sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A agonia da porta estreita


A curiosidade de fiéis e dos teólogos, ao longo dos séculos, os levou a fazer a pergunta sobre o número dos que serão salvos.

Nosso Senhor se recusa a cair na tentação do número. Ele não quer que se perca NENHUMA de suas ovelhas. E ao responder à pergunta e chama a atenção para o verdadeiro problema: ninguém deve presumir a própria salvação, mas deve lutar (ἀγωνίζομαι) para entrar pela porta estreita.

Esta luta, embora dramática, tem algo de belo, pois é a forma de demonstrarmos o nosso amor por Cristo. É assim que São Paulo exorta São Timóteo:
Combate o bom (belo) combate da fé (ἀγωνίζου τὸν καλὸν ἀγῶνα τῆς πίστεως). Conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e fizeste aquela nobre profissão de fé perante muitas testemunhas. (1 Tim 6, 12).
Pode parecer estranho, mas Nosso Senhor gosta de nos ver lutar. É o que depende, por exemplo, de um interessante episódio da Vida de Santo Antão, escrita por Santo Atanásio de Alexandria.
Após uma terrível luta com uma legião de demônios, Santo Antão tem uma visão celeste e desabafa reclamando da demora de Nosso Senhor:
"Onde estavas? – diz Santo Antão – Por que não aparecestes desde o começo para poupar meus sofrimentos?"
O Senhor então responde:
"Antão, eu estava aqui, mas estava aguardando para ver a tua luta (ἀγώνισµα). E agora, porque aguentaste sem te renderes, serei sempre teu auxílio".
Confiemos no Senhor! É Ele quem combate junto conosco em nossa lutas (cf. Sal 43,1; 119,154). Cf. Santo Atanásio, Vida de Santo Antão, 8-10.
Antão decidiu então mudar-se para os sepulcros [...] e pediu a um de seus familiares que lhe levasse pão a longos intervalos. Entrou, pois, em uma das tumbas; o mencionado homem fechou a porta atrás dele, e assim ficou dentro sozinho. Isto era mais do que o inimigo podia suportar, pois em verdade temia que agora fosse encher também o deserto com a vida ascética. Assim chegou uma noite com um grande número de demônios e o açoitou tão implacavelmente que ficou lançado no chão, sem fala pela dor. [...]
Pelos golpes recebidos estava demasiado fraco para manter-se de pé; orava então, estendido no solo. Terminada sua oração, gritou: "Aqui estou eu, Antão, que não me acovardei com teus golpes, e ainda que mais me dês, nada me separará do amor de Cristo (Rm 8,35). E começou a cantar: "Se um exército se acampar contra mim, meu coração não temerá" (Sl 26,3). Tais eram os pensamentos e palavras do asceta. [...]
Uma noite fizeram tal estrépito que o lugar parecia sacudido por um terremoto. Era como se os demônios abrissem passagens pelas quatro paredes do recinto, invadindo impetuosamente através delas em forma de bestas ferozes e répteis. De repente todo o lugar se encheu de imagens fantasmagóricas de leões, ursos, leopardos, touros, serpentes, víboras, escorpiões e lobos; cada qual se movia segundo o exemplar que havia assumido. O leão rugia, pronto a saltar sobre ele; o touro, quase a atravessá-lo com os chifres; a serpente retorcia-se sem o alcançar completamente; o lobo acometia-o de frente. E a gritaria armada simultaneamente por todas essas aparições era espantosa, e a fúria que mostravam, feroz. Antão, atormentado e pungido por eles, sentia aumentar a dor em seu corpo; no entanto, permanecia sem medo e com o espírito vigilante. Gemia, é verdade, pela dor que atormentava seu corpo, mas a mente era senhora da situação e, como por zombaria, dizia-lhes: "Se tivessem poder sobre mim, teria bastado que viesse um só de vocês; mas o Senhor lhes tirou a força e por isso se esforçam em fazer-me perder o juízo com seu número; é sinal de fraqueza terem de imitar animais ferozes". [...] Assim, depois de haver intentado muitas argúcias, rangeram os dentes contra ele, porque eram eles próprios que estavam ficando loucos e não ele.
De novo o Senhor não se esqueceu de Antão em sua luta, mas veio ajudá-lo. Pois quando olhou para cima, viu como se o teto se abrisse e um raio de luz baixasse até ele. Foram-se os demônios de repente, cessou-lhe a dor do corpo, e o edifício estava restaurado como antes. Notando que a ajuda chegara, Antão respirou livremente e sentiu-se aliviado de suas dores. E perguntou à visão: "Onde estavas tu? Por que não aparecestes no começo para deter minhas dores?" E uma voz lhe falou: "Antão, eu estava aqui, mas estava aguardando para ver a tua luta (ἀγώνισµα). E agora, porque aguentaste sem te renderes, serei sempre teu auxílio e te tornarei famoso em toda parte". Ouvindo isto, levantou-se e orou: e ficou tão fortalecido que sentiu seu corpo mais vigoroso que antes. Tinha por aquele tempo uns trinta e cinco anos de idade. T

Sepulcros Caiados

Por Frei Almir R. Guimarães, OFM

Devemos sempre estar alertas em relação à nossa vivência da fé porque, se não nos cuidarmos, podemos criar um abismo muito grande entre o que falamos e o que vivemos ou, pior ainda, podemos viver uma religiosidade de aparências, uma religiosidade ritual em detrimento de uma real vivência de fé, de uma resposta pessoal aos apelos que nos são feitos para que assumamos os compromissos do nosso batismo a partir de uma vida verdadeiramente profética que denuncie os contravalores do mundo e anuncie a verdade dos valores que foram pregados por Jesus Cristo. Deste modo, a nossa vida religiosa não será simplesmente ritual, mas também compromisso. T

O Banquete da Morte



Todos nós temos dificuldades para viver a radicalidade exigida pelo Evangelho e diversas vezes nos acovardamos diante das ameaças. Uma das maiores ameaças que sofremos hoje, quando procuramos viver o Evangelho, encontra-se no fato de que a sociedade ridiculariza todos aqueles que não fundamentam a sua vida nos valores do mundo. Mas isso também acontecia nos tempos de Jesus, como podemos perceber na narrativa da morte de João Batista e no julgamento do próprio Jesus. Mas nós não podemos ceder aos mecanismos que são usados pelo mundo moderno contra o Evangelho; devemos expor com coerência as verdades da nossa Fé. T


domingo, 25 de agosto de 2013

O exame dos pecados veniais - Santo Antonio Maria Claret


A alma deve evitar todos os pecados veniais, especialmente os que abrem caminho ao pecado grave. Ó minha alma, não chega desejar firmemente antes sofrer a morte do que cometer um pecado grave. É necessário tem uma resolução semelhante em relação ao pecado venial.
Quem não encontrar em si esta vontade, não pode sentir-se seguro. Não há nada que nos possa dar uma tal certeza de salvação eterna do que uma preocupação constante em evitar o pecado venial, por insignificante que seja, e um zelo definido e geral, que alcance todas as práticas da vida espiritual — zelo na oração e nas relações com Deus; zelo na mortificação e na negação dos apetites; zelo em obedecer e em renunciar à vontade própria; zelo no amor de Deus e do próximo. Para alcançar este zelo e conservá-lo, devemos querer firmement evitar sempre os
pecados veniais, especialmente os seguintes:
1. O pecado de dar entrada no coração de qualquer suspeita não razoável ou de opinião injusta a respeito do próximo.
2. O pecado de iniciar uma conversa sobre os defeitos de outrem, ou de faltar à caridade de qualquer outra maneira, mesmo levemente.
3. O pecado de omitir, por preguiça, as nossas práticas espirituais, ou de as cumprir com negligência voluntária.
4. O pecado de manter um afeto desregrado por alguém.
5. O pecado de ter demasiada estima por si próprio, ou de mostrar satisfação vã por coisas que nos dizem respeito.
6. O pecado de receber os Santos Sacramentos de forma descuidada, com distrações e outras irreverências, e sem preparação séria.
7. Impaciência, ressentimento, recusa em aceitar desapontamentos como vindo da Mão de Deus; porque isto coloca obstáculos no caminho dos decretos e disposições da Divina Providência quanto a nós.
8. O pecado de nos proporcionarmos uma ocasião que possa, mesmo remotamente, manchar uma situação imaculada de santa pureza.
9. O pecado de esconder propositadamente as nossas más inclinações, fraquezas e mortificações de quem devia saber delas, querendo seguir o caminho da virtude de acordo com os caprichos individuais e não segundo a direção da obediência.

Nota: Fala-se aqui de situações em que encontraremos aconselhamento digno se o procurarmos, mas nós, apesar disso, preferimos seguir as nossas próprias luzes, embora frouxas.

FONTE: admiravelsenhora.blogspot.com.br

Rainha de Todos os Povos: EXORCISMO DE 30 DE MARÇO DE 1976 - Parte III

Rainha de Todos os Povos: EXORCISMO DE 30 DE MARÇO DE 1976 - Parte III: PADRE GABRIELE AMORTH Famoso Exorcista da diocese de Roma. CONFISSÕES DO INFERNO AO MUNDO CONTEMPORÂNEO XI 7. EXORCISMO DE 30 DE MARÇO DE ...

As cinco blasfêmias contra o Coração Imaculado de Maria

1. Blasfemei contra a Imaculada Conceição?
2. Blasfemei contra a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora?
3. Blasfemei contra a Maternidade Divina de Nossa Senhora? Deixei de reconhecer a Nossa Senhora como Mãe de todos os homens?
4. Tentei publicamente semear nos corações das crianças indiferença ou desprezo, ou mesmo ódio, em relação à sua Mãe Imaculada?
5. Ultrajei-A diretamente nas Suas santas imagens?

Ora é precisamente a isto que eu me quero referir quando digo que, de um modo indireto e segundo um raciocínio objetivo, Nosso Senhor acusou os membros de religiões não Católicas de serem culpados de blasfêmias contra o Imaculado Coração de Maria.

Observemos de novo estes cinco tipos de ofensas:

1) Blasfêmias contra o Imaculado Coração: a maioria dos protestantes, bem como a maioria dos ortodoxos da Igreja do Oriente, não acreditam na Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Nem, evidentemente, os judeus, muçulmanos, hindus, os budistas, maçons, comunistas, socialistas, humanistas seculares e tantos outros.

2) Blasfemai contra Sua Perpétua Virgindade: isto também diz respeito à maior parte dos protestantes, judeus, muçulmanos, hindus, budistas... etc. E infelizmente, para dizer a verdade, hoje muitos “católicos” não acreditam na Sua Virgindade Perpétua.

3) Blasfêmias contra a Sua Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos Homens: como sabemos todos citados acima e muitos outros, mas de forma inequívoca os muçulmanos, judeus, hindus, budistas rejeitam esta doutrina, porque rejeitam que Jesus Cristo é Deus. E Nosso Senhor avisou: “Ninguém vem ao Pai senão por Mim”.

4) Blasfêmias daqueles que procuram publicamente infundir, no coração das crianças, a indiferença, o desprezo ou até o ódio para com esta Imaculada Mãe: e de novo é esta a situação dos protestantes e de todos já citados acima e de muitas falsas religiões, ou ateísmo. Estas pessoas ensinam aos seus filhos a não darem importância a Nossa Senhora, nem ao Seu Imaculado Coração, pelo contrário alguns estimulam até mesmo o ódio contra Ela. Repare que não se trata de coisa insignificante aos Olhos de Nosso Senhor; Ele chama isto de BLASFÊMIA, e apela aos Católicos para se ajoelharem e fazerem reparações por estes grandes pecados.

5) As ofensas daqueles que A ultrajam diretamente nas suas Sagradas Imagens: isto aplica a todos que destruíram suas imagens ou caçoaram destas imagens ou de quem por ela demonstra devoção. Como vemos Nosso Senhor não está a lidar com este assunto seguindo a moderna abordagem ecumênica. Ele não realça aqueles pontos que nos “unem” às falsas religiões; pelo contrário Ele condena estas religiões de blasfemas; e realça justamente aqueles pontos que nos separam dos não Católicos!

Assim vejamos o que pediu a Santíssima Virgem Maria:

“Tu, ao menos, empenha-se em Me consolar e diz que todos aqueles que durante 5 meses nos primeiro sábado:

- Fizerem a sua confissão, recebendo a Sagrada Comunhão;
- Rezarem o Terço;
- Fizerem-me 15 minutos de companhia, meditando nos 15 Mistérios do Rosário,
- Com fim de Me desagravar,

“Eu prometo assistir-lhes na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”.


Oração:
ATO DE CONSAGRAÇÃO

Imaculado Coração de Maria, que junto com o Coração de Jesus, Vosso Filho, padeceu tanto pela salvação do mundo, Vós mostrastes Vosso ardente desejo que devemos consagrar-nos ao Vosso Coração e praticar a devoção dos Cinco Primeiros Sábados. Eu por isto, desejo fazer o que desejais:
Consegui para mim a graça de viver de uma maneira, que testemunhe que sou verdadeiramente consagrado. Desejo fazer esta reparação pelos pecados que ferem Vosso Coração Maternal. Recebei isto, caríssima Mãe, e bendizei-me.

- + R. Arulappa
Arcebispo Emérito de Madras-Mylapore,
Índia

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Sobre Santa Rosa de Lima

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

INFormação Católica: Ex-evangélico explica porque retornou ao Catolicis...

INFormação Católica: Ex-evangélico explica porque retornou ao Catolicis...: Eu, que por muitos anos frequentei igrejas evangélicas de diversas denominações, e por muito tempo fui enganado e explorado pelos seus ...

Oração de confiança em Maria - São Bernardo de Claraval

Oração: Da Confiança em Maria

Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que alguém que recorreu à vossa proteção, implorou vossa assistência ou reclamou vosso socorro tenha sido por vós desamparado.

Animado com a mesma confiança, a vós, ó Virgem, entre todas singular, recorro como à mãe e de vós me valho e sob o peso dos meus pecados me prosto a vossos pés.

Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus Humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Amém. 

São Bernardo de Claraval

http://ideeanunciai.wordpress.com/2012/09/13/frases-de-sao-bernardo-de-claraval-doutor-da-igreja-um-dos-fundadores-da-ordem-de-cister-20-de-agosto/

Frases de São Bernardo de Claraval

1-”Deus quis que nada recebêssemos que não passe pelas mãos de Maria”.

2-”Tal é a vontade daquele que quis que nós tudo tivéssemos por meio de Maria”.

3- Só Jesus é “mel para os lábios, cântico para os ouvidos, júbilo para o coração”.

4-”Todo o alimento da alma é árido se não for aspergido com este óleo; insípido, se não for temperado com este sal. Aquilo que escreves para mim não tem sabor, se nisso eu não ler Jesus”.

5-”Ó santa Mãe  deveras uma espada trespassou a tua alma!… A violência da dor trespassou de tal modo a tua alma, que justamente podemos chamar-te mais do que mártir, porque em ti a participação na paixão do Filho superou muito em intensidade os sofrimentos físicos do martírio”.

6-”Nos perigos, nas angústias, nas incertezas pensa em Maria, invoca Maria. Que ela nunca abandone os teus lábios, nem o teu coração; e para obteres a ajuda da sua oração, nunca esqueças o exemplo da sua vida”.

7-”Que faria a ciência sem o amor? Envaideceria. Que faria o amor sem a ciência? Erraria”.

8- “A causa para amar a Deus é o próprio Deus; a medida, amá-lo sem medida”.

9- “Também aos nossos irmãos, no meio dos quais vivemos, somos devedores, por direito de fraternidade e convívio humano, de conselho e de auxílio”.

10-“Louvarei ao Senhor em todos os tempos, isto é, de manhã até à noite, como aprendi a fazer, e não como os que te louvam quando tu lhes fazes o bem, nem como os que crêem durante um certo tempo, mas no momento da tentação cedem; e como os santos, direi:  Se recebemos o bem da mão de Deus, porque não devemos aceitar também o mal?… Assim estes dois momentos do dia serão um tempo de serviço a Deus, porque à noite permanecerá o pranto, e de manhã o eco da alegria. Mergulharei no sofrimento à noite a fim de poder gozar, depois, a alegria da manhã”.

 11-”Eis onde te podem arrastar estas malditas ocupações, se continuas a perder-te nelas… nada deixando de ti a ti mesmo”.

12-”No oscilar das vicissitudes deste mundo, mais do que caminhar no chão tens a impressão de ser sacudido entre as vagas e as tempestades; não afastes o olhar do esplendor desta estrela, se não quiseres ser tragado pelas ondas… Olha para a estrela, invoca Maria… Se a segues não erras o caminho… Se ela te protege não sentes receio, se ela te guia não te cansas, se ela te for propícia alcanças a meta”.

13 – “Amemos e seremos amados. Naqueles que amamos encontraremos repouso, e o mesmo repouso oferecemos a todos os que amamos.”

14 – “Amar em Deus é ter caridade; procurar ser amado por Deus é servir à caridade”.

Sobre São Bernardo de Claraval

São Bernardo

Com muita alegria celebramos a santidade do abade e doutor da Igreja: São Bernardo. Nascido no Castelo de Fontaine em 1094, perto de Dijon (França), pertencia a uma família nobre, a qual se assustou com sua decisão radical de seguir Jesus como monge cisterciense.
São Bernardo é considerado pela Família Cisterciense um segundo fundador, pois atraía a tantos para a Ordem, que as mães e esposas afastavam os filhos e maridos do santo; tamanho era real o poder de atração de Bernardo que todos os irmãos, primos e amigos o seguiram. Homem de oração, destacou-se como pregador, prior, místico, escritor, fundador de mosteiros, abade, conselheiro de Papas, Reis, Bispos e também polemista, político e pacificador.
Aconteceu que São Bernardo, mesmo sendo contemplativo, entrou no concreto da realidade da sua época, a ponto de participar de várias polêmicas internas e externas da Igreja da época.
No ano de 1115, o seu abade Estevão mandou-o com doze companheiros fundar, no Vale do Absíntio, aquilo a que São Bernardo chamou Vale Claro (Claraval). Do Mosteiro de Claraval, o santo irradiava a luz do Cristianismo, isto também pelos escritos, como o Tratado do Amor de Deus e o Comentário ao Cântico dos Cânticos; a invocação é fruto de sua profunda e sólida devoção a Nossa Senhora: "Ó clemente, ó piedosa, ó doce e sempre Virgem Maria". Pela Mãe do Céu, foi acolhido na eternidade em 1153.
Escreveu numerosas obras, milhares de cartas, mais de 300 sermões; interveio em todas as disputas doutrinais, em todas as grandes questões religiosas e seculares da época. Por ordem de tempo, considera-se o último dos Padres da Igreja. Um seu editor, falecido em 1707, Mabillon, escreveu sobre ele: "É o último dos Padres mas iguala os maiores".

São Bernardo, rogai por nós!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Ladainha de São João Eudes

São João Eudes recomendava que esta oração fosse rezada pela conversão dos pecadores e junto aos enfermos. Nossa Senhora prometeu a São João Eudes que os fiéis que devotamente a recitarem, se estiverem em estado de graça crescerão em devoção a cada louvor. Quanto aos pecadores, mesmo obstinados no seu pecado, é muito salutar excitá-los a rezar esta oração, ou pelo menos a aceitar que outras pessoas a rezem por eles. É um poderosíssimo meio de conversão e santificação.
Ave Maria, Filha de Deus Pai.
Ave Maria, Mãe de Deus Filho.
Ave Maria, Esposa do Espírito Santo.
Ave Maria, templo de toda a Divindade.
Ave Maria, alvíssimo lírio da Trindade, fulgurante e sempre sereno.
Ave Maria, rosa resplandecente de celestial amenidade.
Ave Maria, Virgem das Virgens, Virgem fiel, de quem quis nascer e de cujo leite quis se amamentar o Rei dos Céus.
Ave Maria, Rainha dos Mártires, cuja alma foi transpassada pelo gládio da dor.
Ave Maria, Senhora do Mundo, a quem foi dado todo poder no Céu e na Terra.
Ave Maria, Rainha do meu coração, Mãe, vida, doçura e esperança minha caríssima.
Ave Maria, Mãe amável.
Ave Maria, Mãe admirável.
Ave Maria, Mãe de misericórdia.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
E bendito é o vosso Esposo, São José.
E bendito é o vosso Pai, São Joaquim.
E bendita é a vossa Mãe, Sant’Ana.
E bendito é São João, a quem fostes confiada ao pé da Cruz.
E bendito é o vosso Anjo, São Gabriel.
E bendito é o Eterno Padre que Vos escolheu.
E bendito é o vosso Filho que Vos amou.
E bendito é o Espírito Santo que Vos esposou.
E benditos são eternamente os que Vos bendizem e crêem em Vós.
Santo Afonso de Ligório e outros santos, As mais belas orações a Nossa Senhora, Editora Artpress, São Paulo, 2003, págs. 104-105.

São João Eudes

São João Eudes - 19 de Agosto O santo deste dia foi definido por São Pio X como "autor, pai, doutor, apóstolo, promotor e propagandista da devoção litúrgica aos sagrados Corações de Jesus e Maria". São João Eudes nasceu na Normandia, em 1601, num tempo em que o século XVII estava sendo marcado pelo jansenismo, quietismo e filosofismo. Ao viver numa família religiosa, João estranhou quando externando seu desejo de consagrar-se a Deus encontrou barreiras com o seu pai, que não foram maiores do que o chamado do Senhor, por isto com 24 anos estava sendo ordenado Sacerdote. Homem de Deus, soube colher e promover os frutos do Espírito para a época, tanto assim que foi importantíssimo para a renovação e formação do Clero, evangelização das massas rurais e difusão da espiritualidade centrada nos Corações de Jesus e de Maria, a qual venceu com o amor afetivo de Deus as friezas e tentações da época. São João Eudes com suas inúmeras missões e escritos influenciou fortemente todo o seu país e o mundo cristão. Depois de fundar a Congregação de Jesus e Maria (Eudistas), ao lado do ramo feminino chamada Refúgio de Nossa Senhora da Caridade, São João Eudes entrou no Céu em 1680 e foi canonizado em 1925. São João Eudes, rogai por nós! http://www.cancaonova.com/portal/cana...

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Quarentena de São Miguel Arcanjo

Quarentena


de 15 de agosto a 29 de setembro (Festa de São Miguel)



A Quarentena é muito simples. 

Todos os dias, a partir de 15 de agosto até o dia de São Miguel 


em 29 de setembro, rezar diante do Santíssimo Sacramento o 

que vamos sugerir abaixo: 

* Acender uma vela abençoada.
* Oferecer uma penitência.
* Fazer o sinal da cruz.
* Rezar a oração inicial.
* Rezar a Ladainha de São Miguel.
* Rezar a Ladainha do Preciosíssimo Sangue
* E por fim, rezar a Consagração a São Miguel e o Rosário de São Miguel (ou dos Anjos)


Se, por algum motivo, não houver possibilidade de se fazer diante do Santíssimo Sacramento, 

pode-se fazer diante de uma imagem ou estampa de São Miguel. 

É no altar do coração que devemos rezar estes 40 dias.


Oração Inicial


"São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades 

e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, 

pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos, 

que andam pelo mundo para perder as almas. Amém".


"Rogai por nós, santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém".



Ladainha de São Miguel


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do Mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Trindade Santa, que sois um único Deus, tende piedade de nós.


Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, rogai por nós.
São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai por nós.
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós.
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós.
São Miguel, poderosíssimo Príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós.
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós.
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós.
São Miguel, guia e consolador do povo israelita, rogai por nós.
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja Militante, rogai por nós.
São Miguel, honra e alegria da Igreja Triunfante, rogai por nós.
São Miguel, Luz dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, baluarte dos Cristãos, rogai por nós.
São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da Cruz, rogai por nós.
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós.
São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós.
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós.
São Miguel, arauto da sentença eterna, rogai por nós.
São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, nosso Príncipe, rogai por nós.
São Miguel, nosso Advogado, rogai por nós.


Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, atendei-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.


Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, Príncipe da Igreja de Cristo,
para que sejamos dignos de Suas promessas. Amém.


Oração

Senhor Jesus, santificai-nos, por uma bênção sempre nova, e concedei-nos, 

pela intercessão de São Miguel, esta sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do Céu 

e a trocar os bens do tempo pelos da eternidade. 

Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém.



Ladainha do Preciosíssimo Sangue


Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.


Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, redentor do mundo tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Sangue de Cristo, Sangue do Filho Unigênito do Eterno Pai, salvai-nos.
Sangue de Cristo, Sangue do Verbo de Deus encarnado, salvai-nos.
Sangue de Cristo, Sangue do Novo e Eterno Testamento, salvai-nos.
Sangue de Cristo, correndo pela terra na agonia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, manando abundante na flagelação, salvai-nos.
Sangue de Cristo, gotejando na coroação de espinhos, salvai-nos.
Sangue de Cristo, derramado na cruz, salvai-nos.
Sangue de Cristo, preço da nossa salvação, salvai-nos.
Sangue de Cristo, sem o qual não pode haver redenção, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que apagais a sede das almas e as purificais na Eucaristia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, torrente de misericórdia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, vencedor dos demônios, salvai-nos.
Sangue de Cristo, fortaleza dos mártires, salvai-nos.
Sangue de Cristo, virtude dos confessores, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que suscitais almas virgens, salvai-nos.
Sangue de Cristo, força dos tentados, salvai-nos.
Sangue de Cristo, alívio dos que trabalham, salvai-nos.
Sangue de Cristo, consolação dos que choram, salvai-nos.
Sangue de Cristo, esperança dos penitentes, salvai-nos.
Sangue de Cristo, conforto dos moribundos, salvai-nos.
Sangue de Cristo, paz e doçura dos corações, salvai-nos.
Sangue de Cristo, penhor de eterna vida, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que libertais as almas do Purgatório, salvai-nos.
Sangue de Cristo, digno de toda a honra e glória, salvai-nos.


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Senhor.
V. Remistes-nos, Senhor com o Vosso Sangue.
R. E fizestes de nós um reino para o nosso Deus.



Oremos:
Todo-Poderoso e Eterno Deus, que constituístes o Vosso Unigênito Filho, Redentor do mundo, 

e quisestes ser aplacado com o seu Sangue, concedei-nos a graça de venerar o preço da nossa salvação 

e de encontrar, na virtude que Ele contém, defesa contra os males da vida presente, 

de tal modo que eternamente gozemos dos seus frutos no Céu. 

Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. Assim seja.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

A idolatria do dinheiro






A idolatria do dinheiro

“A cobiça de possuir (πλεονεξία) é uma idolatria” (Col 3, 5). Esta expressão de São Paulo resume de forma clara e lapidar a razão pela qual a Igreja católica sempre considerou com muita suspeita as “teologias da prosperidade”.

“Não podeis servir a Deus e a Mamona” (Lc 16, 13).

A palavra Mamona (μαμωνᾶς, do caldeu מָאמונָא) tem sua raiz no verbo confirmar, apoiar, sustentar (אָמַן), de onde vem a expressão “amém”, algo no qual eu posso confiar, a rocha firme de nossa vida. Aqui então se encontra a raiz mais terrível de nosso apego ao dinheiro: colocar a nossa fé no dinheiro e não em Deus.São Máximo, o Confessor, (580-662) recorda:

“Existem três causas para o amor ao dinheiro:
a) o gosto pelo prazer (φιληδονία),
b) a vaidade (κενοδοξία)
c) e a falta de fé (ἀπιστία).
Mas a mais grave é a falta de fé” (Centúrias sobre Caridade, III, 17).

O apego a este mundo é um grande empecilho para nosso encontro com Deus: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” (Lc 18, 24).

Podemos até ser salvos, embora sejamos apegados. Mas só entrará no céu aqueles que, pelo menos no purgatório, se livrarem de amor desordenado.

A virtude da liberalidade é a que combate este tipo de miséria. O virtuosos se “liberou” dos tormentos da avareza.

A insensatez da avareza se revela em todas as fases da vida de quem é apegado aos bens materiais: sofrimento para adquirir, medo ao conserva e dor ao perder. Mas, como recorda Jesus na parábola do evangelho, esta loucura culmina no momento da morte quando, ao temor de uma possível condenação eterna, se acrescenta a dor de ver os seus bens queridos mudarem de dono.

Procuramos então a cura desta terrível doença numa séria meditação sobre a morte e sobre a transitoriedade desta vida e com o sério exercício da doação em favor dos mais necessitados. T

O luminoso rosto do Senhor Jesus




Jesus, o Filho amado do Pai, o Verbo eterno tornou-se homem, veio morar entre nos, percorreu nossos caminhos, sentou-se á nossa mesa, encontrou-se com amigos, formou discípulos, olhou nos olhos de uns e de outros, viveu a vida de fragilidade de todos os seres humanos, um rosto humano, rosto que em sua paixão será desfigurado, como desfigurados são os rostos dos leprosos, dos drogados, das vítimas de guerra, rosto de Jesus no alto da cruz coberto de escarros, de sangue, de poeira, de feiura.

Antes de sua paixão, no entanto, Jesus sobe a um monte e transfigura-se. Revela aos seus apóstolos sua verdade mais íntima: ele tem uma luminosidade que provém de Deus. Seu rosto é rosto de luz.

Cassiano Floristan, teólogo espanhol, assim descreve o episódio da transfiguração narrado pelos evangelistas: “A transfiguração é um relato de alento diante das desfigurações que constantemente se dão na vida. É uma glorificação da ressurreição final. É a contrapartida da tentação, o reverso da desfiguração. O relato da transfiguração significa a consagração de Jesus como Messias ou Cristo, como novo Moisés no monte de Deus e como segundo Elias que pronuncia e cumpre toda a profecia. 

Os sinóticos situam a cena da transfiguração depois das tentações. Depois do deserto, a montanha; depois do obscurecimento, a glória; depois da solidão, a companhia; depois da noite escura, a visão mística. Transfigurar-se é transformar gloriosamente a figura deformada. O Cristo desfigurado da paixão se enche da glória da ressurreição. Para manifestar esta mensagem é preciso entender o “cume da montanha” como lugar de retiro e de oração; as vestes brancas como transformação pessoal; Moisés e Elias como as Escrituras proclamadas em comunidade; as tendas como sinal da presença de Deus; a “nuvem” como escuridão da vida; a voz como Palavra de Deus e o rosto resplendente de Jesus como gozo da glória de Deus”.

Há muitos rostos desfigurados. Há o rosto da mulher grávida que está para dar à luz e é abandonada pelo marido. Pensamos nos rostos desses operários que exercem tarefas insalubres a vida inteira. Contemplamos os rostos dos jovens e menos jovens drogados. Temos diante de nossos olhos tantos rostos dos que sofrem. A transfiguração do Senhor indica que esses rosto todos, um dia, colocando-se diante da luz do rosto de Cristo, haverão de transfigurar-se. T


Vigiai e Orai!!!

 Três parábolas sobre a vigilância.

A primeira (12, 36-38) tem um desfecho feliz. Os servos vigilantes, que simbolizam os discípulos, encontrarão a felicidade eterna quando o Senhor nos introduzir no banquete celeste servindo-nos à mesa, como fizera na última ceia (cf. Jo 13, 4s).

A segunda, brevíssima (12, 39), recorda o ladrão inesperado, o demônio, que pode invadir a casa a qualquer momento.

E a terceira, mais elaborada (12, 42-48), fala dos administradores, dos eclesiásticos, que podem se deixar seduzir e se transformar em malfeitores.

Podemos notar, assim, dois aspectos complementares da vigilância, que nosso Senhor manifesta naquela feliz exortação: "Vigiai e orai" (Mt 26, 41).

a) Negativo: o ataque do ladrão, o demônio. A vigilância propriamente dita.

O demônio não renuncia à posse de nossa alma. Se às vezes parece que nos deixa em paz e não nos tenta, é somente para voltar ao assalto no momento em que menos se espera. Nas épocas de calma e de sossego temos que estar convencidos de que ele voltará ao ataque até mesmo com mais intensidade do que antes. É preciso estarmos alerta para não sermos pegos de surpresa. (Antonio Royo Marín, Teología de la Perfección Cristiana, BAC, n. 169).

b) Positivo: a esperança do Senhor. A oração confiante de quem suplica como um mendigo da graça a visita do Senhor.

Não bastam nossa vigilância e nossos esforços. A permanência no estado de graça [...] requer uma graça eficaz de Deus, que só pode ser alcançada por meio da oração. A mais primorosa vigilância e o esforço mais obstinado se demonstrariam absolutamente ineficazes sem a ajuda da graça de Deus. Com a graça, ao contrário, o triunfo é infalível.

Esta graça eficaz vai além do mérito da justiça e no, sentido estrito, não é devida a ninguém, nem mesmo aos maiores santos. Porém Deus se comprometeu com sua palavra e irá concedê-la de forma infalível se nós a pedirmos com a oração que esteja acompanhada com as devidas condições. Isto coloca em evidência a importância da oração de súplica.

Com razão dizia Santo Afonso de Ligório, ao falar da necessidade absoluta da graça eficaz, a qual só pode ser alcançada pela oração: "Quem ora se salva. E quem não ora se condena". E para decidir diante da dúvida de uma alma se havia ou não caído na tentação, ele costumava perguntar a ela com simplicidade: "Você rezou pedindo a Deus a graça de não cair?" Isto é de grande profundidade teológica. Foi por isto que Cristo nos ensinou no Pai nosso a pedir a Deus que "não nos deixeis cair em tentação".

E é muito bom e razoável que nesta oração preventiva também invoquemos Maria, nossa Mãe bondosa, que pisoteou com seus pés virginais a cabaça da serpente infernal, e a nosso anjo da guarda, que tem como uma de suas funções principais exatamente nos defender contra os assaltos do inimigo infernal. (Ibidem). T

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Edith Stein e a Ciência da Cruz

A Igreja celebra hoje a festa de uma santa ainda não muito conhecida, uma mulher dotada de uma personalidade rica e fascinante: Santa Teresa Benedita da Cruz (nome que recebeu como religiosa carmelita), cujo nome de família era Edith Stein.
Edith nasceu em Breslau em 12 de Outubro de 1891, numa família judia. A cidade de Breslau, naquela altura, fazia parte do território alemão. Depois da segunda guerra mundial foi devolvida à Polónia, retomando o nome de Wrocław.
O que se pode realçar mais na vida desta santa do nosso tempo é a sua incessante busca da verdade, através do estudo da filosofia e também lançando mão dos conhecimentos da Lei de Moisés, que tinha recebido na sua infância. Essa busca levou-a a ler muitas obras filosóficas e ao contacto com filósofos célebres, como Husserl (de quem foi assistente na Universidade de Göttingen) e Max Scheler. Mas foi após a leitura, de um fôlego, da Autobiografia de Santa Teresa d’Ávila, que ela encontrou o caminho de vida que procurava.
Por sua vontade, foi baptizada na Igreja Católica no dia 1 de Janeiro de 1922. Continuou a sua vida como professora e escritora, até ser agregada às Irmãs Carmelitas, em 1933. Durante este período, vai-se desenvolvendo o seu trabalho intelectual e o aprofundamento da sua fé cristã, sem deixar de ter um profundo respeito pela fé da sua família e do seu povo judeu, que nunca renegou.
Pode-se considerar como sua obra-prima Ser finito e Ser eterno, quase uma nova ontologia, síntese de filosofia e mística. Se tivesse podido continuar os seus estudos e criar um movimento de pensamento, como estava em sua índole, talvez a pudéssemos colocar entre os maiores filósofos do século XX.
Teresa Benedita da Cruz teria outro caminho a percorrer, desde que começaram as perseguições nazis aos judeus. Foi chamada a traduzir na vida aquilo que tinha aprendido nos livros e na fé que recebeu de Deus. Acompanhou o seu povo no Holocausto, tendo sido presa na Holanda, pelas tropas alemãs, em Agosto de 1942 e enviada para o terrível campo de concentração de Auschwitz – Birkenau, na Polónia. Foi aí que ela aprendeu a melhor das ciências, a ciência da cruz (“Julguei não dever saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo crucificado” – 1Cor 2, 2).
O título da sua última obra foi precisamente “A ciência da cruz” (Scientia Crucis). Esta ficou inacabada no papel, mas foi concluída na realidade de uma câmara de gás no campo de Auschwitz!

Segundo as palavras do Papa João Paulo II, Edith Stein traz em sua intensa vida uma síntese dramática de nosso século (1 de Maio de 1985). É assim que a devemos ver, como uma mulher de síntese. Alguns tentam utilizá-la como arma de arremesso para justificar traumas ainda não superados. Dizem que ela foi mártir por ser judia e não por ser católica. Nós dizemos que ela foi mártir por ser judia, cristã e mulher fiel a Deus, que foi descobrindo cada vez melhor na sua busca da Verdade. Foi vítima de um sistema no qual Deus não tinha lugar, compartilhando a sorte de tantos milhões de seres humanos. Por isso, deve ser admirada e imitada por judeus, cristãos e todos os que sinceramente procuram saciar a sua sede de Deus.
Fazemos nossas as palavras do mesmo Papa João Paulo II, pronunciadas a 11 de Outubro de 1998, dia da sua canonização:
«Edith Stein é para nós um exemplo e uma guia. Do misterioso projecto divino sobre a sua pessoa, no início também ela percebeu somente “poucos e suaves sons”, como de uma melodia que ressoava ao longe. Na escola da Cruz, estes sons compuseram-se entre si e tornaram-se sinfonia interior.
Graças à sua intercessão, possa também a nossa vida transformar-se numa harmoniosa sinfonia para louvor e glória de Deus».
 

Edith Stein (Santa Tereza Benedita da Cruz) - Filme Completo e Dublado

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Filme Raro - Vida de Santa Tereza D"Ávila - 1961

Cristo é um bom amigo

Sendo Deus, vejo que ele é Homem, que não se admira do modo algum das fraquezas do homem, compreende nossa natureza miserável, sujeita a cair muitas vezes, em consequência do pecado que veio reparar. Embora seja o Senhor, posso tratá-lo como amigo.
Trate-O como pai, irmão, mestre, como esposo, ora de uma maneira, ora de outra. Ele mesmo lhe ensinará o que você deve fazer para contentá-lo.
Fui durante minha vida muito devota de Jesus Cristo(...). Por ser grande minha devoção a ele, (...) eu voltava sempre ao costume de me alegrar na companhia do Senhor, especialmente quando comungavva. Quereria conservar diante dos olhos seu retrato ou sua imagem, pois não podia guardá-la na minha alma tão profundamente como teria querido. É possível, meu Senhor, que meu pensamento teria admitido, nem que fosse por uma hora, que me impediríeis atingir um tão grande bem?
Donde me vieram todos os bens senão de Vós? (...).
Todos os bens nos vêm deste Senhor nosso. Ele instruirá vocês. Considerem sua vida, é o melhor modelo. Quem queremos ter de melhor ao nosso lado, senão um tão bom amigo que não nos abandonará nas penas e tribulações, como o fazem os deste mundo? Bem aventurado aquele que o ama e o guarda sempre junto de si. Olhemos o glorioso São Paulo: dir-se-ia que Jesus estava sempre a sair de sua boca, a tal ponto ele o guardava presente em seu coração. Depois que compreendi isso, considerei com atenção alguns santos, grandes contemplativos, e eles não seguiam outro caminho. São Francisco o mostra por seus estigmas. Santo Antônio de Pádua pelo Menino. São Bernardo encontrava sua delícias na sua Humanidade, Santa Catarina de Sena e tantos outros (...).
Creio ter feito entender quando importava, por mais espiritual que a gente seja, não fugir das coisas corporais ao ponto de imaginar que a Santíssima Humanidade possa prejudicar-nos. Alega-se que o Senhor disse a seus discípulos que era melhor que partisse. Não posso admitir isso.


Jean Abiven - Orar 15 dias com Tereza D'Ávila

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A alma que sofre isola-se no seu sofrimento

A alma que sofre isola-se no seu sofrimento.Qualquer bulício que se lhe faça em torno, de boa mente ela o tem por coisa alguma,porque está demasiado ocupada por dentro.No fundo dos corações feridos trocam-se diálogos apressados, agitam-se cenaspungentes, todo um sussurro de palavras entrecruzadas, variantes deste tema doloroso:Oh! como! Judas, tu... por um beijo... ou ainda: Eu nem sequer conheço esse homem de quem falais...Porque há a traição brutal dos Judas que beijam e que entregam.Há o medo covarde dos amigos que no momento do perigo nunca nos conheceram.A Igreja, que é a continuação de Jesus, terá de suportar essas duas traições; tem-notambém o cristão, e pelo mesmo título: ele continua Cristo.Desde aquelas duas feridas, Jesus, dolorosamente ocupado no interior, vai sobretudoguardar silêncio. Daqui em diante, é silenciosamente que Ele atravessará os pretórios e comparecerá perante os tribunais.A boca se fecha naturalmente diante da justiça que se torna injusta.Nós temos todos, gravados na melhor parte de nossa alma, um tal senso de justiça, uma tal confiança nela, uma crença tão viva de que ela paira, quando ela vem a faltar a este grande dever e se faz parcial evidentemente, achamo-nos sem palavras.Jesus autem tacebat.Já é doloroso ver um homem oprimido justamente pelos seus delitos ou pelos seuscrimes; é odioso senti-lo acabrunhado pelo ódio, pela opinião preconcebida e pelainjustiça, mormente quando vêm daqueles que são juízes.Jesus sentiu esta ferida interior.Sentiu-a viva e profunda quando Se viu no meio daquela malta de criados, naquela sala alumiada pelos clarões ainda agitados das tochas e principalmente quando se viu em face de Anás, o ex-sumo Pontífice.À primeira vista, a gente mal se explica que hajam conduzido o prisioneiro ao tribunal de Anás, visto não ser mais este sumo sacerdote: esta honra suprema coubera a José Caifás, seu genro. Mas, para os judeus, Anás permanecia sempre e apesar de tudo o sumo sacerdote tradicional.Eles se recordavam de que ele fora deposto arbitrariamente pelos Romanos, e não seesqueciam de que arbitrariamente Caifás fora imposto por aqueles mesmos Romanos.Os Judeus, como todos aqueles que perderam o seu antigo esplendor, aproveitavam amenor ocasião para lhe relembrarem o moribundo revérbero. Arrastaram Jesusprimeiramente até Anás como um protesto.Era pelo menos uma puerilidade, e era também uma bajulação para com o velho; eraprincipalmente uma satisfação dada à invejosa ambição deste. Anás bem que pretendia governar fizera escolher pelos Romanos... em qualquer caso, devia ver em Jesus um rival perigoso do velho sacerdócio que ruía.Sabia-se disso... e condescendia-se.E depois, aos olhos do vulgo, era começar acertadamente os debates o pô-los assim sob o alto patrocínio dele.Jesus, que compreendeu todos esses cálculos, sente-lhes vivamente o odioso, e quer,antes de entrar na via do silêncio, mostrar bem que não está sendo embaido em nada.Por isto, desde a primeira interrogação, responde com certa altivez, com certo desdém, que visa a provar que Ele não é nem conspirador vulgar nem obscuro agitador.Inquirem-no sobre a Sua doutrina e sobre os Seus discípulos, como se fosse só isto que estivesse em jogo.- Eu nada disse que seja secreto, responde Ele: a Minha doutrina todos a conhecem, eEu nada tenho a informar-vos sobre este ponto... todos os que aqui estão a ouviram;interrogai-os, eles poderão responder!...Isto Lhe valeu a bofetada de um bruto.- Por que Me baterdes? responde Jesus. Se falei mal, mostrai-o... porém se não faleimal, por que baterdes?...Essa bofetada provava a que grau de ódio mal contido e de violência disfarçada se havia chegado naquela assembléia convocada à pressa.Vai-se logo às vias de fato; já não é, pois, um acusado, é já um condenado.Jesus compreende-o tão bem, que muda então de atitude; a partir de agora calar-Se-á...Para que falar? os juízes são executores.Compreende-o igualmente Anás, e apressa-se a enviar Jesus, atado, ao genro. JoséCaífas morava em frente ao sogro.Era só atravessar o pátio largo e lajeado, aquele pátio onde se aquecia a tropa e onde Pedro já começara a sua lamentável negação.Jesus é arrastado, é uma passagem rápida, uma corrida de fachos; mal se pode distinguilO através dos soldados que O comprimem e O empurram.Ei-lo diante de Caifás, a sala está cheia. Devia haverem sentados a uma ponta, pelomenos vinte e três juízes, era o número estritamente necessário; sórdido, as testemunhas de acusação.A borra está sempre no fundo.Jesus está no meio. Entre aquelas duas massas sombrias, a Sua figura se destaca, nobre, alva, como que iluminada.Ele olha fixamente os juízes, e atrás ouve saírem murmúrios confusos daquela turbamalsã. O interrogatório que se queria legal começa. Tudo se faz segundo os ritos augustos da justiça, previu-se, aliás, até a mais pequena minúcia: os secretários lá estão; as testemunhas, subornadas e apanhadas não se sabe onde, lá estão também... há só uma coisa que se não previra... e que sucede... Jesus não responde.Nada Lhe pode abrir a boca altivamente fechada. O sangue lateja-Lhe ainda na facebatida pela bofetada: Ele sabe muito bem com quem está tratando.Jesus autem tacebat. Mas Jesus guardava silêncio.Nada era mais exasperador para os Seus juízes, o efeito falhava e o plano lhes abortava; como pegar aquele homem pelas Suas próprias confissões, se Ele nada diz e nada quer dizer obstinadamente?Aquele silêncio domina-os, vai esmagá-los.Então, para lhe atenuar o alcance, falam todos ao mesmo tempo, juízes, sacerdotes e testemunhas. Só Jesus, que devia falar, se cala.Que coisa mais augusta do que esse silêncio?Quando tudo se esboroa em torno de nós, conservemos ao menos essa dignidade dosilêncio. Deus o ouve, é o bastante.In silentio et in spe erit fortitudo vestra (Is. 30,15).
A Subida do Calvário
Pelo Padre Luís Perroy. S. J.
Editora Vozes
1957
IMPRIMATUR
Por comissão especial do Exmo. e Revmo. Sr. Dom Manuel Pedro da Cunha Cintra,
Bispo de Petrópolis, Frei Desidério Kalver-Kamp, O.F.M Petrópolis, 19-11-1957.