quarta-feira, 27 de maio de 2015

Consoladora dos Aflitos



As invocações, que o povo cristão dirige a Nossa Senhora, manifestam, em primeiro lugar, as situações concretas e existenciais desse mesmo povo. Se pudéssemos examinar os milhões de títulos dirigidos à Maria, teríamos um retrato completo das circunstâncias pelas quais passa a humanidade.


Um grande número dessas invocações retrata as dores e angústias humanas, suas fraquezas, sua indigência e necessidade de proteção, auxílio e consolo.Todos nós sabemos que Maria não é a fonte das graças e favores que pedimos; acreditamos que Ela seja nossa Medianeira e Intercessora.

Nossa confiança em Maria e em sua intercessão se fundamenta em sua íntima união com seu Filho e na vontade livre e soberana de Deus de querer precisar da colaboração de Maria para realizar, por meio do seu Filho, a Redenção e Libertação da Humanidade. Se a Trindade Santíssima precisou do “Sim” de Maria para realizar a salvação do mundo, que mal existe quando nós, frágeis mortais e pecadores, pedimos a intercessão desta Mãe para nossas necessidades e angústias?

Maria, em diversas circunstâncias de sua vida, experimentou a angústia e a aflição. Aquela espada de dor, profetizada por Simeão, sempre esteve cravada em seu peito. Mas a angústia e a aflição maior aconteceram durante a Paixão de seu Filho.

Impossibilitada de socorrer e aliviar seu Filho pregado na cruz, sua dor e sua aflição atingiram o máximo suportável por um ser humano. E essa experiência da aflição a tornou sensível às aflições e angústias de seus filhos, herdados na cruz.

Pela experiência comum da angústia e da aflição é que invocamos, cheios de graça: Consoladora dos Aflitos, Rogai por nós!



Pe. Ângelo Licati


Momento íntimo com a Mãe do Salvador


"E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe, e junto a ela o discípulo amado, disse: “Mulher, eis o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante desde o discípulo a tomou para casa". (João 19.25-27).

Enquanto Maria olha para a cruz, tolda-se a terra de um nevoeiro, como se tivesse sido atingida bem em seu âmago por uma espada. Enquanto observa, Maria percebe a semelhança entre o que ela sente com o que foi profetizado por Simeão, por ocasião do nascimento de Jesus: "Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações” (Lucas 2.34-35), referindo-se à agonia que Maria haveria de passar. Focalizando novamente a cruz, tudo fica nítido para ela: Então, esta é a espada...

É algo que toda a mãe teme: perder um filho. Este medo a perseguiu sempre, desde as palavras premonitórias de Simeão. Houve o terror por ocasião de Herodes, com a conspiração de assassinato das criancinhas. E ainda a profecia de Isaías sobre o Servo Sofredor sempre a perturbou. É como se a morte tivesse pousado sobre o berço de Jesus, desde o seu nascimento, lançando ali uma sombra escura como uma constante advertência de que um dia o menino lhe pertenceria.

Bem no seu íntimo, Maria sabia que Jesus era uma criança nascida para morrer. Não cresceria para ser um médico, ou um rabi, ou um doutor da lei. Não se casaria, nem lhe daria netos que levassem adiante o nome de família. Sabia disto há muito tempo, mas havia enterrado esse sentimento em seu coração.

Nas poças de lágrimas nadam algumas recordações. O nascimento dele naquele frio e escuro estábulo em Belém. Como ele tremia, quando pegou-o pela primeira vez em seus braços, tão pequenino e indefeso. Aquecera-o em seu seio e cantara para que dormisse. Lembrava-se também de como, quando beijara sua testa, ele a olhara tão calmo, tão sem cuidados.

Novamente focaliza a cruz e vê homens encurvados, repartindo as roupas dele, e lançando sortes sobre elas. Ergue os olhos para seu filho e sofre. Ele está nu, e não há ninguém para aquecê-lo. Tem sede, e não há ninguém para molhar os seus lábios. Está cansado e não há ninguém para cantar-lhe uma canção para que adormeça. Sua testa está franzida em agonia, banhada de sangue e não há ninguém para enxugar-lhe os ferimentos!...

-Por que meu bebê mereceria isto?

Novamente seus olhos se turvam. Mais uma lembrança vem à tona. E mais outra. Lembra-se de quando disse a primeira palavra. Lembra-se dos seus primeiros passos. Recorda-se de como ele gostava de ajudá-la a assar o pão, e ela então costumava molhar um pedaço do pão fresco no mel e dava-lhe para comer. Isto deixava-o contente e fazia com que seus olhos brilhassem.

-Por que meu bebê mereceria isto?

Recorda-se dele com doze anos, quando já estava a serviço do Pai em Jerusalém. Lembra-se claramente de ter pensado na ocasião: Ele não é mais o meu bebê! Está ali na cruz agora por possuir também amor materno. Está ali porque tem o amor de um Salvador. Mas, o amor não se parece com o que vê. Gotas abundantes de sangue que escorrem pelo madeiro, molhando a sujeira que está embaixo. Cravos pesados nos pés de Jesus!... Costelas marcando a pele magra.. Moscas pousando nas feridas abertas... Olhos inchados pela febre... Cabelos emaranhados na coroa de espinhos colocada pela manhã... Mãos erguidas a Deus presas no madeiro por cravos... Um dorso encurvado, pendente pelos punhos empalados, como um grotesco pingente... Isto é o que a mãe de Jesus vê, enquanto desembainha seu coração para o golpe cruel da espada romana... É mais do que uma mãe pode suportar!

Mas de alguma forma ela resiste. Principalmente por causa do homem que está a seu lado, amparando-a.

João, o discípulo amado de Jesus. De braços dados, as duas pessoas a quem Jesus mais ama neste mundo! Nunca foram tão próximos, como neste momento. Ouvem Jesus murmurar enquanto ergue a cabeça. Esboça o seu adeus com a língua ferida e os lábios rachados. João leva Maria para mais perto, para poupar a Jesus o esforço, pois o seu filho tem muito que dizer a ela: ‘Obrigado por tudo. . . devo-lhe tanto. . . você foi a mãe mais querida que alguém poderia ter’. Imagina-se... Mas os espasmos no peito estão cada vez mais freqüentes, e aquelas palavras não foram pronunciadas... Jesus apóia-se nos cravos e com esforço enche os pulmões. A dor é extrema. As palavras saem com um grande esforço. "Mulher, eis o teu filho." Maria olha para João, aperta os seus braços enquanto tem os olhos marejados de lágrimas... Os lábios esboçam um sorriso trêmulo". "João, eis a tua mãe".

O discípulo acena enquanto morde os lábios controlando a emoção... Foi tudo quanto foi dito.... imaginamos... Por um momento íntimo, contemplam Aquele a quem tanto amam... Então Jesus pende novamente.

De repente, Maria percebe, Ele está a serviço do Pai. Ora àquele Pai, para que a morte venha logo para o Seu filho, isto é, para o filho deles. Pois ambos perderam um filho hoje. Ambos têm uma espada cravada no peito... E assim, apesar da sua dor, apesar do aço frio que lhe trespassa a alma, ela resiste ao pé da cruz... É mãe!... Não suporta olhar. Mas não suportaria afastar-se dali também. Está ali. Pelo seu filho! Como qualquer mãe o faria...

Ela estava lá quando Ele veio ao mundo. Haveria de estar quando Ele se fosse. Estava lá quando Ele foi empurrado por um canal escuro e estreito até seus braços, quando nasceu.


Estaria presente agora quando Ele estava sendo empurrado através de outra passagem dolorosa que o devolvia para os braços do Pai.

Oração: Tu, cujo corpo pendia daqueles cravos em tuas mãos, e que carregavas sobre ti o peso do pecado do mundo, e ainda assim preocupavas-te mais com as dores dos outros do que com as tuas. Tu, que fizeste um comentário constrangedor sobre o único dos mandamentos que contém uma promessa, embora soubesses que para ti aquela promessa te seria negada. Tu, que de tudo foste destituído, e no entanto ainda achaste tanto para dar: aos seus executores, o perdão: ao ladrão, o paraíso; à sua mãe, um filho! Concede-me a graça, Ó Senhor, de jamais esquecer a maneira como Tu te alçaste acima do teu desamparo a fim de te assegurares de que tua mãe não seria desamparada. Grande exemplo de amor altruísta, meu Senhor!... Filho exemplar!... Conserva-me sempre junto à cruz, pois ela é a fonte de onde provém o amor mais puro! Lá sou purificado, não somente dos meus pecados, mas da minha pequenez... É nela que estou mais perto de ti, meu Senhor!... É nela que estou mais próximo daqueles que te amam!... Leva-me lá todos os dias, meu Senhor querido!... É onde está o amor!... E é onde eu preciso ficar. .

Maria, exemplo de mãe!...

http://www.matrizdecampinas.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=327:momento-intimo-com-a-mae-do-salvador&catid=39:textos-marianos&Itemid=89

domingo, 24 de maio de 2015

Pentecostes segundo o Catecismo da Igreja Católica


 Pentecostes dia da efusão do Espírito Santo

§696 O fogo. Enquanto a água significa o nascimento e a fecundidade da Vida dada no Espírito Santo o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo O profeta Elias, que “surgiu como um fogo cuja palavra queimava como uma tocha” (Eclo 48,1), por sua oração atrai o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo que transforma o que toca. João Batista, que caminha diante do Senhor com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), anuncia o Cristo como aquele que “batizará com o Espírito Santo e com o fogo” (Lc 3,16), esse Espírito do qual Jesus dirá “Vim trazer fogo à terra, e quanto desejaria que já estivesse acesso (Lc 12,49). É sob a forma de línguas “que se diriam de fogo” o Espírito Santo pousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si. A tradição espiritual manterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo Não extingais o Espírito” (1Ts 5,19).

§731 No dia de Pentecostes (no fim das sete semanas pascais), a Páscoa de Cristo se realiza na efusão do Espírito Santo, que é manifestado, dado e comunicado como Pessoa Divina: de sua plenitude, Cristo, Senhor, derrama em profusão o Espírito.

§1287 Ora, esta plenitude do Espírito não devia ser apenas a do Messias; devia ser comunicada a todo o povo messiânico. Por várias vezes Cristo prometeu esta efusão do Espírito, promessa que realizou primeiramente no dia da Páscoa. e em seguida, de maneira mais marcante, no dia de Pentecostes. Repletos do Espírito Santo, os Apóstolos começam a proclamar “as maravilhas de Deus” (At 2,11), e Pedro começa a declarar que esta efusão do Espírito é o sinal dos tempos messiânicos. Os que então creram na pregação apostólica e que se fizeram batizar também receberam o dom do Espírito Santo

§2623 NO TEMPO DA IGREJA

No dia de Pentecostes, o Espírito da promessa foi derramado sobre os discípulos, “reunidos no mesmo lugar” (At 2,1), esperando-o, “todos unânimes, perseverando na oração” (At 1,14). O Espírito, que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, vai também formá-la para a vida de oração.

P.37.2 Pentecostes dia da manifestação pública de Jesus

§767 “Terminada a obra que o Pai havia confiado ao Filho para realizará na terra, foi enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes para santificar a Igreja permanentemente.” Foi então que “a Igreja se manifestou publicamente diante da multidão e começou a difusão do Evangelho com a pregação”. Por ser “convocação” de todos os homens para a salvação, a Igreja é, por sua própria natureza, missionária enviada por Cristo a todos os povos para fazer deles discípulos.

§1076 A ECONOMIA SACRAMENTAL No dia de Pentecostes, pela efusão do Espírito Santo, a Igreja é manifestada ao mundo. O dom do Espírito inaugura um tempo novo na “dispensação do mistério”: o tempo da Igreja, durante o qual Cristo manifesta, toma presente e comunica sua obra de salvação pela liturgia de sua Igreja, “até que ele venha” (1 Cor 11,26). Durante este tempo da Igreja, Cristo vive e age em sua Igreja e com ela de forma nova, própria deste tempo novo. Age pelos sacramentos; é isto que a Tradição comum do Oriente e do Ocidente chama de “economia sacramental”; esta consiste na comunicação (ou “dispensação”) dos frutos do Mistério Pascal de Cristo na celebração da liturgia “sacramental” da Igreja. Por isso, importa ilustrar primeiro esta “dispensação sacramental” (Capítulo I). Assim aparecerão com mais clareza a natureza e os aspectos essenciais da celebração litúrgica (Capítulo II.).

P.37.3 Pentecostes dia da plena revelação da Trindade

§732 Nesse dia é revelada plenamente a Santíssima Trindade. A partir desse dia, o Reino anunciado por Cristo está aberto aos que crêem nele; na humildade da carne e na fé, eles participam já da comunhão da Santíssima Trindade. Por sua vinda e ela não cessa, o Espírito Santo faz o mundo entrar nos “últimos tempos”, o tempo da Igreja, o Reino já recebido em herança, mas ainda não consumado:

Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontramos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível, pois foi ela quem nos salvou.

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terça-feira, 19 de maio de 2015

Poderosa oração a Nossa Senhora de Fátima

Peça com fé a graça de que você tanto precisa



Muitas pessoas já foram abençoadas com graças especiais alcançadas por Maria. Agora é a sua vez. Peça com fé:

Santíssima Virgem, 

que nos montes de Fátima 

vos dignastes revelar a três pastorinhos 

tesouros de graças 

contidos na prática do vosso santo Rosário, 

incuti profundamente em nossa alma 

o apreço em que devemos ter esta devoção, 

a vós tão querida, 

a fim de que, meditando os mistérios da Redenção, 

que neles se comemoram, 

nos aproveitemos de seus preciosos frutos 

e alcancemos a graça (............................) 

que vos pedimos, 

se for para a glória de Deus 

e proveito de nossas almas. 

Assim seja. 


Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

Tudo por Jesus, nada sem Maria

Permita que Nossa Senhora conquiste seu coração

Jesus fez tudo através de Nossa Senhora. Ele veio ao mundo por ela; ela lhe deu a natureza humana que fez do Verbo encarnado o sumo Sacerdote. Ela foi o paraíso do novo Adão, como disse S. Luiz de Montfort; ela o embalou em seus braços; ensinou-o a andar, falar, rezar e o preparou para a grande missão de Salvador da humanidade.

Por Maria Ele foi levado ao Egito, para fugir da fúria diabólica de Herodes, e ali o protegeu.

Por Maria, Jesus começou os seus milagres, nas bodas de Canã da Galileia; a seu pedido, “quando ainda não havia chegado a sua hora.”

Maria o acompanhou em sua missão redentora e chegou até o Calvário com Ele.

Ninguém cooperou mais do que Maria com o Senhor na obra da salvação da humanidade. Por isso ela mereceu a glória da Assunção ao céu de corpo e alma. No céu ela continua a sua missão de Mãe dos viventes.

Jesus quis dá-la a nós aos pés da cruz, para ser a nossa Mãe espiritual. Na cruz, agonizando, com lábios de sangue, antes de “entregar o espírito ao Pai”, Ele nos fez filhos de Sua Mãe. Olhou para o discípulo (João) que tanto amava e disse: “Eis aí a tua Mãe.” E o apóstolo João a “levou para a sua casa.” (Jo 19,27)

Maria foi a última dádiva que Jesus nos deixou.

Rejeitá-la como Mãe seria, pois, terrível, seria o mesmo que dizer a Jesus: “Eu não quero receber a Tua Mãe para minha Mãe.” Sem dúvida esta recusa seria para Jesus pior do que aquela última estocada da ponta da lança no Seu divino coração; pior do que aquelas afrontas, daqueles tapas no rosto, pior do que os açoites e espinhos que Ele recebeu…

Seria uma insana ousadia recusar a Sua Mãe, para nossa Mãe. “Eis aí a tua Mãe.”

Por amor a Jesus, leve-a você também para a tua casa e Ela conquistará todas as graças de que você precisa para viver como Deus quer.

Se Jesus deixou-nos a Sua Mãe para nossa Mãe, é porque isto é necessário para a salvação de cada um de nós. Este gesto não foi apenas um carinho a mais para conosco; foi uma grande necessidade.

Grandes santos e doutores da Igreja, como S. Bernardo, Santo Afonso de Ligório, e outros, afirmam que: “Maria é necessária para a nossa salvação.”

S. Luiz de Montfort nos pergunta: Se Deus, que é onipotente, e portanto não precisava dela para salvar o mundo, e no entanto, quis precisar dela, será que você é tão orgulhoso que acha que pode se salvar sem o seu auxílio?

Só Jesus é o Salvador (At 4,12). Sabemos que só Jesus é “o único Mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2,5), e nenhuma mediação é válida sem a de Jesus; mas Deus quis que Maria fosse uma mediadora “subordinada”. Ela é a grande Auxiliadora dos Cristãos; Aquela que nos leva à fonte da salvação, Jesus.

Ela é a mediadora de todas as graças, através de Jesus, não em paralelo, não de maneira substitutiva. A mediação de Maria, ensina o Concílio Vaticano II, valoriza ainda mais a mediação de Jesus.

Se Jesus quer precisar de nós para salvar o mundo, quanto mais Ele não quer precisar de Maria!

Se foi por Ela que Jesus veio a nós, então, dizem os santos, é também por Ela que devemos ir a Jesus.

A Igreja já cansou de ensinar que, em nada, a mediação de Maria substitui a única e indispensável Mediação de Jesus; é apenas uma mediação subordinada, auxiliar, materna.

Depois que o demônio consegue fazer alguém escravo do pecado, em seguida trabalha arduamente para afastá-lo de Maria, pois sabe que Ela é o Refúgio dos pecadores; isto é, aquela que poderá convencê-lo a deixar o pecado e voltar à fonte da graça.

Infelizmente, muitos trazem no coração uma certa rejeição a Maria, como se ela fosse uma “rival” de Jesus. É tentação! É uma forte tentação! Jesus continua a nos dizer hoje: “Eis aí a tua Mãe!” Leve-a para casa!

http://www.aleteia.org/pt/religiao/conteudo-agregado/tudo-por-jesus-nada-sem-maria-5854984348368896?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-16/05/2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

História de Nossa Senhora da Fátima


Nossa Senhora da Fátima

Nossa Senhora de Fátima teve origem na cidade de Fátima, uma cidade de Portugal onde três meninos, Lucia de Jesus Santos, com 10 anos e  seus primos Francisco Martos de 9 anos e Jacinta Martos de 7 anos, tiveram a visão de Nossa Senhora.
Aconteceu no ano de 1917. Sete aparições de Nossa Senhora aos três meninos, sempre no dia 13 de cada mês. A primeira foi no dia 13 de maio. Lucia via e conversava com Nossa Senhora de Fátima. Francisco só via e não ouvia os diálogos. Jacinta via e ouvia, mas não falou com Nossa Senhora de Fátima.

História de Nossa Senhora de Fátima

Quando Nossa Senhora de Fátima apareceu aos três, eles descreveram assim a visão: Parecia ter uns 18 anos a Senhora, rodeada de claridade fulgurante, seu vestido era de uma alvura puríssima, assim como o manto ornado de ouro, que lhe cobria a cabeça e grande parte do corpo. O rosto sobrenatural e divino, estava sereno e grave, com uma sombra de tristeza. Em suas mãos, uma cruz de ouro com um terço em contas que pareciam pérolas, e de seu corpo, especialmente do rosto irradiavam feixes de luz, incomparavelmente superior a qualquer beleza humana.
No começo as crianças se assuntaram, mas Nossa Senhora de Fátima as tranquilizaram, dizendo para não terem medo, e que ela era do Céu. Nossa Senhora disse para rezarem o terço todos os dias, para alcançarem a paz e o fim da guerra. A mensagem de Fátima é uma mensagem de conversão e arrependimento.
Nossa Senhora de Fátima insiste na oração do terço. Ela disse que o comunismo só cairia depois de muita oração. E assim aconteceu. A oração e a Igreja, através do Papa João Paulo II tiveram papel decisivo na queda do muro de Berlin e, por conseguinte, do comunismo.

Perseguição contra as crianças de Fátima

Ninguém acreditava nas crianças. Na segunda aparição, somente 50 pessoas estavam presentes para tentar ver alguma coisa. Depois, as crianças sofreram grandes perseguições por parte dos poderes públicos. Chegaram a ser até presas na delegacia de Fátima, mas nunca negaram as aparições.

Oração de Nossa Senhora de Fátima que rezamos até hoje

Em uma das aparições, Nossa Senhora ensinou esta oração aos meninos. Ela foi acrescentada na reza do Rosário: Quando rezarem o terço, digam após cada mistério; ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.
Após a terceira aparição o povo começou a acreditar, e cada vez mais se aglomeravam mais pessoas, chegando a mais de trinta mil na última aparição.

Milagre de Nossa Senhora de Fátima

Na sexta aparição, Maria Santíssima disse a Lucia que naquele local, com o dinheiro das doações, deveria ser construída uma capela com o nome de Nossa Senhora do Rosário. E quando ela se levantava suavemente para ir embora, o sol  apareceu entre as nuvens como um grande disco prateado, brilhando muito, mas sem cegar as pessoas. Começou a girar vertiginosamente e suas bordas se tornaram avermelhadas espalhando raios de fogo, de modo que sua luz refletia nas pessoas nas árvores, e foi vista até quarenta quilômetros de distância do local das aparições.
Por três vezes o sol girou e se precipitou sobre a terra, e todos com medo pediam perdão para Deus. O milagre durou cerca de dez minutos. A partir desses acontecimentos, a devoção a Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora do Rosário, aumentou, se difundiu para o mundo todo, e hoje, em seu enorme santuário, todos os peregrinos vão fazer seus pedidos, agradecimentos e orações.

Oração a Nossa Senhora de Fátima

Santíssima Virgem, que nos montes de Fátima vos dignastes revelar a três humildes pastorinhos os tesouros de graça contidos na prática de vosso Rosário, incuti profundamente em nossa alma o apreço em que devemos ter com essa devoção, para Vós tão querida, a fim de que, meditando os mistérios da Vossa Redenção que nela se comemora, nos aproveitemos de vossos preciosos frutos e alcancemos a graça, que vos pedimos nesta oração,  se for para maior glória de Deus, honra vossa e proveito de nossas almas. Amém.
Rainha do Santíssimo Rosário, rogai por nós.

http://www.cruzterrasanta.com.br/historia/nossa-senhora-fatima

terça-feira, 12 de maio de 2015

OFERECIMENTO À MARIA, MÃE DE JESUS

“Ò Maria, Mãe querida, como é bom nos encontrarmos na tua presença e novamente nos colocarmos sob teu olhar, pois tu és a Mãe do Belo Amor e da Santa Esperança. A ti, Maria, elevamos o nosso coração. Que a tua santidade ilumina a nossa vida e acerte os nossos passos no caminho da justiça, da fraternidade e da paz. Como sempre estiveste de portas abertas a Cristo, abre também as portas do nosso coração para que aconteça em nós e por nós a civilização do amor... Nós te pedimos isso nessa hora de Deus... Nós te pedimos, Maria, o dom da fé, da humildade, da fortaleza. Tu podes ajudar-nos a encarnar o Cristo Vivo na medida em que abrirmos o coração para os outros, para os que sofrem. Na medida em que não nos interessar nosso próprio prestígio, mas a glória do Pai e a felicidade dos irmãos quando, conforme o teu exemplo, soubermos pronunciar o nosso “sim” em resposta aos apelos de Deus. Santa Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, nós nos consagramos a ti, entregando em tuas mãos maternas toda a nossa vida. Aceita o nosso passado com tudo o que houve. Aceita o nosso presente com tudo o que somos. Recebe o nosso futuro com tudo o que virá. Nós te oferecemos e confiamos tudo o que possuímos e tudo o que somos.
A ti, Maria, confiamos a nossa inteligência, a nossa vontade, o nosso coração. Entregamos-te a nossa liberdade, nossos temores e nossas  preocupações, nossos desejos e nossas esperanças, nossas tristezas e nossas alegrias. Toma conta de nossa vida e de nossas atitudes a fim de que possamos ser verdadeiros filhos de Deus e mais irmãos entre os irmãos. Ò Maria, nossa querida Mãe, tu que pisaste a cabeça da serpente maligna, preserva-nos de todos os males e afasta para longe de nós as seduções do inimigo. Ò Maria, repleta da graça do Altíssimo, dá-nos um rosto mais humano e um coração misericordioso para que, no meio dos nossos irmãos, brilhe sempre o amor a Deus e à caridade fraterna. Rainha da esperança, nós te oferecemos e consagramos o nosso entusiasmo e o ardor de nossa vida. Que cada dia seja repleto da graça do Altíssimo. Que tuas mãos nos conduzam nos caminhos da vida, hoje e sempre, para, junto de Deus e de nossos irmãos cheios de graça e verdade.” (Irmão José Milson - Marista).
“Nós hoje, cativados pelo esplendor de tua beleza celestial e impelidos pelas angústias do mundo, lançamo-nos em teus braços, ò Imaculada Mãe de Jesus Cristo e nossa Mãe. Estamos certos de encontrar em teu Coração a satisfação de nossas aspirações e o alento do nossos peregrinar. Admiramos e cantamos a incomparável riqueza dos dons com que Deus te ornou acima de qualquer criatura desde o primeiro instante da tua Conceição até o dia feliz de tua Assunção aos céus. Virgem gloriosa, ensina-nos o caminho de Cristo...” (Parte de uma oração de Pio XII).
“Maria, mãe dos homens e dos povos; tu que conheces todos os sofrimentos e as esperanças de todos os homens; tu que sentes maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal entre a luz e as trevas que abalam o mundo de hoje, acolhe o clamor que, movido pelo Espírito Santo, elevamos diretamente ao teu Coração e abrace, com o amor da mãe e da Serva do Senhor, este nosso mundo humano que te confiamos e consagramos cheios de inquietude pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos. De modo especial te entregamos e consagramos aqueles homens e aquelas nações que, desta entrega e desta consagração tem particular necessidade. (Irmão José Milson - Marista).
“E hoje encontramo-nos diante de ti, Mãe de Jesus Cristo, diante do teu Coração Imaculado e desejamos, juntamente com toda a Igreja  unir-nos com a consagração que, por nosso amor, o teu Filho fez de si mesmo ao Pai, quando disse: “Eu me consagro a mim mesmo por eles para que também eles sejam consagrados na verdade.” (Jo 17, 19). Queremos unir-nos ao nosso Redentor nessa consagração pelo mundo e pelos homens, a qual no seu Coração Divino tem o poder de alcançar o perdão e de conseguir a reparação. A força desta consagração permanece por todos os tempos e abrange todos os homens, os povos, as nações e supera todo o mal que o espírito das trevas é capaz de despertar no coração do homem e na história  e que, de fato, despertou nos nossos tempos. Sejas bendita, Mãe, acima de todas as criaturas, tu, serva do Senhor, que obedeceste de maneira mais plena ao chamamento de Deus. Sejas louvada, tu que estás inteiramente unida à consagração redentora do teu Filho.” (João Paulo II).
“Mãe da Igreja. Ilumina o povo de Deus nos caminhos da fé, da esperança e da caridade. Ilumina, de modo especial, os povos dos quais esperas a nossa consagração e a nossa entrega. Ajuda-nos a viver na verdade da consagração de Cristo pela inteira família humana do mundo moderno. Confiando-te, ò Mãe, o mundo, todos os homens e todos os povos, nós te confiamos também a própria consagração do mundo, depositando-a no teu Coração Materno. Ò Coração Imaculado de Maria. Ajuda-nos a vencer a ameaça do mal que tão facilmente se enraíza nos corações dos homens de hoje e que, nos seus efeitos danosos pesa já sobre a nossa época e parece fechar os caminhos do futuro. (Irmão José Milson - Marista).

São comemorados também neste dia: Santos Marcos e Estevão (mártires de Antioquia da Pisídia), Santa Afia e Santo Filemon (mártires – a Filemon São Paulo escreveu a mais breve de suas cartas), São Pragmácio e São Tomás Réggio.

http://caminhossenhor.blogspot.com.br/2013/11/oferecimento-maria-mae-de-jesus.html


domingo, 10 de maio de 2015

Hino à Santa Virgem Maria


Salve, raio de sol espiritual; salve, reflexo da luz sem ocaso.
Salve, arco-iris que iluminas as almas; salve, relâmpago que aterrorizas os inimigos.
Salve, tu que fazes aparecer o astro fulgurante; tu que fazes brotar rios de água.
Salve, ó tu que representas a piscina simbólica;
Salve, tu que tiras as manchas do pecado.
Salve, banho que purificas a consciência; salve, taça que derramas alegria.
Salve, perfume da fragrância de Cristo; salve, vida do banquete místico; salve, 
esposa sempre virgem.

(Hino da Litúrgia Oritental)


A NOSSA CRUZ E A DE CRISTO

Cada uma das nossas dores traz uma mensagem de Cristo que pergunta por nós. Do alto da Cruz, Ele olha-nos pessoalmente, chama-nos pelo nosso nome e nos pergunta: “Não queres aprender a sofrer comigo? Não queres transformar a tua dor em amor? Não queres ter um sofrimento santificador?”
Quando nos decidiremos a isso? Quando perceberemos estas interrogações afetuosas, estas sugestões da graça de Deus? “Perante esse pequeno desaforo –Deus nos diz-, por que não respondes com um silêncio paciente e humilde como o meu, sem ódio nem discussões? Se te custa aguentar o caráter daquela pessoa, por que não te esforças por viver melhor a compreensão e a desculpa amável? Quando alguém te ofende, por que -sem deixares de defender serenamente o que é justo- não te esforças por perdoar, como Deus te perdoa?”
E, assim, quando as dores físicas ou morais –os desgostos, as decepções, os fracassos, os fastios, o tédio, a solidão, a depressão…− nos acabrunham, a voz cálida de Cristo crucificado convida-nos a ser generosos e a subir um degrau na escada do amor: a crescer na  mansidão, na bondade e na grandeza de alma; a aumentar a confiança em Deus; a ser mais desprendidos de êxitos, bem-estar e posses materiais; sobretudo, a meter-nos mais decididamente na fogueira de amor que é o coração de Cristo, com desejos inflamados de corresponder, de desagravá-lo, de imitá-lo, de unir-nos ao seu Sacrifício redentor. Todos esses sentimentos fazem grande a alma cristã.
 Queremos fazer este aprendizado cada vez melhor? Meditemos a Paixão de Jesus. É uma prática espiritual que, ao longo dos séculos, alimentou o amor e a generosidade de milhões de cristãos. Peguemos muitas vezes os relatos detalhados da Paixão, que os quatro Evangelhos conservam como um tesouro; e alguns livros que comentem piedosamente a Paixão e Morte de Cristo; e fiquemos contemplando, representando as cenas com a imaginação, “metendo-nos” nelas, e dialogando com o Senhor. Ele nos falará sem palavras.

Do livro A sabedoria da Cruz ,de F. Faus

MARIA E O SANTO ROSÁRIO

Meditar com São Josemaria

O “princípio do caminho”, que tem por fim a completa loucura por Jesus, é um confiado amor a Maria Santíssima. – Queres amar a Virgem? – Pois então conversa com Ela! – Como? – Rezando “bem” o Rosário de Nossa Senhora [Santo Rosário, prólogo].
Mas no Rosário… dizemos sempre o mesmo! – Sempre o mesmo? E não dizem sempre a mesma coisa os que se amam? (Id.)… Eu entendo que cada Ave-Maria, cada saudação à Santíssima Virgem, é um novo palpitar de um coração enamorado [Forja, n. 615].
Bendita monotonia das Ave-marias, que purifica a monotonia dos teus pecados! [Sulco, n. 475].
Não se pronuncia o terço somente com os lábios, mastigando uma após outra as Ave-marias. Assim mussitam as beatas e os beatos. – Para um cristão, a oração vocal há de enraizar-se no coração, de modo que, durante a recitação do terço, a mente possa adentrar-se na contemplação de cada um dos mistérios [Sulco, n. 477].
Vou dar-te um conselho prático… : demora-te por uns segundos – três ou quatro – num silêncio de meditação, considerando o respectivo mistério do Rosário, antes de recitares o Pai-nosso e as Ave-marias de cada dezena [Santo Rosário, nota introdutória].
Se rezas o terço todos os dias, com espírito de fé e de amor, a Senhora se encarregará de levar-te muito longe pelo caminho do seu Filho [Sulco, n. 691].
 O Santo Rosário é arma poderosa. Emprega-a com confiança e te maravilharás do resultado [Caminho, n. 558].
Oração
Minha Mãe Imaculada, Rainha do Santíssimo Rosário! Como me alegra repetir, em cada Ave-Maria, as primeiras palavras que o próprio Deus te dirigiu através do Anjo Gabriel: «Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo!», e acrescentar a elas o louvor que tua prima Isabel, inspirada pelo Espírito Santo, te dirigiu no dia da Visitação: «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre» (Lc 1,28.42).
Sei que tu, minha Mãe Imaculada, amas o Rosário e sorris quando nós, teus filhos, oramos e conversamos contigo mediante esta bela oração. Assim o mostraste quando vieste visitar-nos em Lourdes, e depois em Fátima. «Rezem o terço todos os dias», dizias aos três pastorzinhos.
Quero honrar-te vivendo essa tua devoção preferida cada dia com mais amor: meditando os mistérios, prestando atenção às palavras, e pondo em tuas mãos, em cada dezena, uma súplica confiante: “Ofereço este mistério por esta ou aquela outra intenção”.  E se algumas vezes me distrair involuntariamente, sei que continuarás a sorrir-me, como a mãe que conversa com a criança que, ao mesmo tempo, a ouve e se distrai: procurarei então retificar e continuar a rezar com mais afinco.
Peço-te que tornes eficazes as minhas palavras quando eu aconselhar outras pessoas a rezarem o Terço, ou as convidar a rezá-lo juntos. Faz com que os católicos não nos esqueçamos de que, desde há séculos, quase todos os Papas têm dedicado um ou vários documentos ao Santo Rosário, exortando os fiéis a praticarem esta devoção,  preferentemente em família.
Agora que a Novena chega ao final, penso que este propósito pode ser a melhor oferenda na tua grande festa: amar muito e difundir com entusiasmo o Santo Rosário.
Termino a Novena, minha Mãe, com a oração que a Igreja te dedica na festa de “Nossa Senhora do Rosário”: “Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na Cruz, e com a intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, alcancemos a glória da ressurreição. Por Cristo, Nosso Senhor.”

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segunda-feira, 4 de maio de 2015

O povo da cruz e a cruz de Cristo: atração e repulsão

Por Leonardo Morais, Jr., OFA*


Há cerca de duas semanas o mundo tomou conhecimento da execução de 21 jovens cristãos egípcios pelas mãos do ISISI (Estado Islâmico do Iraque e Síria). O clima de indignação e repúdio espalhou-se rapidamente por todos os continentes logo que a organização terrorista divulgou o vídeo – produzido em alta qualidade – da decapitação de cada um daqueles prisioneiros. Nas legendas do vídeo, podia-se ver, em língua árabe, a “razão” ou o “motivo” de sua execução: “Povo da Cruz”. Isso me fez lembrar das epígrafes que os soldados romanos, por sugestão dos judeus, colocaram sobre a cabeça de Jesus, quando este estava dependurado na cruz: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus”. A morte do Messias foi, por assim dizer, identificada, ainda que jocosamente, com a sua missão e verdadeira identidade.


Entretanto, o que me chama à atenção, entre outras coisas, nesse triste episódio dos 21 mártires egípcios, é o modo como foram apresentados ao mundo pelos terroristas do ISIS: o “Povo da Cruz”! Isso mesmo! É algo fascinante e edificante à fé, mas que pode soar estranho a muitos cristãos ocidentais, principalmente os evangélicos de linhagem pentecostal ou neo-pentecostal, herdeiros da tradição anabatista, a qual desde seu surgimento, tem se insurgido contra os símbolos cristãos tradicionais e adotado uma postura iconoclasta muito firme. Outra razão porque boa parte das igrejas e denominações desse segmento desprezam esses símbolos remonta aos idos do Brasil Império (meados e fim do século 19), quando aos cristãos evangélicos, já em plena atividade e expansão missionária em nosso território, não podiam construir templos ou usar símbolos que caracterizassem o “novo culto” como igreja. Nessa época a Igreja Romana era religião oficial, então nenhuma outra igreja podia se assemelhar a ela externamente. O resultado dessa proibição, somado ao espírito anti-católico dos missionários norte-americanos oriundos do sul dos Estados Unidos, foi o estabelecimento e o cultivo de uma mentalidade preconceituosa e iconoclasta para com tudo que aparentasse ser “católico-romano”. Assim as vestes litúrgicas, os vitrais, os ícones, o uso da cruz e a persignação, entre outras marcas históricas do culto e da piedade cristãs foram suprimidos da prática evangélica que se impôs pelo Brasil afora.


Todavia, enquanto que a crucifobia se instalou no inconsciente coletivo de alguns segmentos do cristianismo evangélico, para os demais ramos do cristianismo histórico, a cruz tem sido por dois milênios o símbolo ou emblemapor excelência de sua fé. Por outro lado, infelizmente, em diversas igrejas e comunidades cristãs modernas insígnia da cruz tem sido desprezada e até substituída por símbolos de fé completamente alheios ao cristianismo. É possível, em muitas dessas igrejas e comunidades serem encontrados menorás (candelabros judaicos), estrelas de David nas paredes e tetos, bandeiras de Israel e da cidade de Jerusalém, líderes e leigos usando vestes e adereços judaicos, tocando shofar e tentando reproduzir cenas e festas típicas do judaísmo. Por vezes, diante desse quadro, ficamos na dúvida se, na realidade estamos ou não em uma igreja cristã genuína.


Ao serem questionados acerca do não-uso da cruz – e de outros símbolos tipicamente cristãos – alguns líderes e leigos dessas comunidades apresentam, quase sempre, dois tipos comuns de respostas: 1) “a cruz é símbolo de maldição” e 2) “não usamos pois é associação com a Igreja Católica Romana. 3) “o uso da cruz é uma prática supersticiosa”.


Bem, em resposta poderíamos fazer as seguintes considerações:


Em primeiro lugar, a cruz, embora tenha sido o instrumento de tortura e morte de Nosso Senhor, ganhou um novo significado à luz da obra redentora de Cristo. Foi na cruz que Cristo cumpriu os desígnios salvíficos de Deus. Ademais, não é possível encontrar, nas Escrituras, qualquer passagem que diga que a cruz (ou o “madeiro”) seja maldita. Na realidade, a bíblia declara o seguinte: “está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”. Ou seja, quem está no madeiro é que é maldito, e não o madeiro em si. São Paulo nos diz que Jesus Cristo a si mesmo se fez maldição em nosso lugar! Sofreu todo o sofrimento que era nosso e recebeu em si toda a condenação que era nossa e desde então simboliza nossa completa absolvição das penas da Lei, é o maior símbolo da redenção dos eleitos de Deus.


Em segundo lugar, o uso do símbolo da cruz é tão antigo quanto a formação das primeiras comunidades cristãs. Alguns Pais da Igreja, como Tertuliano de Cartago e Hipólito de Roma, já nos séculos II e III respectivamente, já faziam menção à persignação (fazer o sinal da cruz sobre si mesmo), como práticas dos cristãos primitivos em forma de auto-identificação com a paixão do Senhor. Também, São Clemente de Alexandria, um representante da igreja oriental, no século III, chamava a letra T (tau), símbolo da cruz, de “figura do sinal do Senhor” (Stromateis, VI 11). Dessa forma, fica bem evidente que o símbolo da cruz era universalmente reconhecido pelos cristãos primitivos.


Em terceiro lugar, um símbolo não é a coisa em si mesmo, mas nos “lança” ou remete àquilo que ela simboliza. Ou seja, no caso da cruz, não devemos tê-la como se fosse a realidade significada, ou seja, como se fosse o próprio Senhor morto encerrado num objeto. É bem verdade que há distorções e abusos no uso do símbolo da cruz. Há quem venere e cultue o objeto em si. Há quem lhe atribua poderes e virtudes miraculosas. Práticas semelhantes, como uso supersticioso e banal de óleos ungidos, de amuletos judaicos, de palavras-passes (p.e., “paz do Senhor”), palavras de ordem ou jargões característicos (“tá amarrado”, “eu decreto”, “o sangue de Jesus tem poder”, etc.) também são bastante difundidas em algumas igrejas cristãs, porém igualmente condenáveis, e nada disso está de acordo com a fé cristã biblicamente fundamentada, que nos traz à memória, constantemente, as palavras de Jesus: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4:10). 


*Leonardo Morais, Jr., é frade da Ordem Franciscana Anglicana – OFA é responsável pelo Ponto Missionário Anglicano de Sto. Estevão Mártir, situado no Bairro São Miguel, Francisco Beltrão - PR.

http://projetolitourgos.blogspot.com.br/