sexta-feira, 28 de junho de 2013

A natureza da fé

A senhora leu com muita atenção certo
post scriptum do nosso catecismo e pede-me para escrever-lhe uma carta respondendo a uma pergunta: «o que é, pois, a Fé?»
A pergunta é curta, a resposta será longa. Vou lhe escrever uma carta, duas cartas, três cartas e talvez até mais.
Sem mais demora, entro no assunto.
A senhora tem filhos amáveis e amados que Deus lhe deu; e é por causa deles que me pergunta: o que é a Fé? Responderei; e precisamente por eles encontrarei um meio fácil de dizer o que é a Fé.
Note bem: a senhora conhece seus filhos, e sabe que eles são seu filhos, mas a posição deles em relação à senhora não é exatamente a mesma. Pois, se é verdade que eles a conhecem, é preciso convir que eles não têm outro remédio senão acreditar que a senhora é mãe deles. Digo que eles têm de acreditar porque nunca terão a prova de visu deste fato. Foi a senhora quem lhes disse e no que ouviram, creram: eles o receberam com uma confiança perfeita, quase se poderia dizer, cega; pois se uma outra mulher tivesse cuidado deles como a senhora cuidou, e lhes tivesse testemunhado alguma afeição, eles a chamariam
mamãe, levados por um impulso natural.
Veja por esse exemplo como crer é natural ao homem, pois ele tem necessidade de crer, primeiramente em seu pai e sua mãe. Nunca sobre esse ponto o homem pode chegar a uma demonstração, ele deve crer. Isto faz parte da ordem natural, e ele crê. É por isto que o homem chama seu pai de pai e sua mãe de mãe.
Assim, os primeiros conhecimentos do homem são conhecimentos não demonstrados mas aceitos com inteira segurança, confiado na palavra do pai e da mãe. A criança viverá muito tempo neste estado, em
perfeita segurança, sob a autoridade de seus pais. Diz Santo Agostinho: «É da ordem natural que a autoridade preceda a razão». E adiante: «A autoridade exige a Fé e prepara o homem para a razão».
Quando, mais tarde, a razão da criança estiver formada, ela poderá se basear nela; mas antes disso, é indispensável que o homem creia; é um bem que lhe é necessário, que Deus lhe preparou em sua paternal
solicitude, e que o homem recebe sem a menor dificuldade. Ouçamos ainda Santo Agostinho: «Uma coisa é acreditarmos confiados na autoridade, outra na razão. Crer pela autoridade é muito vantajoso e não dá trabalho».
Vê-se assim como a criança está sob a tutela de seus pais. Ela crê naquilo que seus pais sabem; crê, sem demonstração, naquilo de que seus pais têm a demonstração e a evidência. Santo Agostinho diz que é
assim na ordem natural, e protegida por esta ordem natural a criança se sente bem e efetivamente está bem. Podemos, pois, dizer agora que, assim como a criança está sob a tutela de seus pais na terra, o
cristão está sob a tutela de seu Pai que está no Céu crendo na palavra de Deus como ele crê na palavra de seu pai, e tendo Fé em Deus como tem fé em seu pai. E a senhora poderá então compreender sem
dificuldade o que é a Fé.
Chego ao fim a que me propus. A senhora fala a seu filho, ele ouve, ele crê; é a fé humana correspondendo à autoridade humana natural que Deus lhe deu sobre seu filho.
E como o pai na Terra tem autoridade para ensinar a seu filho e pode exigir dele a docilidade, quer dizer a fé, Deus, o Pai dos seres espirituais como diz São Paulo, tem também autoridade para falar às almas, e para exigir delas a fé.
O pai sabe uma porção de coisas que o filho não sabe e que o filho deve crer. Deus sabe também muitas coisas que o homem não sabe, e que deve crer porque Deus disse, quando deu ao homem a honra de lhe
falar.
Veja a semelhança. Ela é perfeita e no entanto é preciso notar uma diferença considerável que a senhora verá sem dificuldade. A senhora fala a seu filho, ele acredita no que a senhora diz, é natural. A criança
encontra em sua própria natureza tudo que é necessário para crer. A fé que sua palavra exige dele não o eleva acima de sua natureza. Mas quando Deus, o Pai dos seres espirituais, fala à sua criatura, como seu
desígnio é eleva-la acima de si mesma e de fazê-la participar, não mais de uma simples verdade natural, e sim de uma verdade de natureza divina, portanto superior à natureza humana, em outros termos,
sobrenatural, o homem não encontra mais em sua natureza capacidade suficiente para receber um ensinamento que o excede e que vença a distância de Deus ao homem. Então, se Deus quer que acreditem
em sua palavra, é absolutamente necessário que eleve até Ele mesmo, quer dizer sobrenaturalmente, a faculdade natural que o homem tem de crer. E quando Deus concede este benefício ao homem, dizemos
que Ele lhe deu a graça da Fé. A senhora compreende agora, porque está dito no princípio do Catecismo
que a Fé é um dom de Deus.

Eu creio!


Apostolado Sociedade Católica
www.sociedadecatolica.com.br
Cartas Sobre a Fé
LIVRO DE PE. EMMANUEL-ANDRÉ

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Poema sobre a conversão

Procuremos uma vida nova, um jeito novo de ser e de pensar. Procuremos ser melhores em tudo; toda essa mudança passa por Jesus que sabe o que é melhor para nós. Não perca tempo!!!

E eu dizia: Como te colocarei entre os filhos? Eu te darei uma terra agradável, a herança mais preciosa das nações. E eu dizia: Vós me chamareis "Meu Pai", e não vos afastareis de mim. Mas como uma mulher que trai o seu companheiro, assim vós me traístes, casa de Israel, oráculo de Iahweh. Um grito foi ouvido sobre os cumes: as lágrimas e as súplicas dos filhos de Israel; porque perverteram o seu caminho, esqueceram Iahweh, o seu Deus. — Voltai, filhos rebeldes, eu vos curarei de vossas rebeliões! — Eis que voltamos a ti, pois tu és Iahweh, nosso Deus. Na verdade, são mentirosas as colinas e o tumulto das montanhas. Na verdade, em Iahweh nosso Deus, está a salvação de Israel. A vergonha devorou o fruto do trabalho de nossos pais desde a nossa juventude: as suas ovelhas, as suas vacas, os seus filhos e as suas filhas. Deitemo-nos em nossa vergonha, cubra-nos a nossa confusão! Pois pecamos contra Iahweh, nosso Deus, nós e os nossos pais, desde a nossa juventude e até o dia de hoje, e não ouvimos a voz de Iahweh, nosso Deus.
Se te converteres, Israel — oráculo de Iahweh —, se te converteres a mim, se afastares teus horrores de minha presença e não vagares mais, se jurares pela vida de Iahweh na verdade, no direito e na justiça,então se abençoarão nele as nações e nele se glorificarão! Porque assim disse Iahweh ao homem de Judá e a Jerusalém: Arroteai para vós um campo novo e não semeeis entre espinhos. Circuncidai-vos para Iahweh e tirai o prepúcio de vosso coração, homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que a minha cólera não irrompa como fogo, queime e não haja ninguém para apagar, por causa da maldade de vossas obras.
Jeremias 3,19-25; 4,1-4

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Meditação sobre os Mistérios Gozosos


MISTÉRIOS GOZOSOS
(segunda-feira e sábado)

Primeiro Mistério
A Anunciação do Anjo à Virgem Maria
Maria disse ao anjo: «Como será isso se eu não conheço homem?». O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra. Por isso mesmo é que o Santo que vai nascer há--de chamar-se filho de Deus… porque nada é impossível a Deus».
Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra»
(Lc 1,34-35.38). A entrega de Maria representa o modelo radical da confiança em Deus, como a criança se lança incondicio-nalmente nos braços de seu pai.
Confiar é estar seguro das boas intenções e da rectidão de alguém, na certeza de não ser desiludido. Ao contrário, rodeados de pessoas em quem não podemos confiar, sentimo-nos incapazes de qualquer relação mais íntima.
Num mundo de insegurança e delinquência, recomendamos às crianças e aos adolescentes a maior prudência com os desconhecidos. Mesmo assim, é preciso ensinar-lhes a confiança, merecendo nós próprios a sua credibilidade e ajudando-os na descoberta de verdadeiros amigos.
Acreditando em tudo o que lhe foi dito porque vinha da parte do Senhor
, Maria leva-nos consigo: como ela, depositamos toda a nossa confiança n’Aquele que conhecemos pela fé. Como ela, levaremos connosco os irmãos, nomeadamente as crianças e os adolescentes, a quem daremos a conhecer o Senhor, o maior Amigo, em quem depositamos toda a nossa confiança.
Que, pela rectidão da nossa vida e o desempenho das nossas obrigações, manifestemos toda a confiança que colocamos em Deus, a quem nada é impossível.

Segundo Mistério
A Visitação de Maria a Santa Isabel
Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel
(Lc 1,39-40).
Para Maria, ir ajudar a sua prima que, já fora de idade, se encontrava grávida foi mais importante do que ficar concentrada na sua pessoa e na sua nova situação.
O fundamento do serviço desinteressado é o amor, e o seu maior impedimento é o egoísmo. Quem não sabe amar tampouco sabe servir.
Quando descobrimos que o amor não se circunscreve aos que nos estão ligados por laços de sangue mas deve estender-se a todos os filhos de Deus, compreendemos melhor a importância do testemunho dos que gastam a vida ao serviço dos mais necessitados. Quando vemos os exemplos de dedicação que nos dão os não crentes, tomamos mais consciência da nossa obrigação de cristãos, a quem o Senhor deixou como Mandamento Novo amar como Ele amou.
A família é, e deve ser cada vez mais, a primeira escola de serviço, a comunidade onde se aprende e pratica a gratuidade do amor e do serviço mútuo.
Por Maria, peçamos a graça de passar da família, primeira comunidade de dedicação e amor gratuito, à participação generosa na vida da Igreja e da sociedade, sem regatear uma presença fraterna junto dos mais necessitados.

Terceiro Mistério
O nascimento de Jesus em Belém
Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens
(Fl 2,6-7). Jesus nasce na humildade de uma gruta, igual a tantos outros de que a história não fala, mas nem por isso a sua dignidade divina fica diminuída. Ao contrário, a nossa tendência é afirmar-nos importantes exibindo a diferença: maior riqueza, mais poder, situação social, beleza…
Apesar das proclamações históricas da igualdade de direitos e de dignidade de todos os homens, a desigualdade por critérios raciais, culturais e sociais mantém-se.
Têm-se reclamado leis e planos de desenvolvimento que venham ao encontro das populações mais pobres, mais participação cidadã na vida política, uma efectiva igualdade de oportunidades, o fim das discriminação entre homens e mulheres, o reconhecimento da família como elemento básico e estruturante da sociedade… tudo preocupações saudáveis.
Mas a primeira mudança tem que se operar em cada um: amar o outro como meu próximo, porque é, como eu, filho de Deus, alguém que o Senhor ama e destina a um lugar no céu. Mesmo nas circunstâncias mais dolorosas, é esta a dignidade comum, igual, de todos os homens. Desconsiderar uma pessoa — o que é diferente de discernir situações — é uma ofensa ao próprio Deus: no seu amor e a seus olhos, todos somos iguais e únicos.
Diante do menino Deus, em tudo igual a nós, menos no pecado, peçamos a justa
compreensão da nossa igualdade fundamental. Deus que a todos nos criou por amor e para o amor, e nos tornou seus filhos em Jesus Cristo, nos empenhe na defesa de todos os discriminados e excluídos.

Quarto Mistério
A apresentação de Jesus no Templo
Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-n’O a Jerusalém para O apresentarem ao Senhor […]. Ora, vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão […].
Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor. Impelido pelo Espírito, veio ao templo, quando os pais trouxeram o menino Jesus […]. Simeão tomou-O nos braços e bendisse a Deus, dizendo: «Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo, porque meus olhos viram a Salvação»
(Lc 2,22.25.28-30).
Simeão agradece ao Senhor ter visto a Salvação com que culmina a aliança que Deus celebrou com o seu povo. Uma aliança que prevaleceu sobre todas as infidelidades humanas, revelando a constância permanente do amor divino.
A gratidão é dos valores mais prezados. Por isso, aprendemos, desde crianças, a dizer “obrigado”. Agradecer a quem nos faz bem sem a isso estar obrigado é um acto de justiça.
Na linguagem popular, quando se diz “graças a Deus”, reconhece-se que todo o bem nos vem de Deus.
Graças Lhe sejam dadas. Quando alguém diz “Deus lhe pague”, deseja que seja Deus a gratificar o que, na sua humildade, se sente incapaz de retribuir devidamente.
E a Deus, como agradecer? Simeão bendisse o Senhor, considerando o que via superior a toda a sua vida. Maria exclamou: «A minha alma glorifica o Senhor, que fez em mim maravilhas». E o salmista proclamou: «Quero cantar ao Senhor enquanto viver, quero celebrar o meu Deus enquanto existir. Grato lhe seja o meu canto».
Manifestemos ao Senhor toda a nossa gratidão pelo seu amor sempre fiel, pelo seu Filho Jesus Cristo, pelas nossas famílias, por todos os homens nossos irmãos. Que os nossos corações a todos sejam gratos.

Quinto Mistério
A perda e o encontro de Jesus no Templo
Ao vê-l’O, ficaram assombrados e sua mãe disse-Lhe: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!». Ele respondeu-lhes: «Por que Me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?». Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse.
Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração
(Lc 2,48-49).
Esta resposta de Jesus, algo estranha ante a inquietação de Maria e José, é, sem dúvida, intencional: Jesus quer declarar-lhes, sem rodeios, a responsabilidade que Lhe vem da sua condição divina.
Ser responsável é ser livre e saber usar a capacidade de optar. É ter consciência de que as opções feitas são boas para si e para os outros e resistir a pressões exteriores imediatas.
Assumir responsabilidades é algo que também se aprende e cultiva. Na família as relações profundas de comunhão e solidariedade processam-se na comparticipação de todos, segundo o modo e possibilidades de cada qual, na harmonia complementar do bem comum e do bem de cada um. Esta educação do sentido de responsabilidade e co responsabilidade, é um serviço precioso e único prestado pela família à pessoa, à Igreja e à sociedade.
Ser cristão é ser responsável na vocação, no projecto de vida, nas alegrias e sofrimentos quotidianos, na vida da Igreja e no crescimento do Reino de Deus, na construção comum de um mundo melhor. Para o casal cristão, é também ser responsável pela santificação do seu matrimónio e pela abertura à vida.
Que o Senhor nos ajude a superar as dificuldades e a ser cada vez mais responsáveis na família, na Igreja e na sociedade, até nos reunirmos com toda a humanidade na casa do Pai.

MEDITAÇÃO DO ROSÁRIO
Pastoral Familiar

São Luís de Montfort: o Apóstolo da Cruz


Por
Ivone Fedeli, Montfort.org.br

Luís Maria Grignon, de Montfort, nasceu e viveu na França do século XVII. Numa França impregnada pela doutrina jansenista,
a qual, crendo na predestinação, apresentava aos fiéis um Deus tirânico e sem misericórdia. Diante do qual o homem só podia
temer e tremer. Uma doutrina que, a pretexto do respeito pela Eucaristia, afastava as almas da comunhão. Que a pretexto de
não ofuscar a glória de Deus, distanciava os homens da Mãe de Deus. Os defensores dessa heresia serão os mais cruéis perseguidores de Montfort, e ele será um de seus maiores inimigos
.
Desde o seminário, sua piedade, seu zelo e suas penitências suscitam contra ele invejas e inimizades. Ordenado aos vinte e sete anos, seu superior o envia para Nantes, onde passa a viver em uma comunidade sacerdotal, da qual todos os membros serão condenados mais tarde como jansenistas, morrendo impenitentes. Era natural que São Luís se opusesse a tal ambiente, tendo manifestado seu desagrado a seu superior.
Sua sinceridade não foi, ao que parece, apreciada. Removido para um hospital em Poitiers, acaba por ser expulso não só do hospital, mas também da diocese.
Após inúmeros sofrimentos, perseguições, expulsões, idas e vindas, resolve ir a Roma, pedir ao Papa permissão para trabalhar nas missões de além-mar, uma vez que na França parecia-lhe impossível continuar o apostolado.
Faz a pé a viagem até Roma, sendo recebido pelo Soberano Pontífice. Esse lhe ordena que permaneça na França, onde seu zelo seria muito necessário, concedendo-lhe para tanto o título de missionário apostólico.
Daí em diante, até quase o fim de sua vida, as perseguições dos jansenistas serão cada vez mais constantes e violentas.
Conseguindo sempre conversões numerosas e duradouras, seguido por multidões que atraía com sua palavra comovedora mas profunda, simples mas imbatível, Montfort será expulso de paróquia em paróquia, de diocese em diocese.
Após ter fundado três congregações religiosas, morre aos 43 anos. Dez mil pessoas quiseram venerar seu corpo.
Beatificado por Leão XIII em 1888, São Luis de Montfort foi canonizado por Pio XII em 20.7.47.
Quando se conhece em detalhe a vida de São Luís, não se pode deixar de admirar a \"santa loucura da cruz\" que o dominava.
Toda a sua existência se passa entre mortificações e perseguições de todos os tipos, e ele considerava isso o maior de todos os bens.
A seu amigo Blain, que o censura, culpando-o pelas perseguições que sofre, responde:
"Dais-me como exemplo pessoas muito prudentes e de grande virtude a quem ninguém pensa em censurar. Mas há duas espécies de prudência: a própria dos cristãos que vivem em sociedade, e outra que vai melhor aos missionários e homens apostólicos. Os primeiros, para proceder prudentemente, só têm que observar as regras e costumes de
uma casa santa; os outros vêem-se freqüentemente obrigados a desprezar a própria glória para buscar a de Deus, e, para isso, têm que lançar-se em mais de uma empresa que choca e até escandaliza. Não é de estranhar que se deixe em paz aos primeiros e se ataque os segundos. Quando os homens de ação são bem acolhidos pelo mundo é
sinal de que o inferno não os teme. Se a prudência consistisse simplesmente em não dar que falar, os apóstolos não precisariam ter saído de Jerusalém, nem São Paulo teria sido obrigado a fazer tantas viagens, nem São Pedro por que fincar a cruz no Capitólio. Com uma prudência assim não se teria sobressaltado a Sinagoga, mas também não se teria conquistado o mundo".

sábado, 22 de junho de 2013

Oração de benção por intercessão de alguém

(Obs: Esta oração deve ser feita como Novena, em favor de uma pessoa que tenha amarras espirituais porque outras pessoas guardam mágoas dela. Onde houver "..." falar o nome da pessoa por quem está fazendo a novena)

Senhor, a Tua Palavra diz que, em Teu nome, devo abençoar as pessoas: as que amo, aquelas que ainda não consigo amar, e aquelas pelas quais o Senhor me pede para interceder.
Eu sei, Jesus, que a benção é fruto do Teu amor dentro de mim e agindo através de mim. Por isso, eu agora Te peço: enche o meu coração com o Teu amor para que todas estas pessoas sejam atingidas, agora por Teu amor. (Medite um instante).
Sim, Senhor, creio que neste momento o Teu amor está me plenificando, e com este amor posso agora abençoar: Senhor, que a Tua benção, durante esta novena, restaure o coração do(a)... e o(a) encah de amor e paz, e todos os bens que Te agrade a ele(a) conceder.
Em nome do(a)... eu abençoo todas as pessoas que dele(a) guardaram rancor e mágoa, e também as perdoo por todo mal que possam ter feito conta...
Eu abençoo, em teu Nome, Senhor Jesus Cristo, tudo que, o (a) cerca: sua casa seu trabalho, seus empreendimentos, seus entes queridos e todos os bens que lhe destes.
Por esta benção, Senhor, eu Te agradeço. E agora, Jesus, peço-Te que nos abençoes e nos capacite a viver sob as Tuas bençãos.
Ó Maria Imaculada, medianeira de todas as graças, confirma em nós as bençãos do Senhor! Amém

Credo, Pai Nosso, Ave-Maria e Glória
Divino Espírito Santo, iluminai-nos! 3(X)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A igreja durante a tormenta

I
São Gregório Magno, em seus luminosos comentários de Jó, penetra profundamente em toda a história da Igreja, visivelmente animado do mesmo espírito profético espalhado nas Escrituras.
Ele contempla a Igreja, no fim dos tempos, sob a figura de Jó humilhado e sofredor, exposto às insinuações pérfidas de sua mulher e às críticas amargas de seus amigos; Jó, diante de quem, outrora, os anciãos se levantavam e os príncipes faziam silêncio!
A Igreja, disse muitas vezes o grande Papa, no fim de sua peregrinação terrestre, será privada de todo poder temporal; procurarão tirar-lhe todo ponto de apoio sobre a terra.
Vai mais longe ainda, declara que ela será despojada do próprio brilho que provém dos dons sobrenaturais.
"O poder dos milagres, diz ele, será retirado, a graça das curas arrebatada, a profecia desaparecerá, o dom de uma grande abstinência será diminuído, os ensinamentos da doutrina se calarão, os prodígios milagrosos cessarão. Isto não quer dizer que não haverá mais nada disso; mas todos esses sinais não brilharão abertamente, sob mil formas como nos primeiros tempos. Será mesmo a ocasião de um maravilhoso discernimento. Neste estado de humilhação da Igreja, crescerá a recompensa dos bons que se prenderão a ela, tendo em vista somente os bens celestes; quando aos maus, não vendo mais na Igreja nenhum atrativo temporal, não terão nada a fingir, se mostrarão tais como são". (Mor. 1, XXXV)
Que palavra terrível: os ensinamentos da doutrina se calarão! São Gregório proclama em outro lugar que a Igreja prefere morrer a se calar. Então ela falará: mas seu ensinamento será entravado, sua voz encoberta; muitos dos que deveriam gritar sobre os telhados não ousarão fazê-lo com medo dos homens. E será a ocasião de um grande discernimento.
São Gregório insiste muitas vezes sobre as três categorias de pessoas que há na Igreja: os hipócritas ou os falsos cristãos, os fracos e os fortes. Ora, nesses momentos de angústia os hipócritas levantarão a máscara e manifestarão sua apostasia secreta; os fracos, coitados, perecerão em grande número e o coração da Igreja sangrará por eles; enfim, muitos dos fortes, confiantes em sua próprias forças, cairão como as estrelas do céu.
A despeito de todas estas tristezas pungentes, a Igreja nem perderá a coragem nem a confiança. Ela será sustentada pela promessa do Salvador, consignada nas Escrituras de que esses dias serão abreviados por causa dos eleitos.
Sabendo que apesar de tudo os eleitos serão salvos, a Igreja se empenhará, no meio da mais atroz tormenta, na salvação das almas com uma infatigável energia.

Fonte: Livro VIDA - Pe. Emmanuel

terça-feira, 18 de junho de 2013

Novena de Pe. Pio de Pietrelcina

PRIMEIRO DIA
Amado São Pio de Pietrelcina, você carregou em seu corpo os sinais da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Você levou a Cruz para todo o mundo, enquanto agüentava os sofrimentos físicos e morais que flagelavam sua alma e seu corpo em um martírio contínuo. Nós lhe imploramos, por favor, reze a Deus por nós, assim cada um de nós poderá aceitar as pequenas e as grandes Cruzes da vida, e todo o mundo poderá transformar o sofrimento individual em vínculo seguro que nos liga à Vida Eterna. "
"É uma grande vantagem conformar-se aos sofrimentos que Jesus enviará a você. Jesus, que não suporta ver que você sofre, virá socorrê-lo e lhe confortar, enquanto infunde uma coragem nova em sua alma." Padre Pio. Rezar a Oração do Sagrado Coração de Jesus. (ver mais abaixo)
SEGUNDO DIA
São Pio de Pietrelcina, que está junto de Nosso Deus Jesus, você soube resistir às tentações do maligno. Você sofreu os golpes e a opressão do endiabrado do inferno que quis induzi-lo a abandonar a sua estrada de santidade. Nós lhe imploramos, por favor, reze a Deus por nós, de forma que, com a sua ajuda e com a ajuda de todo o Reino Divino, nós possamos achar a força para abandonar o pecado e perseverar de fato na fé até o dia de nossa morte. "Coragem e não tema as agressões do Diabo. Lembrem-se disto sempre: ‘É um sinal bom se o inimigo gritar e rogar o seu perjúrio ao seu redor – isto mostra que ele não está dentro de você". Padre Pio. Rezar a Oração do Sagrado Coração de Jesus. (ver mais abaixo)
TERCEIRO DIA
Virtuosíssimo Padre São Pio de Pietrelcina: você amou muito Nossa Senhora, de quem recebeu, diariamente, graças e consolações. Nós imploramos, por favor, reze à Mãe Santa por nós, enquanto coloca nas mãos dela nossos pecados e nossas orações sem fé, de forma que, como em Caná da Galiléia, o Filho atenda a Mãe e nosso nome seja escrito no Livro da Vida. "Que Maria seja a estrela que ilumina seu caminho, e que ela lhe mostre o modo seguro para seguir o Pai Celestial. Ela é como uma âncora, na qual vocês têm que se agarrar e conservar-se cada vez mais unidos e firmes nos momentos de tentação". Padre Pio. Rezar a Oração do Sagrado Coração de Jesus. (ver mais abaixo)
QUARTO DIA
Castíssimo Padre São Pio de Pietrelcina, que tanto amaste e nos ensinaste a amar o Santo Anjo da Guarda, aquele que te serve de companhia, de guia, de defensor e de mensageiro. A ti as figuras angélicas levaram os rogos dos teus filhos espirituais. Intercede a Deus por nós para que também nós aprendamos a falar com nosso Anjo da Guarda, para que a todo momento saibamos obedecê-lo, pois és a luz viva de Deus, que nos livra da desgraça de cair em pecado. Nosso Anjo sempre está pronto a ensinar-nos o caminho do bem e a dissuadir-nos de fazer o mal. "Invoca o teu Anjo da Guarda, que ele te iluminará e te conduzirá. Deus te deu ele por este motivo. Portanto vale-te dele." Padre Pio. Rezar a Oração do Sagrado Coração de Jesus. (ver mais abaixo)
QUINTO DIA
Prudentísimo Padre São Pio de Pietrelcina. Tu que tanto amas e nos ensinaste a amar as Almas do Purgatório; por elas que te ofereceste como vitima de expiação, dos pecados delas. Roga a Deus Nosso Senhor, para que ponha em nossos corações sentimentos de compaixão e amor por essas almas. Também nós ajudaremos as Almas do Purgatório e reduziremos seus tempos de desterro e de grande aflição. Conseguiremos para elas, com sacrifícios e orações, o descanso eterno de suas almas, e as Santas Indulgências necessárias para tirá-las do lugar de sofrimento. "Ó Senhor, Jesus Cristo, suplico-te que derrame sobre mim, todos os castigos que são para os pecadores e as Almas Benditas que estão no Purgatório, multiplica sobre mim os sofrimentos, com os quais convertes e salvas os pecadores, livrando-os e os salvando do tormento do purgatório." Padre Pio. Rezar a Oração do Sagrado Coração de Jesus. (ver mais abaixo)
SEXTO DIA
Obedientíssimo Padre São Pio de Pietrelcina. Tu que quiseste tão bem aos enfermos, mais que a ti mesmo, porque neles vias Jesus. Tu, que em nome de Deus operaste milagres de curas do corpo, da alma e da mente, no presente, no passado e no futuro das pessoas, devolvendo esperança de vida e renovação de espírito, recuperando a integridade total das pessoas, roga a Deus por todos os enfermos,
por intercessão de Maria Santíssima, para que possam experimentar tua forte ajuda, e através da cura do corpo possam encontrar benefícios espirituais e agradecer sempre a Deus. "Se eu sei que uma pessoa está aflita, seja em sua alma ou em seu corpo, suplicarei a Deus para vê-la livre de seus males. De boa vontade tomaria todos os seus sofrimentos para vê-la salva e cederia os frutos de tais sofrimentos em seu favor." Padre Pio. Rezar a Oração do Sagrado Coração de Jesus. (ver mais abaixo)
SÉTIMO DIA
Benditíssimo Padre São Pio de Pietrelcina. Tu que tens realizado o projeto de salvação de Deus e tens oferecido teus sofrimentos para desatar os pecadores das redes de Satanás, roga a Deus para que os homens que não crêem tenham uma grande e verdadeira fé e se convertam, arrependendo-se do fundo de seus corações, e que as pessoas com pouca fé melhorem sua vida cristã, e que os homens justos continuem sobre o caminho da salvação. "Se o pobre mundo pudesse ver a beleza da alma sem pecado, todos os pecadores, todos os incrédulos se converteriam naquele instante." Padre Pio. Rezar a Oração do Sagrado Coração de Jesus. (ver mais abaixo)
OITAVO DIA
Puríssimo Padre São Pio de Pietrelcina, tu que quiseste muito bem aos teus filhos espirituais. Muitos dos teus filhos tem sido comprados por ti com o preço do teu sangue. Concede-nos também a nós, que não te conhecemos pessoalmente, que
sejamos considerados como teus filhos espirituais. Para assim, com tua paternal proteção, com tua santa orientação, com a força que conseguirás para os outros filhos de Deus, podermos, no momento da morte, encontrar-te nas portas do Paraíso, esperando a nossa chegada. "Se me fosse possível, queria conseguir de Deus somente uma coisa, que me dissesse 'vá para o Paraíso’, queria conseguir esta graça, contudo, Senhor, não me deixe ir ao Paraíso até que o último dos meus filhos, a última das pessoas que me foram confiadas, tenha entrado antes de mim." Padre Pio. Rezar a Oração do Sagrado Coração de Jesus. (ver mais abaixo)
NONO DIA
Humilde Padre Pío de Pietrelcina, tu que és verdadeiramente amado pela Santa Madre Igreja, roga a Deus, Nosso Senhor, ao Senhor das colheitas prósperas, para que mande trabalhadores à sua santa obra, e dê a cada um deles segundo o seu santo trabalho; de maneira que tenhamos sacerdotes santos no mundo. Que esses obtenham a força e a inspiração divina. No mais, nós te rogamos a intercessão junto à Sempre Santíssima Virgem Maria, para que ela conduza todos os homens a uma unidade cristã, reunidos na grande casa de Deus; para que a Santa Igreja seja o farol de luz e salvação, neste mar de tempestades que é a vida de hoje. "Sempre se mantenha unido à Santa Igreja Católica, porque somente ela pode salvá-lo, porque somente ela possui o Jesus Sacramentado, que é o verdadeiro príncipe da paz." Padre Pio.

ORAÇÃO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
Ó Sagrado Coração de Jesus, a quem uma única coisa é impossível, isto é, a de não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, míseros pecadores, e concedei-
nos as graças que Vos pedimos por intermédio do Coração Imaculado da Vossa e nossa terna Mãe.
FONTE: http://padrepio.catholicwebservices.com/
 






Três contrariedades e duas reações

Se pensarmos um pouco, analisando o que se passa conosco, perceberemos que costumamos
padecer de três tipos de contrariedades e que, em face delas, temos dois tipos de reações.
Existem as contrariedades provocadas pelos outros: eles têm aqueles modos desagradáveis de falar, de olhar ou não olhar, de retrucar ou não responder, de esquecer ou estar lembrando-nos certas coisas a toda a hora, de dirigir carro – dirigir? –, de se atrasar, de impor... Existem depois as contrariedades procedentes de nós mesmos: “Não me agüento, voltei a deixar a chave de casa no escritório!”, “Por que sempre gaguejo ao falar na sala de aula?”, “Não consigo contar uma piada que faça rir a ninguém!” E, por último, as que decorrem das circunstâncias: “Já faz sete meses que estou sem emprego!”, “Desde que apanhei aquela bronquite, nunca mais deixei de tossir!”,
“Justamente quando fui tirar férias, veio aquela frente fria estacionária e não parou mais de chover!”
De fato, quase todas as contrariedades se enquadram em algum desses três capítulos.
Ora, ao lado dessas três espécies de contrariedades, existem, como mencionávamos acima, dois modos diferentes, ainda que muito “aparentados”, de reagir. Vale a pena focalizá-los.
O primeiro modo é a impaciência. É preciso dizer desde já que a impaciência, em si mesma, na sua essência mais íntima, consiste em não saber sofrer. Precisamente a palavra paciência deriva
do verbo latino pati, que significa padecer. Por isso, a virtude da paciência é a capacidade de padecer dignamente, a arte de sofrer bem, e mais concretamente a paciência cristã é a virtude que nos dá, com a graça divina, a capacidade de sofrer, de suportar as contrariedades e a dor – especialmente quando se prolongam – com fé, esperança e amor.
Uma vez esclarecido isto, pode também ficar claro que a irritação, a brusquidão, a raiva ou a cólera não fazem parte, propriamente falando, da impaciência – ainda que muitas vezes a acompanhem –, mas da ira. É bem verdade que a ira – a que nos referiremos daqui a instantes – e a impaciência convivem muitas vezes no nosso dia-a-dia como duas irmãs siamesas. Mas é útil não perder de vista, na leitura destas páginas dedicadas à paciência, que a impaciência se dá – mesmo
que não se faça acompanhar de nenhuma emoção ou explosão – simplesmente quando não sabemos aceitar ou aceitamos de má vontade aquilo que nos contraria ou nos faz sofrer.
A impaciência é rica em apresentações. Pode-se manifestar quer no nosso interior, quer externamente, de maneiras muito variadas. Com muita freqüência, aflora em forma de queixas internas (quando a pessoa se lamenta no íntimo, sentindo-se vítima), ou de reclamações ásperas ou lamurientas com os outros, ou de cobranças insistentes, ou de suspiros lastimosos, ou de trejeitos e desabafos reveladores de cansaços morais (“Já não suporto mais! Cheguei ao limite! Isto é superior às minhas forças!”). Também são frutos da impaciência os comentários de desânimo e os olhares de tristeza... É interessante saber que um dos principais efeitos da paciência, mencionado por São
Tomás de Aquino, é expulsar a tristeza do coração.
[NOTA DE RODAPÉ: Suma Teológica, II-II, q.136, a. 2, 1.].

Pe. Francisco Faus - A Paciência

domingo, 16 de junho de 2013

Silêncio diante de Deus

Silêncio, alma dessa Palavra de Deus, de que o Homem vive e se alimenta. Sombra dessa
voz, que nos chama, para a presença silenciosa e fecunda do amor. O silêncio é a
homenagem que a Palavra presta ao Espírito!
Caríssimos irmãos: O silêncio é, na verdade, uma virtude fundadora, que permite ao
Homem cair em si para ouvir o essencial, para se inclinar à voz discreta do Espírito
Santo, seu Mestre interior! Também Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto.
E nós somos chamados com ele, ao mesmo silêncio. «Confia tranquilo no Senhor», «em
silêncio, abandona-te ao Senhor» (Sal.37,7) – apela o Salmista.
Comecemos, desde já, por fazer, provocar e oferecer esse silêncio na celebração da
Eucaristia.
Façamos o silêncio “necessário para o recolhimento, a interiorização, a oração interior. Não é vazio, ausência, mas antes presença, receptividade, reacção perante Deus que nos fala, aqui e agora, e actua para nós”(CCDDS, Sugestões 28). Deste modo, corresponderemos ao desafio final e essencial da Igreja para este Ano da Eucaristia:
“Não peço – diz-nos o Santo Padre - que se façam coisas extraordinárias, mas que todas
as iniciativas sejam marcadas por profunda interioridade. Mesmo que o fruto deste Ano
fosse apenas o de reavivar em todas as comunidades cristãs a celebração da Missa
dominical e de incrementar a adoração eucarística fora da Missa, este Ano de graça teria conseguido um resultado significativo” (MND 29).
Cultivemos o silêncio, tão importante, na celebração, como no coração e na vida.
Aprendamos, desde aqui, a prática do silêncio, como atitude do coração: “Permanece
em silêncio diante do Senhor” (Sal.37,7); pois graças ao silêncio, o homem mergulha em si
mesmo e descobre a sua essência espiritual que o funda!
Do coração da Eucaristia, tomemos o silêncio como atitude de vida: Façamos o silêncio,
necessário ao estudo e às aulas, porque no domínio do pensamento, o silêncio é
indispensável. É Ele que nos permite a concentração, o recolhimento próprio para a
reflexão.
Façamos ainda o silêncio necessário à oração pessoal «Na verdade a oração, com os seus
diversos matizes – de louvor, de súplica, de invocação, de grito, de lamento, ou de agradecimento – ganha corpo a partir do silêncio» (CCDDS, Sugestões, 28)

Silêncio por favor. Permaneçamos em silêncio, diante do Senhor! (Sal.37,7)

Modéstia, como as mulheres devem se portar?

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A boca e o coração

Quantas coisas não se podem dizer da língua, das suas elevações e abismos, das suas contradições! Basta respigar por cima, como acabamos de fazer, na Sagrada Escritura, para dar
razão ao sentido pesar com que São Tiago escreve: Com ela [com a língua] bendizemos o Senhor nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procedem a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim! Porventura lança
uma fonte por uma mesma bica água doce e água amarga? Acaso, meus irmãos, pode a figueira dar azeitonas ou a videira dar figos?
(Tg 3, 9-12).
São palavras bem sentidas do Apóstolo, que apontam – falando sempre com imagens plásticas, como Jesus – diretamente para a “fonte”, para a raiz de onde brotam os bons e os maus influxos da língua. Trazem à memória os ensinamentos de Cristo: Uma árvore boa não dá frutos
maus, uma árvore má não dá bom fruto, porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos. O homem bom tira coisas boas
do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio
(Lc 6, 43-45).
Se quisermos uma chave para tudo quanto se possa dizer acerca da língua, estas últimas palavras de Jesus no-la dão. Elas vão ser como que um pano de fundo para todas as reflexões que virão a seguir e que visam contemplar a língua com olhos cristãos.
E, a propósito disto, vem-me à memória uma lembrança da infância, que é comum com certeza a muitos outros um pouco menos jovens. Quando – coisa não rara num garoto – irrompia uma indisposição intestinal que ia um pouco além do trivial cotidiano, aparecia em casa o doutor, essa figura impagável e inesquecível do médico de família. O Dr. Henrique, sempre um pouco despenteado à la Einstein, invariavelmente, após informar-se dos sintomas e das possíveis causas
(“que andou comendo este moleque?”), ordenava: – “Mostre a língua! Tire a língua!” E as crianças sabíamos que, das tonalidades da pequena língua esbranquiçada e às vezes sulcada de estranhos regos, o doutor amigo tiraria conclusões certíssimas, que se traduziriam numa receita indecifrável para todos exceto para o honesto farmacêutico que a manipularia.
Penso que o Senhor poderia dizer-nos também, como Médico divino: “Mostra-me a língua, e eu te farei ver o teu coração, porque as tuas palavras – com as suas mil tonalidades, cargas,
intenções e acentos – são um retrato falado do teu coração: dos teus sentimentos mais íntimos, das tuas purezas e sujidades, dos teus tesouros espirituais e das tuas carências lastimáveis. Não me
esqueças nunca que a boca fala daquilo de que o coração está cheio”.
Mostrar a língua, ver a língua e as suas fontes, procurar o modo de limpá-la, de elevá-la aos níveis do amor cristão e de torná-la instrumento da caridade e da verdade de Cristo, eis o objetivo
que se propõem estas páginas. Nelas começaremos com algumas considerações sobre a língua – a palavra – e o amor, para passarmos depois a uma reflexão sobre as relações indissolúveis que deve
haver entre a palavra e a verdade.

Pe. Francisco Faus - A língua

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Stabat Mater



Estava a Mãe dolorosa
Junto da Cruz, lacrimosa,
Da qual pendia o seu Filho. 
Banhada em pranto amoroso,
Neste transe doloroso,
A dor lhe rasgava o peito.

ó quão triste e quão aflita
Se encontrava a Mãe bendita,
Chorando o seu Unigénito.

Estava triste e sofria
Ë porque ela mesma via
As dores do Filho amado.

Quem não chora, vendo isto,
Contemplando a Mãe do Cristo
Em tão grande sofrimento?

Quem não se contristaria
Vendo a Mãe de Deus, Maria,
Padecendo com seu Filho?

Por culpa de sua gente
Viu a Jesus inocente
Cruelmente flagelado.

Viu seu Pilho muito amado,
Que morria abandonado
Entregando o Seu espírito.

Dá-me, ó Mãe, fonte de amor,
Que eu sinta a força da dor,
Para que eu chore contigo.

Faze arder meu coração
Do Cristo Deus na paixão,
Para que eu sofra com Ele.

Minha Mãe, ó dá-me isto:
Trazer as chagas do Cristo
Gravadas no coração.

Do teu Filho as feridas,
Para meu perdão sofridas,
Vem reparti-las comigo.

Quero contigo chorar
E a cruz compartilhar,
Por toda a minha vida.

Junto à Cruz contigo estar,
Ao teu pranto me associar,
Desejo de coração.

Virgem das virgens, preclara
Não me negues, Mãe tão cara,
Poder contigo chorar.

Que eu viva de Cristo a morte,
Da Paixão seja seu consorte,
Celebrando suas chagas.

Que meu coração magoado,
Pela Cruz apaixonado,
Seja em Seu Sangue remido

Por Maria amparado
Que eu não seja condenado
No dia de minha morte
ó Cristo, que eu tenha a sorte,
No dia de minha morte
Ser levado por Maria.

E no dia em que eu morrer,
Faze com que eu possa ter
A glória do Paraíso.

Amém.

Frei Jacopone de Todi

A vida de Santo Antônio

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Fazer tudo com Maria


“Et applicabuntur gentes multae ad Dominum in die illa et erunt ei in populum. Et habitabo in medio tui, et scies quia Dominus exercituummisit me ad te”. (Zc 2,15)
Há quase quatro séculos Nossa Senhora de Guadalupe é honrada como Padroeira milagrosa do México. Sua devoção espalhou-se por toda a América Latina, de que foi enfim, proclamada Padroeira principal.
Durante a Advento, o Senhor nos ordena, repetidamente, que preparemos o caminho para Ele. E nós sabemos que Ele está nos mandando abrir uma estrada no deserto, rebaixar todos os montes, aplainar todos os cimos, nivelar as escapas a aterrar os vales (cf. Is 40, 3-4). Mas como, exatamente, fazer isto?
Bem, basta olharmos o exemplo de Maria, aquela que pode ser considerada como expert em preparar o caminho para o Senhor, porque concebeu e deu à luz Jesus. Ela preparou o caminho do Senhor através:
1. Da obediência, e disse; “Ecce ancilla Domini; fiat mihi secundum verbum tuum”. (Lc 1, 38)
2. Da evangelização: “Exsurgens autem Maria in diebus illis abiit in montana cum festinatione in civitatem Iudae et intravit in domum Zachariae et salutavit Elisabeth”. (Lc 1, 39-40)
3. Da profecia: Ela anunciou que o Senhor “eposuit potentes de sede et exaltavit humiles; esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes”. (Lc 1, 52-53)
4. Do sofrimento: Ela acompanhou Jesus até “autem iuxta crucem” (Jo 19, 25).
5. Da oração: “Hi omnes erant perseverantes unanimiter in oratione cum mulieribus et Maria matre Iesu et fratribus eius”. (At 1, 14)
Hoje, quando celebramos a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira das Américas, fica bem claro para nós a qualidade da ação de Maria. Lá no México, centenas de anos atrás, nos arredores da Cidade do México, Maria preparou tão bem o caminho para o Senhor que, em sete anos, oito milhões de pessoas deram sua vidas a Jesus.
Com determinação semelhante, preparamos o caminho do Senhor. Nossa Senhora de
Guadalupe, ora pro nobis.

Referências bibliográficas
http://www.vatican.va/archive/bible/nova_vulgata/documents/nova-vulgata_novumtestamentum_
lt.html
GRAMAGLIA, pe. Irineu; DALBOSCO, fr. Pascoal. Missal Romano. 3ª Edição. São Paulo:

Editoras Paulinas, 1963.
Marcos Vinícius Faria de Moraes

domingo, 9 de junho de 2013

O coração da Mãe de Jesus




Ontem celebrávamos a solenidade do Coração fissurado de Jesus e hoje temos diante de nossos olhos a figura de sua Mãe da qual contemplamos o Imaculado Coração. Desde nossa infância aprendemos a ter um carinho todo especial para com a Virgem transparente, aquela que, ao entrar nesse mundo foi preservada da desordem do pecado e que, terminados os seus dias mortais, foi assumida em corpo e alma na gloria.


Menina moça, seu coração experimentou alegria quando do nascimento de seu menino, desse dom que lhe foi dado pela bondade do Altíssimo. O Senhor havia olhado para sua humildade. E agora lá estava o Menino das Palhas. Quantos pensamentos em seu coração!!! O que seria dessa criança? Alegria de um coração de mulher mãe e apreensão a respeito do futuro desse que havia sido modelado na pobreza dessa serva e na transparência de seu coração.

A Maria se aplicam as palavras de Isaías na primeira leitura desta liturgia: “ Exulto de alegria no Senhor e minha alma se regozija em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me como um manto de justiça e adornou-me como um noivo, com sua coroa, ou como uma noiva com suas joias”. A cheia de graças, a agraciada, tem sempre em seus lábios o cântico de gratidão que brota de seu puríssimo e transparente coração.

Mais tarde, no meio da multidão que pedia a condenação de Jesus estava Maria, acompanhando de longe a solidão e o sofrimento do filho diante de Pilatos e no alto da cruz. Maria tinha vontade de gritar, mas levando essas coisas ao fundo do coração, oferecia-se com o Filho. Sim,lá está ela ao pé da cruz. Feito um soldado, ali, na hora das horas, junto de seu filho. Sofrendo e chorando, tendo vontade de gritar e, ao mesmo tempo, murmurando preces, ela se lembrava de tudo… e tinha somente vontade de levar essas coisas ao fundo do coração. O Filho consumava tudo, entregava-se ao Pai. A mesma espada de dor que atingia o coração de Jesus, no dizer de São Bernardo de Claraval, era cravada no coração da Mãe.

Michelangelo esculpiu no mármore uma das tocantes obras de arte de todos os tempos: a Pietà, Maria recebendo em seu colo o Filho morto. Neste momento as dores de Maria atingem seu clímax. Ali ela esta desolada. Ela, com seu coração alegre e seu coração dilacerado esteve bem unida ao Coração de seu filho, o salvador da humanidade e aquele cujo coração na cabia no peito. T