sábado, 27 de julho de 2013

Mãe, não permitais que o fogo se apague!

Por isso, Mãe, nós vos pedimos:
– Não permitais que esse fogo se apague.
Livrai-nos do desleixo espiritual,
da moleza consentida,
da displicência nas coisas de Deus,
da piedade formal e do dever rotineiro,
da indiferença para com o próximo,
da conivência disfarçada com as tentações,
do desejo mascarado de tirar uma lasquinha
de cada um dos sete pecados capitais.
Mãe da divina Graça,
curai as chagas abertas na alma
pelo nosso egoísmo – "vento gelado"
que apaga as chamas de Pentecostes –,
e pelo nosso amor-próprio mesquinho,
que se empenha em entronizar o "eu",
com seus "gostos", "vontades" e "vaidades",
no altar do coração onde só Deus deveria reinar.
Livrai-nos de querer justificar a nossa negligência
com mil desculpas tíbias e "razões sem razão".
Fazei-nos compreender com luzes claras
que a tibieza – para dizê-lo com palavras de São Paulo –
contrista o Espírito Santo de Deus.


Francisco Faus
A TIBIEZA
E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Oração a Nossa Senhora dos Flagelos

Ó Nossa Senhora libertadora dos flagelos, nós nos lançamos aos vossos pés com o coração cheio de amargura e de confiança no vosso auxílio. Somos pecadores sim, mas filhos vossos. Após termos deixado a casa do Pai, fomos conduzidos pela soberba ilusão de construir um mundo feliz sem Deus e contra Deus. O maligno inspirou ao homem este ímpio propósito e o homem o levou adiante com blasfêmias constante. Mas agora, este mundo, distante de Deus e cheio pecados cai sobre nós e nos esmaga. Não temos a coragem de nos apresentarmos diante de Deus, que com nossas ingratidões o abandonamos e o seu amor desprezamos, rejeitando assim a sua misericórdia. Por isso, recorremos a vós, nossa Mãe terníssima, Advogada nossa, com a consciência de termos pecado contra o céu e contra a terra, e com firme propósito de nos afastarmos do mal, para encontrarmos na oração e na penitência o caminho da conversão que conduz a Deus.
Liberta-nos, por isso, ó segura esperança dos Cristãos, liberta-nos de todo flagelo, afasta a cólera divina das nossas casas, da nossa Pátria, do mundo inteiro.Nós por todas as nossas necessidades nos entregamos ao vosso Coração Imaculado, no qual procuramos refúgio nas duras horas de expiação, força nas horas de tremenda purificação, certeza no triunfo do vosso Filho Divino, que na cruz temos a arma da nossa luta e da nossa vitória e a coroa da nossa felicidade. Amém!

Fonte: Livro "Orações de libertação do Maligno” - Don Pasqualino Fusco, sacerdote exorcista.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Fogo eu vim lançar sobre a terra...

No Antigo Testamento o fogo simboliza a palavra de Deus pronunciada pelo profeta. Mas simboliza também o juízo divino que purifica o seu povo, passando no meio dele.
Assim é a palavra de Jesus: Ele constrói, mas ao mesmo tempo destrói tudo aquilo que não tem consistência, aquilo que deve cair, aquilo que é vaidade; e deixa em pé somente a verdade.
João Batista tinha dito a respeito de Jesus: "Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo" (Lc 3,16),
prenunciando o batismo cristão, inaugurado no dia de Pentecostes com a efusão do Espírito Santo e a aparição de línguas de fogo (cf At 2,3).
Portanto, é esta a missão de Jesus: lançar o fogo sobre a terra, trazer o Espírito Santo com a sua força renovadora e purificadora.

"Fogo eu vim lançar sobra a terra, e como gostaria que já estivesse aceso"

Jesus nos doa o Espírito. Mas de que modo age o Espírito Santo?
Ele age derramando em nós o amor, aquele amor que, conforme seu desejo, devemos manter aceso em nossos corações.
E como é esse amor?
Não é um amor terreno, limitado; é um amor segundo o Evangelho. É universal como o amor do Pai Celeste, que manda a chuva e o sol para todos, para os bons e os maus, inclusive para os inimigos
 (cf Mateus 5,44-45).
É um amor que não espera nada dos outros, mas que toma sempre a iniciativa, que é o primeiro a amar.
É um amor que "se faz um" com toda e qualquer pessoa: partilha com ela seu sofrimento, sua alegria, suas preocupações, suas esperanças. E faz isso concretamente, com fatos, quando se apresenta a ocasião.
Portanto, não é um amor simplesmente sentimental, não é feito só de palavras.
É um amor que nos faz amar Cristo no irmão e na irmã, porque nos faz lembrar aquelas palavras Dele: "...a mim o fizestes" (Mt 25,40).
É ainda, um amor que tende à reciprocidade, que busca realizar com os outros o amor mútuo.
É este amor que, sendo expressão visível, concreta da nossa vida pautada pelo Evangelho, reforça e confirma nossa palavra que, depois, poderemos e deveremos oferecer para evangelizar.

"Fogo eu vim lançar sobra a terra, e como gostaria que já estivesse aceso"

O amor é como fogo: o importante é que permaneça aceso. E, para que isso aconteça, é preciso sempre queimar alguma coisa. A começar pelo nosso "eu" egoísta. E nós o conseguimos porque, quando amamos, estamos completamente projetados no outro; ou em Deus, cumprindo a sua vontade, ou no próximo, ajudando-o.
Um fogo aceso, ainda pequeno, se for alimentado, pode tornar-se um grnde incêndio. Aquele incêndio de amor, de paz, de fraternidade universal que Jesus trouxe a terra.

CHIARA LUBICH 




quarta-feira, 24 de julho de 2013

Somente ele sabe o que é melhor!

Nossa vida muitas vezes se encontra em rota de colisão com surpresas nem sempre agradáveis. Estamos em queda livre rumo ao inesperado ou ainda ao esperado. Muitas vezes sabemos onde precisamos melhorar, onde precisamos investir mais tempo, mais atenção, mais carinho ou amor.
Somos omissos ao sermos questionados o porque dos conflitos familiares, do insucesso profissional, do fracasso particular e da coleção de derrotas. Não temos vigiado da maneira como convém vigiar para que quando procelas aparecerem estejamos pelo menos estruturados e alicerçados em Jesus Cristo para suportar a batalha. O tempo de quaresma nos traz uma maneira dinâmica de viver a vida que deveria ser vivido sempre, durante todo o ano. Esse tempo nos convida a refletir como anda nossos pecados, se realmente nos arrependemos deles e aí sim fazer uma excelente confissão. Ao fazer uma análise detalhada da nossa conduta de vida nos damos a chance de identificar possíveis erros que nos afastam de viver em plenitude com a graça de Deus. Sabemos que precisamos perdoar, aceitar o que não conseguimos mudar e principalmente aceitar o não de Deus, pois muitas vezes queremos o sim de Deus, e não enxergamos que do não pode também acontecer algo maravilhoso de Deus para nós, pois somente Ele sabe o que é melhor.
Precisamos fazer sacrifícios e oferecer por amor a Deus. Todos nós temos algo de que não gostamos de fazer como, falar com alguma pessoa que não nos agrada, um vizinho que as vezes parece mais um inimigo que vizinho; aquelas pessoas que nos decepcionaram no momento em que não esperávamos.
Enfim, estamos em um tempo onde fé e oração vão determinar os nossos sucessos. A igreja católica é sábia quando nos relembra e nos incentiva a viver voltado para o Cristo. Muitos pensam que viver a quaresma é um tempo de angustia, mas na verdade é um tempo de reconciliação com Deus. São Paulo apóstolo dizia: em nome de Cristo reconciliai-vos com Deus" 2Cor 5. Em Isaías o Senhor diz: “No tempo da graça eu te escutei no dia da salvação eu te ajudei. Em 2Cor 6,1-2 diz: “No momento favorável, eu te ouvi, no dia da salvação, eu te socorri”. Que possamos ter em mente o propósito da quaresma que é uma oportunidade excelente de nos renovarmos espiritualmente. 

"Mortifiquemos um pouco o homem exterior para que o interior seja restaurado, perdendo um pouco do excesso corpóreo, o espirito robustece-se pelas delícias espirituais."                           SÃO LEÃO MAGNO

Deus conhecido, porém mal vivido!

 Atualmente existe diversos meios pelo qual a palavra de Deus é anunciada, o poder da mídia e os veículos de comunicação tem uma habilidade "digital" incrível de em pouquíssimo tempo levar a notícia de qualquer lugar para qualquer lugar. Acontece diariamente vários fatos em que basta apenas acessar a internet para ficar informado.
            Ainda assim, em meio a toda essa parafernalha será que o Evangelho está sendo bem divulgado, está chegando onde precisa chegar? Acredito que sim em ambas situações, porém existe também muita coisa podre e contaminada sendo divulgada, existe um Deus de várias facetas sendo levado a todos os lugares também. Precisamos agir com a sabedoria do alto para melhor utilizar o que temos em mãos a favor do bem comum a todos. É importante também não deixarmos nos envolver por essas parafernalhas a ponto de esquecer de viver o que Ele nos pede. Precisamos ter posturas diferentes dos que estão no mundo sem rumo certo, precisamos ter mais desprendimento, fé e ser leigos mais engajados, mas também com meta estabelecida que é viver segundo o Evangelho. Pois a vontade do Pai que está nos céus, é que sseu Filho cresça e nós diminuimos; Ele pede que sejamos humildes e não orgulhosos, e que nossos trabalhos sejam silenciosos a fim de testemunhar o centro de tudo que é Jesus.
            Quantos homens e mulheres que se dizem ser de Deus, mas são especialistas em atacar a vida alheia e defender seus próprios interesses. Quantas igrejas se levantam hoje apenas espalhando divisão, confusão e sendo instrumento nas mãos do inimigo. Ouvimos todo os dias coisas sobre Deus, mas será Ele apenas um conhecido, não Ele é um Deus por nós, mal vivido!

Por: Filhos Espirituais de Pe. Pio

QUEM PROCURA A VERDADE PROCURA DEUS, AINDA QUE NÃO O SAIBA! 


Edith Stein

Oração das Mães

Senhor, fazei que eu me lembre mais das minhas responsabilidades do que dos meus privilégios.
Que eu saiba amar meus filhos sem intenção alguma de possuí-los.
Que eu conquiste o respeito dos meus filhos em lugar de exigi-lo.
Que eu seja compassiva e compreensiva ante os defeitos deles, sendo forte também para corrigi-los,
não tendo nunca amor de "vista grossa", ou triste falso amor que sabe apenas fazer todas as vontades das crianças.
Que eu tende projetar no coração de meus filhos a vossa imagem de Pai e que a minha imagem de mãe seja um reflexo de vossa imagem de Pai.
Que eu os faça crescer, estes meus filhos, bem mais por dentro do que por fora.
Que eu saiba dialogar bem mais do que ensinar.
Que a fertilidade do meu ventre não seja maior do que a sublime fecundidade da minha alma de mãe.
 E que esta alma de mãe seja uma cópia do vosso grande coração de Pai.

Texto: Héber Salvador de Lima

terça-feira, 23 de julho de 2013

A espiritualidade de Santa Catarina de Siena


Introdução
Falar acerca da espiritualidade de Santa Catarina de Siena é, em meu entender, procurar de algum modo uma aproximação à sua mundividência, marcada inelutavelmente por alguns referenciais que estruturam a sua obra, porque estruturaram a sua existência, onde o amor ao próximo marcado pela mendicância e o amor a Deus se afirmam como traves mestras do seu modo de pensar.
Espiritualidade porque se trata de pôr em evidência os traços do seu pensamento que possibilitam a elevação da alma, a sua espiritualização, com vista a uma progressiva perfeição. Tal itinerário, concretizado mediante o caminhar de virtude em virtude, abrindo-se ao desejo infinito de Deus, em que Cristo emerge como Modelo histórico e transhistórico, porque é sinal do cruzar do humano e do divino. Com efeito, como nos diz Santa Catarina de Siena, o homem foi criado como imago Dei e recriado como imago Christi.
Ora, para dar o assentimento a esta realidade, as virtudes, enquanto padrões de excelência espiritual, permitem que o homem na sua itinerância se desvincule do apegamento a tudo o que é da ordem do terreno, material e transitório, que as noções de corpo, amor sensitivo e amor próprio de si propiciam, para mediante a virtude se elevar num itinerário de aperfeiçoamento espiritual, que implica etapas, até à experiência inefável e indizível de união com Deus.
Se o amor tão só terrestre é fatal para o homem, concebido essencialmente como alma, o pico do aperfeiçoamento espiritual corresponde à experiência unitiva da alma com Deus, a qual é inefável, indizível, mas plena de sentido e que confere espessura e plenitude à existência humana. Com efeito, para a Santa, a mística assinala a experiência fulcral do homem.
Assim, e sabendo que esta nossa reflexão é imperfeita e não esgota a riqueza da sua espiritualidade, farei referência a cinco aspectos que permitem, num diálogo com o seu pensamento, apresentar o meu testemunho, que se constitui como aproximação ao seu itinerário tão próprio e sugestivo que, no entanto, não está isento de perplexidades.
Há que dizê-lo, o seu modo de pensar é complexo, com alguns aspectos paradoxais, rico de pistas de reflexão, mas em que tudo converge para um único objectivo: o afirmar, mediante actos que comprometem a sua existência, o amor a Deus, mediante o amor ao próximo.1
1 Quando nos referimos a perplexidades ou mesmo a paradoxos, temos em mente, por exemplo, a sua concepção negativa de corpo como lugar de mal, mas o próximo, o meu semelhante é deveras amado, mesmo na sua realidade corporal. Como se poderia compreender e considerar o seu trabalho de cuidar de doentes repugnantes? Um outro paradoxo é o facto da sua valorização da incarnação de Cristo não trazer em si mesma uma valorização de uma fenomenologia do corpo. Santo António de Lisboa, por exemplo, um século antes, devido ao cristocentrismo franciscano, faz precisamente essa valorização e esboça uma fenomenologia do corpo, que corresponde já às novas coordenadas da sua época as quais se preocupam nesta altura com as problemáticas de cariz naturalístico.
No primeiro momento, centrar-nos-emos na perspectiva do desapego relativamente ao corpo e ao apego no que diz respeito aos valores que informam a alma. A máxima é: foge do pecado carnal e espiritual e adere às virtudes, por amor ao próximo e a Deus.
No segundo momento, tematizaremos a sua concepção antropológico-teológica, centrando-nos na sua concepção de homem como imago Dei e imago Christi, pondo em evidência a alegoria da ponte aplicada a Jesus Cristo.
No terceiro momento, porque o itinerário de elevação espiritual implica uma compreensão do que é a alma, faremos menção às suas três faculdades: memória, intelecto e vontade, mostrando que todas elas convergem para a dialéctica do amor.
No quarto momento, mencionaremos a primazia ontológica e metafísica do amor: ao próximo, relativo mas essencial, a Deus absoluto e fundacional.
No quinto momento trataremos da mística de Santa Catarina, tomando-a como experiência limite, experiência de beatitude e inebriamento, antevisão da vida celeste.
Do Corpo para a Alma
Muitas são as menções que Santa Catarina faz acerca do corpo, sendo este concebido, relativamente à alma, como “vasello”, portanto recipiente e também como “veste fétida”, ou seja, como invólucro 2, dando origem ao pecado.
O corpo é, sem dúvida, fonte do temível amor-próprio e do amor sensitivo, de tal modo que abandonado a si mesmo é lugar de mal 3. E porque não se basta a si mesmo, o corpo necessita da fortaleza da alma 4.
No Diálogo diz-nos: o amor sensitivo, que corrompe, tal como a árvore inquinada, é lugar de mal e afasta o homem de Deus 5. Além disso, na sua classificação das lágrimas, que também elas dizem da perfeição e imperfeição da criatura humana, refere que a raiz das lágrimas sensuais é o amor-próprio6.
Ora, este amor-próprio ou amor de si, que é “nuvilla” (núvem), corresponde a uma desordem do coração e é inequívoco sinal de morte 7 e por isso é treva 8. Aliás, todo o amor sem Deus é escuro e tenebroso 9.
Daqui resulta que o amor-próprio é concebido como vil, pois é sempre da ordem do pecado 10. E os pecados, como ramos de árvore inquinada curvados para terra, curvam
2 Oração XXII. Para as orações usámos a seguinte edição: Orazioni, Roma, Ed. Cateriniane, 1978, 2ªed. a cura di G. Cavallini.
3 Diálogo da Divina Providência (sigla D). Neste caso: D, c. LXXVI. Para esta obra usámos a seguinte edição: Dialogo della divina Provvidenza, ou Libro della divina Dottrina, Roma, Ed. Cateriniane, 1969, Siena, Cantagalli, 1995, 2ªed. (ed. critica curata da G. Cavallini)
4 Cf. D, c. LXXIX
5 Cf. D, c. XCIII
6 Cf. D, c. LXXXIX
7 Cf. D, c. XCIII
8 Cf. Carta 77. Para as cartas que têm numeração árabe usámos a seguinte edição: Lettere, Bemporad, 1859-60.
9 Cf. Carta 113.
10 Cf. Carta 29 ou XVIII. Para as cartas com numeração romana usámos a seguinte edição: Lettere, Roma, Istituto Storico Italiano dal Medioevo, 1940 (ed. critica curata da Dupré-Theseider).
também o homem, fecham-no no círculo dos seus interesses materiais e transitórios e deste modo afastam-no do que é essencial.
A criatura humana, ser superior da criação, mediante a falta, pelo pecado, está privada de Deus 11. São Bernardo de Claraval diria: relegou-se para a reggio dissimilitudinis. Encontramo-nos perante a imperfeição humana, pois no itinerário de aperfeiçoamento, a alma, ainda que ligada ao corpo, quer separar-se dele, pois é ele que impede o homem de ver Deus cara a cara 12.
É esta a miséria do homem, mas estamos perante a condição humana, a qual só pode ser superada pelo esforço, pela iniciativa quanto à prática da virtude, contando com o concurso da Graça. Só assim esta situação pode ser minorada, mas nunca anulada.
Em nosso entender, e como conclusão relativamente a este ponto, o que Santa Catarina pretende, sabendo que a condição humana exige a ligação da alma e do corpo, é fazer ressaltar a excelência da primeira, a sua primazia relativamente ao segundo. Enquanto o corpo assinala aquilo que no homem é transitório, a alma pelo contrário traz consigo a marca daquilo que no ser humano constitui a sua dignidade, ou seja, ser imago Dei.
O Homem: imago Dei e imago Christi
Santa Catarina, no seu esforço de clarificação do que é o homem como ser espiritual, considera que na medida em que foi criado à imagem e semelhança de Deus, portanto como imago Dei, pelo pecado afastou-se de Deus, não correspondendo aos desígnios para o qual foi criado.
Ora, este afastamento, a fim de ser remediado, implica a adesão ao dom que Deus fez ao homem, ou seja, significa que há que dar o assentimento a Cristo que veio ao mundo “no estábulo da nossa humanidade” 13, a fim de remediar os males causados pelo pecado.
Nesse sentido e para sua salvação, a alma deve recriar-se como imago Christi. Por isso nos diz: “a criatura racional criada à imagem e semelhança de Deus e recriada no sangue do seu Filho unigénito” 14.
Vejamos, então, como concebe a Santa a alma, enquanto imago Dei. Fundamentalmente, como alma virtuosa, emergindo a caridade como matriz de todas as outras virtudes, as quais, por isso mesmo, a secundam. Daí a seguinte menção: “E de entre a beleza que Eu dei à alma criada à minha imagem e semelhança, olha para aquelas que estão vestidas com a veste nupcial da caridade, adornadas de muitas virtudes verdadeiras” 15.
Que virtudes, porém, são essas? Em primeiro lugar, a caridade é secundada pela humildade, a qual é “balia” e “nutrice” da primeira, ou seja, ama da própria caridade 16;
11 Cf. D, c. XCIV
12 Cf. D, c .LXXIX
13 Oração XXII
14 Carta 113
15 D, c. III
16 Cf. D, c. III e c. LXXVIII
em segundo lugar, e fazendo referência à própria caridade como árvore, recorda que esta funda as virtudes da paciência, fortaleza e perseverança, sendo coroada pela luz da fé 17. Neste contexto, a paciência é “mirollo”, ou seja, medula da caridade, sendo por isso mesmo aquela que promove o acordo entre as virtudes 18.
Ora, o conferir assentimento às virtudes, em que todas elas adquirem vida mediante a caridade é promover o movimento de elevação da própria alma, de tal modo que ela “engorda” 19, cresce 20.
Mas o homem, pelo livre arbítrio, pode permanecer preso do pecado, que é exemplificado pelo apegamento às delícias, à desonestidade, soberba, avareza, amor próprio de si, ódio e desprazer relativamente ao próximo 21. O pecado, como já vimos, afasta da imago Dei, de tal modo que a alma como que se afoga no “mar tempestuoso desta vida tenebrosa”22. Pelo pecado a alma como que morre.
Porque o homem pelo pecado se afastou de Deus, não correspondendo ao dom que lhe foi outorgado, Cristo incarnou, a fim de remediar os males do mundo e retirar a criatura racional da morte, restituindo-a à verdadeira vida 23.
E, por isso, Cristo ao incarnar fez-se ponte, que liga o céu e a terra 24, ponte entre a suprema altura de Deus e a baixeza do homem. Esta ponte está levantada para o alto, tem “scaloni” etapas, que permitem reconduzir o homem da imperfeição à perfeição 25. Esta é uma possibilidade que se oferece à conquista do ser humano que se quer realizar planamente.
Jesus Cristo, com efeito, é ponte que está colocada sobre o rio do pecado, possibilitando ao homem que pelo livre arbítrio, ou seja, mediante a sua própria colaboração, em que a noção de esforço é central, através de uma vontade guiada pela razão, passe a ponte que está construída com as pedras da virtude.
A possibilidade de salvação da criatura racional está nesta ponte, onde se dá a união da natureza divina com a natureza humana. Nesta ponte há três etapas que são figuradas pelo corpo de Cristo. À primeira corresponde os pés, à segunda as costas, à terceira a boca, mas a passagem de uma etapa a outra, ou a não passagem, significa a elevação espiritual ou a não elevação. Por isso nos diz: “na primeira despiram os pés do afecto do amor ao vício; na segunda saborearam o secreto e o afecto do coração onde conceberam o amor pela virtude; na terceira, na paz e quietude da mente, experimentaram em si a virtude e elevando-se do amor imperfeito atingiram a grande perfeição. Aqui encontram o repouso na doutrina da minha Verdade” 26.
A fim de se fazer este percurso há que dar o seu assentimento às virtudes: paciência, obediência, pobreza, castidade, humildade e amor. A virtude da paciência conduz da
17 Cf. D, c. LXXVII
18 Cf. D, c. XCV
19 D, c. LXXVI
20 D, c. CX
21 Cf. D, c. IV
22 D, c. XXII
23 Cf. D, c. XXII
24 Cf. D, c. XXI
25 Cf. c. LX
26 D, c. LXXVIII
imperfeição à perfeição, seguindo Cristo “il dolce agnello” 27. Ora, por tudo quanto foi mencionado, infere-se que o homem, mediante as virtudes que informam a alma, é perfeição sempre a fazer-se, enquanto Cristo é Aquele cuja perfeição não necessita de crescer 28. Assim sendo, a perfeição humana é a possível, relativa à nossa condição de peregrinos, daí a angústia de poder falhar o caminho.
Com efeito, pelo livre arbítrio, o homem tem a possibilidade de passar a ponte ou de o não fazer. Os que a passam são “árvores de amor”, os que a não passam são “árvores de morte”.
Passar a ponte significa seguir Cristo, espiritualizar-se e corresponder aos desígnios de Deus, porque a incarnação de Cristo chama a atenção para a dignidade humana, para a sua supremacia como ser da criação, superior à dignidade do anjo. E por isso menciona: “pela união que eu fiz da minha divindade com a natureza humana, de tal modo que nisto vós possuís maior excelência e dignidade que o anjo, porque Eu tomei a vossa natureza e não a do anjo” 29.
Jesus Cristo emerge, assim, como um modelo fundamental para o homem seguir e por isso foi recriado no seu sangue – de notar que para Santa Catarina o sangue de Cristo é um motivo sempre recorrente, é o símbolo da salvação humana, o sangue de Cristo derramado por amor aos homens. Por isso a Santa refere: “Io voglio sangue” 30. Cristo, que é médico doce e amoroso 31, doce e bom 32, flor odorífera 33, deve ser amado pelo homem, a fim deste último corresponder ao seu grande amor.
Em forma de conclusão, relativamente a este ponto, podemos afirmar que o homem criado como imago Dei e recriado como imago Christi, vem salientar a dialéctica da imperfeição e da perfeição, em que mediante a virtude a alma tem a possibilidade de realizar este último desígnio, ainda que muitos sejam os obstáculos que na existência se lhe oferecem.
Contudo, uma questão emerge: como se processa esta aquisição da virtude com vista ao conhecimento de Deus? E a Santa responde, interrogando: “onde O conhecemos e a nós mesmos? Dentro da nossa alma” 34.
Então, há que perguntar como concebe Santa Catarina o conhecimento que a alma tem de Deus?
27 D, c. LXXVII
28 Cf. D. c. LXXXIX
29 D, c. CX
30 Carta CII.
31 D, c. CXXXIV
32 Carta 29 ou XVIII.
33 Oração XI
34 Carta 78
Como se compreende a Alma?
As coordenadas da espiritualidade de Catarina de Siena implicam o reconhecimento do itinerário de descentramento de si para o próximo e para Deus, num movimento que ascende da imanência recusada à transcendência afirmada absolutamente.
É na casa do conhecimento de si mesmo, ou seja, é na intimidade da consciência que a alma conhece a Verdade 35 e isto mediante “la dota che io vi diei” 36. Este dote ou dom, outorgado por Deus ao homem desdobra-se em: memória com a sua capacidade de reter os benefícios; intelecto que vê e conhece a Verdade; afecto com que a alma ama Deus.
Encontramo-nos, com efeito, perante as três faculdades ou potências da alma, tradicionais na Idade Média, memória, intelecto e vontade, responsáveis por todas as operações da alma. A este propósito vale a pena escutar a Santa: “a memória encheu-se da recordação dos benefícios e da sua grande bondade; o intelecto pôs na sua frente a doutrina de Cristo crucificado, dada a nós por amor; e a vontade corre com grande afecto para o amar. Então, todas as operações estão ordenadas e coordenadas no seu nome” 37.
Podemos dizer, numa linguagem pascaliana, que o conhecimento que o homem possui relativamente à verdade, apoia-se quer nas razões da razão quer nas do coração. Pelo intelecto a alma possui a visão intelectual e por isso nos diz: “abre o olho do intelecto e verás os imperfeitos e os perfeitos” 38. Está aqui acentuado o valor da razão como visão, como capacidade de perscrutar. Através da disposição do coração o amor age, mas com livre arbítrio e razão 39 e deste modo “ingrassa”, ou seja, frutifica de um modo exuberante o jardim do conhecimento de si, o qual é abertura ao conhecimento do outro e de Deus.
Mas, intelecto e coração implicam a fé e, nesse sentido, o conhecimento da verdade é conhecimento de Deus o qual, como refere, “gera ódio e desprazer relativamente ao pecado e à sensualidade” 40, e o sangue de Cristo “faz conhecer a verdade àquele que removeu a ‘nuvilla’ do amor próprio, mediante o conhecimento de si” 41.
Ora, quem assim conhece e ama “acende” a sua alma e faz a experiência do inefável. O olho do intelecto e a luz da fé dão-se numa reciprocidade42. O conhecimento é, simultaneamente, racional e afectivo e a atmosfera de ambos é a fé.
Mas e para concluir acerca deste ponto, uma pergunta emerge: o que conhece a alma? O que ama a alma? A resposta é inequívoca, o próximo e Deus.
35 Carta CII
36 D, c. IV
37 Carta 263
38 D, c. XXII
39 Carta 113
40 D, c. III
41 D, c. III
42 D, c. CXXXIV
O Amor ao Próximo e a Deus
Uma das preocupações maiores da espiritualidade mendicante é o próximo , concebido como imago Dei e mediação necessária para Deus. De nada vale amar a Deus se esse amor não for provado no amor ao próximo. Para Santa Catarina de Siena, a alma não pode viver sem amor e este desdobra-se: a caridade para com Deus e para com o próximo, embora unidas são como as duas faces de uma moeda.
Com efeito, a Santa viveu intensamente, na sua vida, o amor ao próximo, sobretudo aquele que estava no desalento, afirmando esse amor mediante actos que, ao mesmo tempo que eram de altruísmo e portanto sacrificavam o egoísmo e todos os seus interesses conexos, a elevavam espiritualmente. Como exemplo, temos a sua dedicação aos doentes afectados pela peste, que a fez correr o risco de contrair esta temível doença. Mas o que estes actos salientam, de um modo inequívoco, é o seu desmedido preocupar-se com o outro, sublime pelo sacrifício de si, com vista ao cuidar, proteger e “spendere fatiche per il prossimo” 43.
Embora não possamos desligar o amor ao próximo do amor a Deus, há que compreender como é que estes se especificam, de que modo são perspectivados.
O amor ao próximo, em primeiro lugar, é concebido como recusa do egoísmo, do fechar-se em si mesmo, ou seja, esta caridade afirma a estrutura relacional, dialógica, como fundamental para a alma. E é por isso que esta, na medida em que está atenta ao outro, se dói com a ofensa que lhe é feita 44 e ajuda às suas necessidades 45, procura a sua saúde tanto física como espiritual 46, de tal modo que há lágrimas de choro pelo próximo 47, bem como de compaixão 48.
Ora, este cuidar e preocupar-se com o outro corresponde a uma vertente da vida de Santa Catarina e a sua obra reflecte, precisamente, esta sua atenção da alma, em que o amor pelo próximo atrai o amor a Cristo e a Deus. Mas como qualificar este amor? Na sua essência como amor puro, desinteressado, marcado pelo dar-se, generosidade para com o alter ego, resposta ao amor gratuito de Cristo e de Deus.
Neste momento uma outra interrogação emerge: como concebe Santa Catarina a caridade, na sua perfeição e verdade? Caridade perfeita e verdadeira é aquela que é gratuita, pois não é instrumental, nem servil, nem mercenária, nem utilitária 49. Estamos perante o amor de amigo. Como nos diz: “esta é a condição do caríssimo amigo: que são dois corpos numa alma por efeito de amor, porque o amor se transforma na coisa amada” 50.
Então, o amor ao próximo e a Deus é um amor desinteressado e gratuito, em que o primeiro é relativo e o segundo absoluto. Deus que é “libro di vita” 51 deve ser honrado e servido não por temor, mas por amor, esta a maior perfeição 52.
43 Preguiera alla SS. Trinità per chiedere perdono dei propri peccati
44 D, c. LXXVIII
45 Carta 78
46 Carta 208
47 D, c. LXXXVIII
48 D, c. LXXXIX
49 D, c. LX
50 D, c. LX
51 D, c. LXXVII
O amor emerge, assim, como a matriz dialógica do homem, aquela que liga o eu aos outros eus e a Deus, mas com a consciência plena de que este amor está centrado no amor a Deus: “não o próximo por si mas por Ti”, de forma a que o homem arda “nella fornace della sua carità” 53.
Para concluir acerca deste ponto, podemos afirmar que amar o alter ego e Deus são desígnios superiores da alma, que quer atingir a perfeição, mas na condição de amar desinteressadamente, sem nada esperar receber.
A Experiência Mística
Todos nós conhecemos bem o pendor místico de Santa Catarina de Siena, o seu ditar do Diálogo em êxtase, os seus momentos de união com Deus, mediante o vínculo do amor. A sua obra dá conta, precisamente, desta faceta. Contudo, como nos descreve a Santa esta experiência fulcral da sua vida?
Na dialéctica da imperfeição e perfeição humanas, de algum modo há que distinguir, no cume desta, os perfeitos, que atingem este estádio mediante a virtude, e os perfeitíssimos, que fazendo o percurso anterior lhe acrescentam a experiência do estado unitivo, estando fechados a tudo o que é terreno. Como nos diz: nos "perfetissimi servi miei /.../ l’orto dell’anima loro è chiuso” 54.
Ora, isto significa que mediante a mística, a qual assinala o grau mais elevado da experiência humana, segundo a Santa, se dá o anular dos sentidos corporais, bem como o superar da razão, mediante o sentimento de matriz espiritual que se traduz em amor como afecto da alma. Daí a seguinte menção” congregada e unidas estas potências e imersas e ‘affocate’ (inflamadas) em mim, o corpo perde o sentimento: porque o olho vendo não vê, o ouvido ouvindo não ouve, a língua falando não fala – apenas uma ou outra vez, devido a uma abundância do coração, permitirei que a língua fale para desabafo do coração e para glória e louvor do meu nome, de tal modo que falando não fala – a mão tocando não toca, os pés andando não andam: todos os membros estão ligados e ocupados pelo sentimento do amor” 55.
De facto, a mística assinala um momento único na experiência humana, inefável e indizível, em que a alma se “afoga” e perde na “fornalha” da caridade divina56. Experiência marcada pela evanescência, pois mal se atinge logo escapa.
Mas, porque o homem é corpo e alma, este tipo de união com Deus nunca pode ser permanente. Como nos diz: “ a alma que está ligada ao corpo não é capaz de receber continuamente a união que Eu faço na alma”. Como refere mais adiante, o corpo é impeditivo de ver Deus cara a cara 57. Contudo, este obstáculo não demove a alma de, mediante o esforço e o concurso da Graça, desejar ver Deus cara a cara, até porque, conforme menciona, a união da alma com Deus é mais perfeita do que da alma com o
52 D, c. LX
53 Oração XX
54 D, c. LXXVIII
55 D, c. LXXIX
56 D, c. LXXVIII
57 D, c. LXXIX
corpo: “a união que a alma faz em mim é mais perfeita que a união entre a alma e o corpo” 58. Encontramo-nos perante o supremo desejo do homem, bem como frente à sua mais sublime experiência de descentramento de si para Deus.
Experiência, sem dúvida, fugaz e evanescente, que mostra bem o alternar da vida activa e da vida contemplativa, dando-se a primeira em distensão temporal e a segunda em concentração. Alternância inevitável, pois o homem não pode permanecer na contemplação, no êxtase, na embriaguez espiritual. A experiência mística, mal se toca logo escapa.
Esta é, porém, uma experiência fundamental em que o homem e Deus se unem como o peixe e o mar 59. Este movimento, de suprema elevação espiritual, contudo, não está ao alcance de todos, pois implica um dom, bem como uma iniciação e o esforço de perseverar nesse caminho. Ele é descrito por Catarina de Siena como antevisão do gozo celeste 60, em que a alma faz a experiência do deleite e da tranquilidade pois abandona-se em Deus como “mare pacifico” 61.
De que modo expressa a Santa esta experiência limite do homem? Catarina não se cansa de repetir que estamos perante o indizível, daí a seguinte referência: a minha alma não parecia estar no corpo e recebia tanto deleite e plenitude que a língua não é suficiente para o dizer” 62.
Então, como expressar esta experiência? Indirectamente, mediante o recurso a metáforas, a comparações. O repouso da alma em Deus é simbolizado, por exemplo, pela “criança amamentada pela mãe” 63, por Deus como “mar pacífico” onde a alma feliz “saboreia” o amor divino 64. Com efeito, a alma alcança a felicidade ao saborear o amor divino que é doce, suave e odorífero. Este é o ápice da experiência humana, plena de significação e sentido, horizonte sempre intencionado pela Santa.
Para concluir acerca deste ponto, parece-nos importante referir que no itinerário de perfeição interior, Santa Catarina de Siena considera o momento da união da alma com Deus o mais sublime e conferidor de sentido à existência humana. A mística é para a Santa uma dimensão essencial do humana. Mística do coração, em que toda a linguagem que a descreve é marcada pelo sentimento espiritual do amor, que encontra no afeto da alma a sua expressão mais significativa.

MARIA DE LOURDES SIRGADO GANHO
58 D, c. LXXIX
59 D, c. II
60 D, c. LXXVIII
61 D, c. LXXXIX
62 Carta 219 ou LXV
63 D, c. XCVI
64 Cf. D, c. LXXXIX

domingo, 21 de julho de 2013

Consagração ao Anjo da Guarda

Santo Anjo da Guarda, que me foi concedido, desde o início de minha vida, como meu protetor e companheiro, quero e (nome), pobre pecador, consagrar-me hoje a vós, na presença do meu Senhor e Deus, de Maria, minha Mãe Celestial, e de todos os anjos e santos.
Quero hoje vincular-me a vós para de vós nunca mais me separar.
Nesta minha íntima união convosco, prometo ser sempre fiel e obediente ao meu Senhor e Deus e á Santa Igreja.
Prometo confessar sempre Maria como minha Rainha e Mãe e fazer da sua vida o modelo da minha.
Prometo confessar a minha fé em vós, meu santo protetor, e promover zelosamente a devoção aos santos como sendo, de maneira especial, a proteção e o auxílio para estes dias de luta espiritual pelo Reino de Deus.
Peço-vos, Santo Anjo do Senhor, toda a força do amor divino, para que eu seja por ele inflamado; peço-vos que esta minha união convosco seja para mim escudo protetor contra todos os ataques do inimigo.
Peço-vos, enfim, Santo Anjo da Guarda, a graça da humildade da Santíssima Virgem, para que eu seja preservado de todos os perigos e, por vós guiado, alcance a Pátria Celestial. Amém.

FONTE: Oração da Fé - Pe. Marcelo Rossi - páginas 41 e 42  

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Que significa ter compaixão?

No seu sentido primigênio e exato, com-padecer (de onde vem compaixão) significa
condoer-se, padecer pela dor de outro, sentir como coisa própria a pena e o sofrimento alheios, e assumi-los como se fossem nossos. Talvez esteja aí o cerne da compaixão: nesse assumir como próprio o que é de outro, quer seja uma limitação, quer uma necessidade, uma carência, um extravio ou uma miséria física, moral ou espiritual. “Dói-me o teu peito”, escrevia – com esse espírito – Mme. de Sevigné à sua filha.
Poderíamos definir melhor essa compaixão que vemos luzir nos olhos de Cristo em Betânia, traduzida em lágrimas, como um amor sentido e vivido, que faz colocar o “outro” no mesmo lugar que o “eu”, isto é, que põe sinceramente o coração do outro no lugar do nosso próprio coração, e faz com que o nosso bata, se alegre, chore – chorai com os que choram, dizia São Paulo (Rom 12, 15) –, lute, se empenhe e se entregue ao ritmo do coração amado, de modo que a vida do outro seja também “vivida” por nós.
É extremamente significativo que – numa das suas mais belas parábolas – Cristo tenha
usado o sentimento e o ato de compaixão para ilustrar o mandamento divino que tantas vezes recordou aos homens: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lev 19, 18; Mt 19, 19 e 22, 39; Mc 12, 31, etc.). Referimo-nos à parábola do bom samaritano, que é exatamente a resposta a um doutor da Lei que, depois de ter citado esse mandamento divino, pergunta: E quem é o meu próximo? (Lc 10, 29).
A parábola focaliza, como expoente do amor ao próximo, o viajante samaritano que, ao encontrar um judeu ferido e meio morto na estrada que descia de Jerusalém a Jericó, moveu-se de compaixão. Sentiu compaixão, mas não ficou nisso: caso tivesse passado adiante, com lágrimas nos olhos mas sem mexer um dedo, como antes dele tinham feito um sacerdote e um levita, não seria senão um sentimental egoísta, como existem tantos. Este homem, porém, partiu para o ato da compaixão. Sem atentar para o fato de que o ferido pertencia a um povo inimigo, sem ficar ponderando que estava de passagem, com pressa, e com muitas coisas por fazer – caso contrário,
nunca teria ido a Jerusalém –, o bom samaritano aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele em tudo (cfr. Lc 10, 30-37). Será possível uma imagem mais clara do que seja a autêntica compaixão? Não é a compaixão dos tremeliques sentimentais sem conseqüências, mas a de quem coloca o outro no lugar do eu – como víamos –, e por isso faz pelo outro o que faria por si mesmo, ou – caso não possa – deseja que outros o façam.
As lágrimas de Jesus em Betânia são, pois, a manifestação deste amor. Já desde os começos do cristianismo, os mais antigos comentaristas viram na figura do bom samaritano uma imagem do próprio Cristo: “Este samaritano – Jesus – lavou os nossos pecados, sofreu por nós, carregou o homem que estava meio morto, levando-o à estalagem, isto é, à Igreja, que recebe a todos e que não nega o seu auxílio a ninguém, e à qual Jesus nos convoca dizendo: «Vinde a mim»“...10 É bem
verdade que Jesus ultrapassou de longe o preceito de amar o próximo “como a si mesmo”, uma vez que nos amou mais do que a si mesmo, chegando a aniquilar-se na cruz e a dar a vida para que nós tivéssemos vida (cfr. Jo 10, 10). Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos; vós sois meus amigos... (Jo 15, 13-14). Sim, Cristo amou-nos mais do que a si mesmo, e justamente por isso as suas palavras estão carregadas de uma autoridade impressionante quando nos
repete, a cada um de nós, ao ouvido: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”.

Pe. Francisco Faus - Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Alimente-se!

"Ser grato é reconhecer o amor de Deus em tudo o que Ele nos deu, e deu-nos tudo. Cada respiração é um dom do seu amor, cada momento de existência é uma graça, pois traz consigo graças imensas de Deus. A gratidão, portanto, nada considera como devido, nunca deixa de corresponder, a cada instante desperta para novas maravilhas e para o louvor da bondade de Deus." (Thomas Merton)
Uma semana feliz e abençoada!
Que a felicidade seja cumplice dos seus dias...
Que a sua alegria seja a chave para abrir as portas onde tiveres de entrar...
Que Deus seja sempre o centro de tudo em sua vida.
Sem esforço, sem vitória
Sem esforço de nossa parte jamais atingiremos o alto da montanha. Não desanime no meio de estrada: siga á frente, porque os horizontes se tornarão amplos e maravilhosos á medida que for subindo. Mas não se iluda, pois só atingirá o cimo da montanha se estiver decidido a enfrentar o esforço da caminhada.
Carlos Torres Pastorino.
FONTE: Recebidos por e-mail

São Boavantura - Santo do dia

sábado, 13 de julho de 2013

Aridez na oração


Existem algumas almas que gostariam de sempre ser consoladas na oração. Se acontece terem um pouco de aridez, logo querem etc.. Tudo isso é trapaça do demônio, que assim procura arruiná-las irremediavelmente. Sabemos que muitas almas se mantém na graça de Deus pela oração.
Hoje, porém, quero falar-lhes das fontes de onde pode nascer essa aridez. São três: o demônio, Deus, nós mesmos.
Vem do demônio quando fazemos [oração] perturbados, e quando dela nos erguemos igualmente perturbados. Que de-vemos fazer então? Rir-nos.
Se vem de nós porque, por exemplo, nos dissipamos em prosas e conversas, então devemos afastar etc..
Vem de Deus quando, ao ir para a oração não temos devoção sensível; a alma está amargurada, mas gostaria de estar quieta, totalmente unida com Deus; nesse caso temos de nos consolar.
Se tivéssemos sempre consolações, falando dos caminhos ordinários e da providência normal de Deus, não poderíamos chegar à perfeição. O dia é composto de dia e de noite; se fosse sempre dia ou sempre noite, as criaturas morreriam e se corromperiam. Se alguém come sempre coisas de açúcar, vermes nascem em seu ventre.
Assim que devemos estar convencidos que nossa vida deve ser entremeada de consolações e de trabalhos. Como se tece o pano? Um fio perpendicular e o outro atravessado; assim o tecido de nossa vida. Os santos, que conheceram seu valor, etc..
Pode alguém dizer-me: “Padre, que adiante fazer oração, se a faço como se fosse uma estátua de sal?” Sim, é verdade, mas você não deve etc..
Diga-me: não ajudam as vestes sacerdotais, episcopais e pontificais? A belas pinturas de Jesus Cristo, de Maria Santíssima etc., não ajudam os preciosos ornamentos dos altares etc.; de fato, não ajudam positivamente etc.. Assim também você etc..

Santo Afonso de Ligório - Assim pensava Afonso de Ligório

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Oração do Papa Francisco a São José e São Miguel Arcanjo

São José guardai e concedei a paz a essa terra regada pelo sangue de São Pedro e dos primeiros mártires romanos; guardai e avivai a graça do Batismo naqueles que vivem e trabalha aqui; guardai e aumentai a fé dos peregrinos que aqui chegam de todos os lugares do mundo. A vós consagramos as fadigas e as alegrias de cada dia; a vós consagramos as expectativas e esperanças da igreja; a vós consagramos os pensamentos, os desejos e as obras: tudo se realize em nome do Senhor Jesus. Ó gloriosos Arcanjo São Miguel...velai sobre esta Cidade e sobre a sé Apostólica, coração e centro da catolicidade para que viva na fidelidade do Evangelho e no exercício da caridade heroica. Tornai-nos vitoriosos contra as tentações do poder, da riqueza e da sensualidade. Sede o baluarte contra cada maquinação que ameaça a serenidade da igreja; sede vós a sentinela  dos vossos pensamentos que liberta do assédio da mentalidade mundana; sede vós o condutor espiritual que nos sustenta no bom combate da fé.
Fonte: Rádio Vaticana

Da prova do verdadeiro amor

 

1. Jesus: Filho, não és ainda forte nem prudente no amor. - A alma: Por que, Senhor? - Jesus: Porque por qualquer contrariedade deixas o começado e com ânsia excessiva procuras a consolação. O homem forte no amor permanece firme nas tentações e não dá crédito às astuciosas sugestões do inimigo. Assim como lhe agrado na prosperidade, não lhe desagrado nas tribulações.
1. Quem ama discretamente não considera tanto a dádiva de quem ama, como o amor de quem dá. Atende mais à intenção que ao valor do dom, e a todas as dádivas estima menos que o Amado. Quem ama nobremente não repousa no dom, mas em mim acima de todos os dons. Nem tudo está perdido, se sentires, às vezes, menos devoção, a mim ou meus santos, do que desejaras. Aquele sentimento terno e doce que experimentas, às vezes, é efeito da graça presente, um como que antegosto da pátria celestial; nele não te deves firmar muito, porquanto vai e vem. Mas pelejar contra os maus movimentos do coração e desprezar as sugestões do demônio é sinal de virtude e grande merecimento.
2. Não te perturbem, pois, estranhas imaginações, oriundas de matéria qualquer. Guarda firme teu propósito, e tua reta intenção fixa em Deus. Não é ilusão o seres, alguma vez, subitamente arrebatado em êxtase, e logo depois caíres de novo nos costumados desvarios do coração. Porque mais os padeces contra a vontade do que és causa deles, e enquanto te desagradarem e os repelires, serão para ti ocasião de merecimento e não de perdição.
3. Fica sabendo que o antigo inimigo de todos os modos se esforça por impedir-te os bons desejos e apartar-te de todos os exercícios devotos, nomeadamente da veneração dos santos, da devota memória de minha paixão, da salutar lembrança dos pecados, da vigilância sobre o próprio coração e do firme propósito de aproveitar na virtude. Sugere-te muitos maus pensamentos para te causar tédio e horror e arredar-te da oração e leitura espiritual. Desagrada-lhe muito a confissão humilde e, se pudesse, far-te-ia abandonar a comunhão. Não lhes dês crédito, nem faças caso dele, posto que muitas vezes de arme laços e enganos. Leva à sua conta os pensamentos maus e desonestos que te sugere. Dize-lhe: Retira-te, espírito imundo, desgraçado, sem-vergonha; muito perverso deves ser para me insinuares tais coisas! Vai-te daqui, malvado sedutor, não terás em mim parte alguma, que Jesus estará comigo, qual guerreiro invencível, e tu ficarás confundido. Antes quero morrer e sofrer todos os tormentos, que te fazer a vontade; cala-te e emudece; não te escutarei, por mais que me molestes. O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei. Levante-se embora contra mim um exército, não temerá meu coração. O Senhor é meu socorro e meu Salvador (Sl 26, 1.6; 18,17).
4. Peleja como bom soldado e, se alguma vez caíres por fraqueza, torna a cobrar maiores forças que as anteriores, tendo certeza que receberás mais copiosa graça; acautela-te, porém, muito contra a vã complacência e a soberba. Por falta desta vigilância andam muitos enganados e caem, às vezes, em cegueira incurável. A ruína destes soberbos, que loucamente presumem de si próprios, sirva-te de cautela e te conserve na virtude da humildade.

FONTE: Imitação de Cristo - Tomás de Kempis 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Terço diante do Santíssimo

TERÇO DIANTE DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO
 
 Nas contas grandes:
            "Ó coração Eucarístico de Jesus, por aquela chama de amor na qual ardeste no momento solene, no qual vos deste a todos nós, na Santíssima Eucaristia, humildemente vos suplicamos que vos digneis livrar-nos incólumes de todo poder, laço, engano e malvadeza dos espíritos infernais. Amém!
Nas contas pequenas:
            "Coração Eucarístico de Jesus, livrai-nos cada vez mais, das insídias de satanás".
Final – "Jesus Ressuscitado, eu creio que está vivo diante dos meus olhos na Hóstia consagrada. Creio também, Jesus no Seu poder contra toda a espécie de mal, porque você venceu, pela Sua Morte e Ressurreição, o pecado e a morte. Seu preciosíssimo Sangue derramado na cruz está presente da Hóstia Santa. Eu creio Jesus, e clamo que este Sangue seja agora derramado sobre mim e sobre todos os meus familiares.
Eu peço Senhor Jesus, que pelo Sangue libertador e salvífico, possamos nos livrar de toda opressão diabólica, que possa estar prejudicando a nossa família. Peço também que atenda, em especial este pedido que agora faço na Sua Presença (apresente aqui o seu pedido...). Eu desde já agradeço, confiante que Você me atenderá.
 Eu vos louvo ó Pai por ter nos dado você, Jesus, como presente de Páscoa. Eu agradeço de coração ao Espírito Santo que me ilumina e me conduz nos momentos de sofrimento e escuridão.
Muito obrigado, Jesus, meu Salvador e libertador".
            Pai-Nosso... Ave-Maria... Glória ao Pai...
http://www.portalcarismatico.com.br/menu/oracoes/oracao5.htm

A vida e medalha de São Bento de Núrcia - Documentário

Oração II


Oração II
Ó Deus de minha alma! Eu vejo que quereis salvar-me por todos os meios. Meus pecados já me tinham perdido; eu me tinha condenado a mim mesma ao inferno; mas em vez de me enviardes a este lugar de tormentos, como eu merecia, me estendestes a vossa mão cheia de ternura, e não contente de me livrardes do inferno e do pecado, me tirastes, como por força, do meio dos perigos do mundo, para me colocar na vossa casa entre vossas esposas. Ó meu divino Esposo, eu espero ir para o céu, para lá cantar eternamente as grandes misericórdias que me fizestes.
Como seria feliz, se nunca vos tivesse ofendido, ó meu Jesus! Ajudai-me agora que muitos vos querem amar, e fazer todo o possível para vos agradar. Vós nada poupastes para obter o meu amor, é justo que eu faça tudo para vos ser agradável. Vós vos destes a mim sem reserva, eu me dou também toda a vós. Sendo minha alma eterna, a vós me quero unir eterna; sendo o amor o vínculo que une a vós, eu vos amo. Eu vos amo, meu Salvador; eu vos amo, meu Redentor; eu vos amo, meu Esposo! Eu vos amo meu único tesouro, meu único amor! Eu vos amo, eu vos amo, e espero sempre vos amar. Vossos merecimentos são a única esperança. Eu confio também inteiramente na vossa proteção, ó Maria, Mãe de meu Deus e minha Mãe! Vós me alcançastes o perdão, quando eu estava no pecado.
Agora que estou na graça de Deus, como tenho confiança, e que tenho a felicidade de ser religiosa, pertence a vós obter-me a graça de me santificar. Assim o espero. Amém

FONTE: A verdadeira esposa de Jesus Cristo - Santo Afonso Maria de Ligório

domingo, 7 de julho de 2013

Fé e Verdade

Fé e verdade

23. Se não acreditardes, não compreendereis (cf. Is 7, 9): foi assim que a versão grega da Bíblia hebraica — a tradução dos Setenta, feita em Alexandria do Egipto — traduziu as palavras do profeta Isaías ao rei Acaz, fazendo aparecer 
como central, na fé, a questão do conhecimento da verdade. Entretanto, no texto hebraico, há uma leitura diferente; aqui o profeta diz ao rei: 
«Se não o acreditardes, não subsistireis». Existe aqui um jogo de palavras com duas formas do verbo ‘amàn: «acreditardes» (ta’aminu) e «subsistireis» (te’amenu). Apavorado com a força dos seus inimigos, o rei busca a segurança que lhe pode 
vir de uma aliança com o grande império da Assíria; mas o profeta convida-o a confiar apenas na verdadeira rocha que não vacila: o Deus de Israel. Uma vez que Deus é fiável, é razoável ter fé n’Ele, construir a própria segurança sobre a sua 
Palavra. Este é o Deus que Isaías chamará mais adiante, por duas vezes, o Deus-Amen, o «Deus fiel» (cf. Is 65, 16), fundamento inabalável de fidelidade à aliança. Poder-se-ia pensar que a versão grega da Bíblia, traduzindo «subsistir» por 
«compreender», tivesse realizado uma mudança profunda do texto, passando da noção bíblica de entrega a Deus à noção grega de compreensão. 
E no entanto esta tradução, que aceitava certamente o diálogo com a cultura helenista, não é alheia à dinâmica profunda do texto hebraico; 
a firmeza que Isaías promete ao rei passa, realmente, pela compreensão do agir de Deus e da unidade que Ele dá à vida do homem e à história do povo. O profeta exorta a compreender os caminhos do Senhor, encontrando na fidelidade 
de Deus o plano de sabedoria que governa os séculos. Esta síntese entre o «compreender» e o «subsistir» é expressa por Santo Agostinho, nas 
suas Confissões, quando fala da verdade em que se pode confiar para conseguirmos ficar de pé: 
«Estarei firme e consolidar-me-ei em Ti, (…) na 
tua verdade».17 Vendo o contexto, sabemos que este Padre da Igreja quer mostrar que esta verdade fidedigna de Deus é, como resulta da Bíblia, a sua presença fiel ao longo da história, a sua capacidade de manter unidos os tempos, recolhendo 
a dispersão dos dias do homem.
24. Lido a esta luz, o texto de Isaías faz-nos concluir: o homem precisa de conhecimento, precisa de verdade, porque sem ela não se mantém de pé, não caminha. Sem verdade, a fé não salva, não torna seguros os nossos passos. Seria 
uma linda fábula, a projeção dos nossos desejos de felicidade, algo que nos satisfaz só na medida em que nos quisermos iludir; ou então reduzir-se-ia a um sentimento bom que consola e afaga, mas permanece sujeito às nossas mudanças de ânimo, à variação dos tempos, incapaz de sustentar um caminho constante na vida. Se a fé 
fosse isso, então o rei Acaz teria razão para não jogar a sua vida e a segurança do seu reino sobre uma emoção. Mas não é! Precisamente pela sua 
ligação intrínseca com a verdade, a fé é capaz de oferecer uma luz nova, superior aos cálculos do rei, porque vê mais longe, compreende o agir de 
Deus, que é fiel à sua aliança e às suas promessas.

CARTA ENCÍCLICA
LUMEN FIDEI
DO SUMO PONTÍFICE
FRANCISCO
AOS BISPOS
AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS
E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS

SOBRE A FÉ

Ajudai, ó Mãe a nossa fé!

A Maria, Mãe da Igreja e Mãe da nossa fé, 
nos dirigimos, rezando-Lhe:
Ajudai, ó Mãe, a nossa fé.
Abri o nosso ouvido à Palavra, para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada.
Despertai em nós o desejo de seguir os seus 
passos, saindo da nossa terra e acolhendo a sua 
promessa.
Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, 
para podermos tocá-Lo com a fé.
Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele, 
a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de 
tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a 
amadurecer.
Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado.
Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho.
Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, 
para que Ele seja luz no nosso caminho. E que 
esta luz da fé cresça sempre em nós até chegar 82
aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor.
Dado em Roma, junto de São Pedro, no 
dia 29 de Junho, solenidade dos Apóstolos São 
Pedro e São Paulo, do ano 2013, primeiro de 
Pontificado.

CARTA ENCÍCLICA
LUMEN FIDEI
DO SUMO PONTÍFICE
FRANCISCO
AOS BISPOS
AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS
E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS
SOBRE A FÉ