, o fim oficial da Idade Média, e das conquistas de Suleiman, o Magnífico (1494-1566, sultão desde 1520), estavam às portas da Europa. Dividida nas terríveis guerras entre católicos e protestantes, a velha Europa não estava em condições de resistir. O perigo era enorme. 

Além de apelar às nações católicas para defender a Cristandade, o Papa estabeleceu que o Santo Rosário fosse rezado por todos os cristãos, pedindo a ajuda da Mãe de Deus, nessa hora decisiva. Em resposta, houve um intenso movimento de oração por toda a Europa. Finalmente, a 7 de Outubro de 1571 a frota ocidental, comandada por D. João de Áustria (1545-1578), teve uma retumbante vitória na batalha naval de Lepanto, ao largo da Grécia. Conta-se que nesse mesmo dia, a meio de uma reunião com os cardeais, o Papa levantou-se, abriu a janela e disse “Interrompamos o nosso trabalho; a nossa grande tarefa neste momento é a de agradecer a Deus pela vitória que ele acabou de dar ao exército cristão”. 

A ameaça fora vencida. Este foi o último grande feito da Cristandade. Mas o Papa sabia bem quem tinha ganho a batalha. Para louvar a Vitoriosa, ele instituiu a festa litúrgica de ação de graças a Nossa Senhora das Vitórias no primeiro domingo de Outubro. Hoje ainda se celebra essa festa, com o nome de Nossa Senhora do Rosário, no memorável dia de 7 de Outubro. 

3 - O rosário até João Paulo II 

A partir de então, o Rosário aparece em múltiplos momentos da vida da Igreja. Já no fresco do Juízo Final, pintado por Miguel Ângelo (1475-1564) na Capela Sistina do Vaticano de 1536 a 1541, estão representadas duas almas a serem puxada para o céu por um Terço. São as almas de um africano e de um asiático, mostrando a universalidade missionária da oração. 

A 12 de Outubro de 1717, foi retirada do rio Paraíba uma imagem de Nossa Senhora com um Terço ao pescoço por três humildes pescadores, Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, em Guaratinguetá, São Paulo. Essa estátua, de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, foi declarada em 1929 Rainha e Padroeira do Brasil. 

A Imaculada Conceição rezou o Terço com Bernadete Soubermos (1844-1879) nas aparições de Lourdes em 1858. O Papa Leão XIII “Papa do Rosário”, como lhe chama a recente Carta Apostólica do Papa (n.º 8) dedicou mais de 20 documentos só ao estudo desta oração, incluindo 11 encíclicas. 
Também o Beato Bártolo Longo (1841-1926) é um os grandes divulgadores do Rosário, como o refere a recente Carta Apostólica (n.º 8, 15, 16, 36, 43). Antigo ateu, espírita e sacerdote satânico, depois da sua conversão viu na intercessão de Nossa Senhora a sua única hipótese de salvação. Sendo advogado, em 1872 deslocou-se à região de Pompéia por motivos profissionais e ficou chocado com a pobreza, ignorância, superstição e imoralidade dos habitantes dos pântanos. Entregou-se a eles para o resto da vida. Arranjou um quadro da Senhora do Rosário, que fez vários milagres e criou em 1873 a festa anual do Rosário, com música, corridas, fogo de artifício. Construiu uma igreja para essa imagem, que se veio a tornar no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. Fundou uma congregação de freiras dominicanas para educar os órfãos da cidade, escreveu livros sobre o Rosário e divulgou a devoção dos «Quinze Sábados» de meditação dos mistérios. 

Outro grande momento da divulgação do Terço é, sem dúvida, Fátima. “Rezar o Terço todos os dias” é a única coisa que a Senhora referiu em todas as suas seis aparições. A frase repete-se sucessivamente, quase como uma ladainha, manifestando bem a sua urgência e importância. Na carta do Dr. Carlos de Azevedo Mendes, num dos primeiros documentos escritos sobre Fátima, afirma-se “Como te disse examinei, ou antes, interroguei os três em separado. Todos dizem o mesmo sem a mais pequena alteração. A base principal que de tudo, o que me dizem, deduzi é «que a aparição quer que se espalhe a devoção do Terço»” 

A história do Rosário não pode terminar sem referir um momento decisivo desta evolução. A escolha do Papa João Paulo II de celebrar as suas bodas de prata pontifícias com o Rosário, acrescentando-lhe os cinco mistérios luminosos, é um marco importante na devoção. Mas a ligação do Papa a esta oração não é de hoje, como ele mesmo diz na Carta: “Vinte e quatro anos atrás, no dia 29 de Outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha eleição para a Sé de Pedro, quase numa confidência, assim me exprimia: «O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade.»“ (n.º 2) 

João César das Neves 
Professor UCP

http://www.catequisar.com.br/texto/materia/especial/rosario/08.htm