quinta-feira, 30 de maio de 2013

Modéstia como as mulheres devem se portar - Parte I

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A Virgem Maria, Mãe e membro da igreja



Em primeiro lugar, nós somos convidados, pela Igreja, a ter uma visão católica da Virgem Maria. Mas o que isso quer dizer? Isso nos dizer que precisamos ter uma visão do todo, sem se prender a uma ou outra característica apenas. 

A heresia é, justamente, o oposto. É quando o indivíduo escolhe em que acreditar, ou seja, apenas o que é conveniente para ele naquele momento. Assim como acontece quando muitas pessoas reconhecem Maria como mãe de Jesus, mas não aceitam o dogma da Imaculada Conceição. 

Nossa Senhora não pode ser comparada com qualquer fiel, apesar de ter sido uma, pois ela foi responsável por gerar e educar o Salvador. Nenhuma pessoa, na história, teve um papel tão importante na missão salvífica de Jesus quanto Maria. 

Este ano celebramos os cinquenta anos do Concílio Vaticano II e, ainda naquele tempo, existiam muitas visões sobre a figura de Maria na Igreja. Foi quando o Servo de Deus, Paulo VI, declarou Maria como membro da Igreja, mas também como Mãe da Igreja. 

Pode parecer contraditório, em um primeiro momento, imaginar que ela tenha sido salva antes da vinda do Salvador, não é? Porém, para Deus não existe tempo, por isso, o sacrifício de Cristo, na cruz, foi responsável pela salvação ainda no ventre de sua mãe Sant'Ana. 

Maria foi preservada do pecado original por meio do sacrifício do seu Filho Jesus, pois para Deus nada é impossível. É justamente isso que a difere de qualquer outro santo da Igreja, porque, de alguma forma, ela foi colocada em uma missão. 

Jesus é o nosso Salvador, mas Ele não quer que a salvação aconteça sem a nossa participação. Prova disso é que Ele não precisaria de apóstolos, bispos, padres, catequistas, diáconos, etc; bastaria desejar que o mundo inteiro conhecesse o Evangelho por ciência infusa, mas esse não é o desejo do Seu coração, porque não seria um gesto livre na nossa parte. 

Nós vivemos, neste mundo, em constante luta. Por isso, não podemos reclamar por viver tribulações diárias, pois Ele quer usar cada um de nós para nos salvar e salvar os outros. Isso não significa que a salvação de Cristo tenha sido incompleta, mas sim que Ele deseja nos inserir, um dia, na Sua glória e deseja que façamos parte, desde, já da Sua missão de salvação. 

Imagine um mar infinito, e você tem, aqui, uma fogueira que é o demônio. É claro que não terá lógica derramar todo o mar sobre a fogueira, correto? Exatamente, por isso, o demônio não enfrenta Deus, pois sabe que a derrota é certa. Mas, por conta disso, ele deseja usar de nós para atingir o Senhor, assim como é muito mais glorioso para Deus ver Seus filhos lutando contra o demônio e saindo vencedores. 

Houve uma pessoa especial, escolhida por Deus, para fazer o demônio passar vergonha. Prova disso é, durante os exorcismos, a forma com que o maligno se contorce diante do nome da Virgem Maria. Isso acontece, porque ele sabe que ela é completamente o seu oposto, que, por meio da humilhação, foi exaltada pelo Senhor. 

Deus trouxe a salvação para o homem por meio de Jesus, o qual foi gerado no seio de Maria. Por isso, se quisermos fazer parte da glória de Deus, deveremos também ser gerados no ventre de Maria. Somos todos católicos, por isso não precisamos olhar para ela apenas como a serva humilde e esquecer dela como Rainha do Céu. 

Deixamos de economizar elogios a Nossa Senhora por medo de diminuir a glória do Senhor, mas, quando reconhecemos a grandeza daquela que foi escolhida pelo próprio Deus, damos glória a tudo o que Ele fez e ainda faz pela humanidade. T


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Ser escravo da Virgem Maria


Quando falamos da Virgem Maria, não estamos falando de uma devoção qualquer, mas sim da verdadeira devoção. No latim, "consagrar-se" quer dizer "entregar-se totalmente". 

O 'Tratado da Verdadeira Devoção' é fazer da nossa vida uma entrega à Virgem Santíssima por meio de uma escravidão de amor. 

Iniciemos com o Senhorio de Jesus: "Jesus é o Senhor e ninguém duvida disso, por isso precisamos escolhê-Lo como Senhor e sermos escravos d'Ele. Mesmo que essa palavra o assuste, saiba que é uma escravidão de amor. Devemos nos colocar diante de Deus como serviço, entender, a partir da parábola do filho pródigo, que era filho e, estando bem em casa, quis ser livre. Sentia-se sufocado e por isso pediu a sua herança; gastou-a de forma devassa e, quando acabou, foi alimentado pela comida dos porcos. 

Você se proclama livre para fazer o que quer, mas, agindo dessa forma, age a favor do demônio, sendo escravo dele por meio do pecado. Como fugir da ocasião do pecado? Em Lucas, 15, nesta parábola, percebemos que o filho, ao cair em si e ver que estava errado, quis voltar para casa do pai. 

Nossa Senhora, ao dizer 'sim' ao anjo, assumiu-se como escrava dele. Deus, como Nosso Senhor, é dono de tudo. Na parábola, o filho se coloca na posição de escravo e o pai o recebe em seus braços: você se coloca como escravo, termina livre; quando se coloca como livre, se torna escravo. 

A palavra "escravo", aqui no Brasil, é a noção de negros que vieram da África e trabalhavam para os seus patrões. Já na época de Jesus, se a pessoa trabalhasse, deveria guarda um dinheiro, pois, em sua velhice, ele não teria ajuda da Previdência como nós temos. Nesse sentido, o fato de você ser apenas empregado, na época de Jesus, deixava-o em uma posição desconfortável quanto ao futuro. Já aquele que se assumia como escravo tinha uma vida mais tranquila na velhice. Não estou justificando, mas estou trabalhando a realidade da diferença da época de Jesus com a de hoje. 

Quando dizemos que somos escravos de Jesus, nós O assumimos como Senhor de nossa vida e de tudo o que temos, ou seja, somos propriedades do Senhor. Se essa palavra caí de forma estranha dentro de você, saiba que essa escravidão de amor nos torna livres. 

Nosso problema é que não conseguimos nos entregar a Jesus, mas assumimos Maria como Nossa "Senhora". São Luiz Maria, em seu Tratado, mostra-nos que Jesus também era submisso a Maria e que ela era Sua Senhora. Durante 30 anos, Jesus tornou-se submisso a Ela. Deus quis vir ao mundo pelo ventre de Maria e, da mesma forma, ele quer vir no mundo de hoje pelas mãos dela. Deixemo-nos encontrar por ela para que o Senhor também venha a nós. 

O reinado de Jesus, no mundo, acontecerá pelas mãos de Maria, ou seja, não é uma devoção qualquer, mas se trata da nossa salvação. Se não houvesse o 'sim' de Maria, nós estaríamos perdidos. Pelo 'sim' dela, a salvação foi gerada em nós. 

“Maria é nossa Mãe na hora da graça. Por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de Seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Com isso, ela é 'membro supereminente e absolutamente único da Igreja', sendo até a 'realização exemplar' da Igreja” (CIC 967). No caminho da graça e da santidade, Maria é a Mãe de tudo, é Mãe da nossa salvação. No CIC 969 lemos: “Esta maternidade de Maria, na economia da graça, perdura ininterruptamente a partir do consentimento que ela fielmente prestou na anunciação, que sob a cruz resolutamente manteve até a perpétua consumação de todos os eleitos. Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (...) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora. protetora, medianeira." 

"Na prática, devemos fazer tudo para Jesus por meio de Maria!" 

A partir do 'sim' de Maria, daí para frente ela é geradora do filho. Não é possível receber o Cristo sem Maria. Jesus é o Redentor que foi gerado no seio de Maria. Ela disse 'sim' desde o anúncio até morte de Cristo na Cruz. 

Existe, em todo o mundo, mais de um bilhão de católicos atendidos pela mulher para com a qual Deus olhou com humildade: essa é Maria, a elevada acima dos anjos. É importante que a elevemos com nossas orações, pois o tempo em que ela era escrava aqui na terra permaneceu escondida. Maria deve brilhar e brilhar para sempre. Nós não precisamos ter medo, pois Nossa Senhora é um exemplo para nós. O que ela realizou, na terra, foi o que Deus realizou no Céu. Deus gerou o filho no Céu, Maria gerou o filho na Terra. 

Maria deve reinar em nossos corações. Existe uma diferença entre o reinar dela com o de Jesus. O reino de Cristo só tem um jeito de acontecer: Ele reinando em nossos corações. 

Na prática, devemos fazer tudo para Jesus por meio de Maria. Esse é o caminho da humildade. Jesus é o sol e Maria é a lua. Você entrega seu corpo como escravo de Nossa Senhora. Como sinal de amor, ela o recebe. Exemplo: quando você for ver um filme, pergunte se Nossa Senhora o assistiria. É questão de ter maturidade, pois quantas e quantas coisas nós não faríamos na frente dela!

Muitos de nós sentem-se ofendidos quando, ao cantar a “Consagração” de Nossa Senhora, em uma parte se canta ou se reze: “coisa e propriedade vossa”. Amados, portem-se como escravos diante de Maria, que ela irá te tratar como filho. T


terça-feira, 28 de maio de 2013

O ícone da Santíssima Trindade, de Roublev


 Moscou, 1.425
Gênesis18,1-13

Por Drutmar Cremer.

Pode parecer estranho falar do Senhor, uma vez que n’Ele há três pessoas. Pode-se também falar d’Ele no plural. A Revelação que Deus fez d’Ele mesmo em três é a base da compreensão deste ícone russo do XV século. É verdadeiramente uma meditação em uma mensagem teológica profunda.Os três anjos sentados à mesa expressam, ao mesmo tempo, a autoridade e o amor que existem entre Eles. Ao redor da cabeça, as auréolas, as asas e a semelhança das três pessoas, pode-se fazer um círculo que é o símbolo da eternidade, sem princípio e sem fim.Entre os pés dos dois anjos, um triângulo verde representa a Trindade. Está aberto no exterior para nos convidar a entrar nessa comunhão com as três pessoas. Estes três anjos se assemelham em sua atitude, sua fisionomia, suas asas, sua cabeleira e no cetro que cada um tem na mão. A auréola em torno das cabeças é o símbolo da Santidade. Os anjos partilham intimamente sua unidade. Entretanto, podem-se notar as diferenças.

O anjo à esquerda representa Deus, o Pai de onde vem o poder e a Palavra. Ele se mantém majestoso em sua túnica púrpura dourada, segurando o cetro com as duas mãos, símbolo da dignidade que Ele espera em silêncio. Ele olha com amor seu Filho sentado do outro lado da mesa. Neste silêncio tão pleno, pode-se quase ouvir o Filho de Deus dizer um “SIM” sagrado à vontade Santa de Deus.

O Filho aceita fazer-se homem e inclina a cabeça. Ele põe sua mão aberta sobre a mesa que, conforme a velha tradição russa significa a terra. A aceitação de fazer-se homem e um “SIM” único do Filho ao mundo, pois tudo foi “criado para Ele e por Ele” (Col 1,16).

Nós podemos nos perguntar se todo engajamento de um homem feito livremente por Deus não é um eco da Palavra do Pai ao mundo. “Quem possui o Filho possui a vida” (I Jo 5,12). O Filho também veste uma túnica verde, símbolo da vida.

O Espírito, o 32º anjo, olha o Pai. O ciclo da vida se fecha com o Espírito. O Espírito escuta o Pai. Ele inclina a cabeça como o Filho e sua atitude de disponibilidade é reforçada. Suas asas estão sobre as do Pai e uma asa aflora com ternura a do Filho. O que Ele escuta do Pai volta ao Filho. É isso que significa sua mão direita e os dedos que abençoam; a mão descansa sobre a mesa ao mesmo nível que a do Filho. Neste mundo, o Filho se oferece em perfeito sacrifício a Deus através do Espírito eterno. (Hebreus, 9,14).

O cálice ao centro desta Santa Comunidade lembra a realidade do sacrifício. O Espírito Santo é o servidor, o inspirador do diálogo entre o Pai e o Filho, como mostra a estola do diácono no seu vestido. Uma corrente de vida passa pela Santíssima Trindade, o Amor torna-se Palavra e púlpito quando o Filho se faz homem; a história se completa quando o Filho morre na cruz. A árvore ao fundo lembra isso, é o carvalho de Mambré ou mais? É a arvore do jardim do Paraíso contrastando com a árvore da Cruz no Gólgota.

Em Jesus e em sua vida, Deus que era estrangeiro e distante, passou a ser o Deus próximo e presente. Em Jesus, nós podemos ver Deus. Ele procura a terna afeição não à distancia; dá um amor pronto para o sacrifício, dá sentido a tudo quanto existe no mundo, pois Ele está além da compreensão. Ele nos convida a entrar nesse jorro “da Vida Trinitária”.

Mas uma coisa e necessária: o “SIM” vindo do coração, o “SIM” da alegria que se torna Esperança. T

Sede de sabedoria, espelho de justiça

Mãe santa,
fazei-nos amar o
dom de Sabedoria,
o mais alto dos dons do Espírito Santo,
que nos faz maravilhar-nos
e saborear com gosto extasiado
– numa sintonia feliz e uma união inefável –
as grandezas de Deus,
as belezas de Deus,
as bondades de Deus,
os abismos de luz dos mistérios de Deus,
as maravilhas da Graça divina
e as exigências santas do Amor.
Mãe, consegui do Espírito Santo para nós,
sem falta
– atrevemo-nos a pedir-vos assim,
com ousadia –,
que cada vez nos enamore mais o Rosto de Cristo
e a Palavra de Cristo,
a Vida de Cristo
e a Morte de Cristo..
Que O procuremos com ânsia,
com uma sede que a cada dia cresça,
e estejamos decididos a imitá-Lo
e a segui-Lo,
e a abraçá-Lo
como nosso único bem,
como o nosso único
Caminho, Verdade e Vida.
Ajudai-nos, Mãe, a dizer,
com São Josemaria:
"Jesus: ver-Te, falar contigo!
Permanecer assim, contemplando-Te,
abismado na imensidade.
da tua formosura,
e não cessar nunca, nunca,
nessa contemplação!
Oh, Cristo, quem Te pudesse ver!
Quem Te pudesse ver,
para ficar ferido de amor por Ti!"
De maneira muito especial, Mãe,
rogai ao Espírito divino
que acenda em nós
– como um carvão em brasa –
um amor cativado, louco,
cheio de indizíveis doçuras,
pelo mistério da Sagrada Eucaristia,
"que contém todo o bem espiritual da Igreja:
pois nela se contém o próprio Cristo".
A Eucaristia!
É neste mistério que está presente
o
Amor que chegou até ao fim
,
até à entrega plena da vida na Cruz,
por nós, os pecadores,
e pela nossa salvação.
Dai-nos fome desse Pão Vivo,
que nEle nos transforma,
quando nos alimenta;
e que ao mesmo tempo é nosso grande Amigo,
"que nunca atraiçoa",
sempre à nossa espera
em cada um dos Sacrários da terra.
Alcançai-nos, Mãe, ainda,
que, com o
dom de Sabedoria,
saibamos captar com júbilo
e agradecer sem cansaço
a beleza da entrega total,
a paz profunda e o gozo sereno
da fidelidade à nossa vocação,
tanto nas horas fáceis como nas difíceis.
Que nos ensine a entoar
o cântico do coração generoso
que não quer entregar-se pela metade,
mas dar-se inteiro
a Deus e a todos os irmãos.
Coração generoso que estremece,
"com ânsias em amores inflamado",
na gloriosa esperança de chegar um dia
– conduzindo uma multidão de irmãos –
à gloriosa morada do Céu,
à fogueira indescritível de Amor
que é a Santíssima Trindade.
Mãe, nós vos pedimos
que o vosso Coração Imaculado
nos ajude de tal modo, que possamos proclamar
agora e na hora da nossa morte:
Nós conhecemos o Amor de Deus
e acreditamos nele.
Bem sabemos que, infelizmente,
quando esse dom é expulso da alma
por nossa culpa,
as coisas de Deus se nos tornam insípidas e tediosas,
assim como os mais deliciosos manjares
se tornam repugnantes ao paladar estragado.
Fazei com que compreendamos
o que dizia o Servo de Deus Álvaro del Portillo:
"Que tristeza causa uma alma tíbia!
Uma alma que teve labaredas de amor de Deus,
de zelo pelas almas;
um coração que experimentou as alegrias da entrega generosa
e que começa a perder fogo, calor,
pouco a pouco,
até terminar na mais lamentável indiferença
perante tudo o que não satisfaz
o seu próprio egoísmo carnal ou espiritual".
Não permitais, Mãe do belo amor,
que as coisas de Deus
cheguem a nos causar jamais
nem cansaço, nem repugnância, nem tédio,
por nos termos afundado
no abismo da tibieza!


Pe. Frasciscus Faus - A tibieza e od dons do Espírito Santo

domingo, 26 de maio de 2013

Recomeçar sempre!


Recomeçar sempre!

Não desista nunca,
Nem quando o cansaço se fizer sentir,
Nem quando os teus pés tropeçarem,
Nem quando os teus olhos arderem,
Nem quando os teus esforços forem ignorados,
Nem quando a desilusão te abater,
Nem quando o erro te desencorajar,
Nem quando a traição te ferir,
Nem quando o sucesso te abandonar,
Nem quando a ingratidão te desconsertar,
Nem quando a incompreensão te rodear,
Nem quando a fadiga te prostrar,
Nem quando tudo tenha o aspecto do nada,
Nem quando o peso do pecado te esmagar...

Invoque Deus, cerre os punhos, sorria... E recomece!

Adorar VS Venerar


Poderão dizer que venerar e adorar são a mesma coisa, pois o dicionário Aurélio traz esta como sinônimo daquela. Vamos ver?
Bem, nenhum dicionário é tratado de epistemologia, de hermenêutica ou de exegese. E qualquer estudo mais sério de sinonímia dirá que não há sinônimo que seja absolutamente equivalente.
Ainda que se existem duas palavras distintas para designar algo ou uma ação, é porque cada uma delas dá um matiz diverso da coisa ou da ação designada. Se duas palavras são absolutamente idênticas, a
língua tende a eliminar uma delas.
Assim, adorar não é venerar, nem, muito menos, idolatrar. Cada uma dessas palavras tem sentidos diferentes.
Se o pai-dos-burros não faz essa distinção, é porque é um pai-dos-burros muito pouco sábio. E apesar de o mais famoso pai-dos-burros, no Brasil, se chamar Aurélio, se compará-lo com qualquer pai-dosburros
estrangeiros, verá logo uma diferença... uma diferença... digamos... gigantesca.
Adorar significa reconhecer como Deus, criador de todas as coisas. Idolatrar, embora o Aurélio não explique isso, significa em certo sentido o oposto, pois designa a ação de adorar uma criatura em vez de
adorar o Criador.
Materialmente, a ação de adorar e a ação de idolatrar são idênticas. Formalmente são opostas.
Um exemplo didático para compreender a diferença entre matéria e forma, na consideração de uma
ação:
Um médico que opera o coração de um doente e um assassino, materialmente, agem da mesma
forma: abrem o peito de um ser humano com instrumento perfurador e cortante (bisturi ou punhal). Entretanto,
formalmente suas ações são opostas, pois um tem por fim curar o homem de quem abriu o peito; enquanto o
outro visa tirar a vida de quem abriu o peito com o punhal.
Assim quem adora a Deus e quem adora o ídolo materialmente fazem as mesmas coisas, que formalmente são opostas. Por isso é que existem as palavras adorar e idolatrar.
O Aurélio diz que adorar, venerar, idolatrar, amar extremamente são sinônimos. E quem o seguisse, concluiria que, quando alguém diz: “Eu adoro chocolate”, estaria considerando que chocolate é o
Criador do céu e da terra. E quando alguém dissesse: “Amo extremamente meus filhos”, estaria - na opinião
do Aurélio - cometendo ato de idolatria, já que para ele, amar extremamente é o mesmo que adorar.
O vê para que atoleiro nos conduziu o pai-dos-burros? O melhor e deixar de lado o pai-dos-burros.
Sair do atoleiro. Ser “órfão”. Pelo menos quando discutir religião ou filosofia, não nos baseemos em dicionários populares; seja “órfão”, repito.
No II livro dos Reis (18,3-4) que o Rei Ezequias destruiu a serpente de bronze feita por Moisés.
“Fez o que é bom aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai. Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela. (Chamavam-na
Nehustã).” 2Rs (18,3-4)

Pois o que prova esse texto?
Prova:
1) que Moisés fizera de fato uma serpente de bronze;
2) que essa serpente fora conservada pelos judeus durante longo tempo;
3) que eles acabaram por adorá-la ou a prestar-lhe culto indevido;
4) que por isso, Ezequias a quebrou.
Teria agido mal Moisés ao fazer a serpente de bronze? É claro que não, pois foi o próprio Deus
quem ordenou fazê-la e olhar para ela para que os judeus se curassem.
Erraram os judeus conservando-a? É evidente que não, porque mostravam gratidão e obediência a
Deus. E entre os que conservaram estavam Moisés, Josué, os Juízes, Daví, Salomão. Será que todos eles
estavam errados? Será que nenhum deles tinha um “Aurélio” - um dicionário à mão para saber que adorar,
venerar, reverenciar, amar extremamente é tudo a mesma coisa? Por que, durante tantos séculos, Deus e
seus enviados permitiram que se guardasse a serpente de bronze?
É evidente que permitiram porque ela não era adorada. Quando a transformaram abusivamente em ídolo, Ezequias a destruiu. Abusus non tolit usum. O abuso não tolhe o uso. Se alguém abusa do culto de dulia de um santo e de sua imagem, e passa da veneração a idolatria, isso é um abuso condenável que não
proíbe nem invalida o culto de dulia - e não de latria - de um santo e de sua imagem.
Erraram depois os judeus transformando-a em ídolo? Evidente que sim, e, por isso fez bem Ezequias em destruí-la. Portanto, enquanto não se adora uma imagem como se fosse Deus, é lícito tê-la e mesmo “olhar para ela para ser curado” como Deus mandou.
E nenhum católico de verdade olha para uma imagem de Nossa Senhora e dos santos julgando que sejam Deus e adorando essas imagens. Nós as veneramos tal como um filho venera o retrato de sua mãe.
E quando rezamos para Nossa Senhora, só repetimos o texto de São Lucas — “Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. (Lc 1,28). Em São Lucas se lê ainda: “Todas as gerações
me chamarão de bem aventurada” (Lc 1,48). Todas as gerações chamarão a Virgem Maria de bem
aventurada.
Nosso Senhor Jesus Cristo escolheu doze apóstolos para ensinar a todos quem Ele era, e quem não ouve esses mediadores de Cristo, não ouve o próprio Cristo: “Quem vos ouve, a Mim ouve” (Lc 10,16).
Cristo exigiu que ouvíssemos seus apóstolos e evangelistas como “mediadores segundos”, entre Deus e nós.
E a Pedro Ele disse: “E tu, depois de convertido confirma teus irmãos”. A nenhum outro Ele deu essa missão.
“Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na
terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será
desligado nos céus”. (Mt 16,19)

Por Rosivaldo Moreira da Silva

Imagens: Adorá-las ou Venerá-las?

Êxodo 20,4-5
“Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam,” (Ex 20,5)

Habacuque 2,18-19
“De que serve a imagem esculpida para que o escultor a talhe? E o ídolo fundido, que só ensina mentiras, para que o artífice nele ponha a sua confiança, fabricando divindades mudas? Mas o Senhor reside em sua santa morada; silêncio diante dele, ó terra inteira!” (Hab 2, 18-19)

“Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas
extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, fixando-os de
modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão
esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com
elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada. Colocarás a tampa
sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der. Ali
virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que
estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens
para os israelitas.” (Ex 25, 18-22)

Por Rosivaldo Moreira da Silva

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Jesus ama o "trivial cotidiano"

Jesus fez questão de valorizar, de mostrar como é importante o “trivial cotidiano”. Eu tenho um conhecido que até chorava de emoção ao pensar nesta cena: “Você – dizia - não percebeu como é maravilhoso? Cristo farofeiro! O Filho de Deus, farofeiro!”

Esse meu amigo se alegrava justamente ao perceber o carinho com que Cristo vê e valoriza a nossa vida diária, as pequenas coisas da vida, que às vezes nos parecem tão longe dos grandes ideais, e concretamente tão longe do ideal cristão de Amor e de santidade...E esquecemos que Jesus passou trinta anos vivendo com amor a “rotina dos dias”, no lar de Maria e José, tendo uma vida normal, discreta e simples, de família, de trabalho..., sendo, como se lê no Evangelho, 
o carpinteiro
, o filho do carpinteiro... E aquilo era a “vida do Deus feito homem”, cheia, portanto, de grandeza divina, de santidade. Com ela estava nos redimindo, estava nos salvando.


Se refletirmos um pouco, perceberemos que esta cena de Cristo que pesca juntamente com os discípulos, e prepara o almoço, e toma a refeição com os amigos, e conversa com eles à beira do lago é um símbolo do que deveria ser cada um dos nossos dias. Também nós podemos acordar cada manhã (pensemos na manhã da segunda-feira
mais cinzenta de todas), e – se nos tivermos lembrado de rezar e oferecer o nosso dia a Deus – , poderemos ver, com a luz da fé, que Jesus está junto de nós e nos diz: “Vamos começar o dia juntos, vamos trabalhar juntos, vamos tratar bem os outros, vamos fazer do “trivial cotidiano” uma aventura de Amor...”.

Seria tão bom que conseguíssemos ser cristãos que rezam, que se lembram com fé de Deus durante o dia inteiro! Bastaria, para isso, às vezes, trazer um crucifixo no bolso, ou um terço, e rezar as orações que amamos, também pela rua; e dizer muitas breves jaculatórias – do tipo “Jesus, eu te amo! Jesus, dá-me um coração como o teu!” – no trânsito, e ao iniciar uma tarefa, e ao morder os lábios para não xingar ou resmungar ou falar mal dos outros.... Se conseguíssemos conversar com Cristo até dos detalhes mais triviais, com certeza se acenderia uma luz nova no nosso coração e, com essa luz, veríamos de uma maneira “nova” todas as coisas que, com Ele, nunca ficam gastas, puídas, aborrecidas e rotineiras. Entenderíamos então por que Jesus nos diz:
Eis que eu faço novas todas as coisas (Ap 21,5).


Pe. Franciscus Faus - Meditações sobre a ressurreição

quinta-feira, 23 de maio de 2013

São José Operário



Nesta festa de São José Operário pode ser de proveito refletir sobre algumas linhas do Bem-aventurado Papa João Paulo II em sua Exortação Apostólica Redemptoris Custos:


Uma das expressões cotidianas de amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de atividade mediante o qual José procurava garantir o sustento da família: o ofício de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus, este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o evangelista, em seguida ao episódio acontecido no templo: Depois desceu com seus pais para Nazaré e era-lhes obediente (Lc 2,51).

Esta submissão, ou seja, esta obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado o filho do carpinteiro (Mt 13,55), tinha aprendido o ofício de seu pai adotivo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, pode-se também, analogamente, dizer o mesmo do trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro.

Em nossa época a Igreja pôs em realce este aspecto, com a inclusão da memória litúrgica de São José Operário, fixada no dia 1º de maio. O trabalho humano, em particular o trabalho manual, é de modo especial valorizado no Evangelho. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus, ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças à oficina de trabalho, onde ele exercia o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção.

A importância do trabalho na vida do homem exige que se conheçam e se assimilem todos os seus conteúdos, para, através dele ajudar os demais homens a aproximarem-se de Deus, Criador e Redentor, e a participarem de seus desígnios salvíficos relacionados ao homem e ao mundo. Teria ainda o trabalho um papel relevante na vida do homem com Cristo, participando, mediante uma fé viva, na sua tríplice missão de sacerdote, profeta e rei.

Trata-se, em última análise, da santificação da vida cotidiana, na qual cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que por ser proposta de acordo com um modelo acessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o cristianismo enaltece para grandes destinos; é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se exigem ações grandiosas, mas são indispensáveis virtudes comuns, humanas e autênticas. T

Jamais caminhe para trás

As coisas não valem pelo tempo que duram, mas pela intensidade como são vividas
Certeza de que os pais se amam e certeza de que são amados pelos pais, eis a segurança dos filhos. Esta dupla certeza de amor é que criará um ambiente adequado, favorável para o equilíbrio emocional dos filhos e condições para uma boa e sólida educação. O pai e a mãe são o mundo da criança. Quando este mundo está em paz, vive unido, impregnado de amor, a criança sorri feliz. O olhar brilha mais que uma estrela do céu, o rostinho se ilumina pela alegria e seu sorriso se torna mais lindo que uma flor. Ela vive tranquila, tem bom apetite, dorme tranquila, progride no estudo e obedece com mais facilidade. A criança vive feliz e sendo feliz ela se torna boa. Porém, quando os pais vivem desunidos, em desarmonia, discutem e brigam, a criança fica triste. O olha r perde o brilho, o rostinho se entristece, o sorriso desaparece, murcha como uma flor sem água. Ela perde o apetite, alimenta-se mal, dorme mal, vive assustada, intranquila, o estudo não vai bem e ela obedece com muita dificuldade. Com a desunião dos pais, a criança vive infeliz e sendo infeliz é provável que se torne má.

Frei Anselmo Fracasso, OFM


Na vida jamais podemos caminhar para trás. Não podemos inverter o tempo e fazer o relógio andar para trás, procurando recuperar os belos dias passados você deve viajar adiante, para frente! Dia por dia, ano por ano. Você não pode parar. Ninguém pode fazer parar o tempo. Quando aparecem encruzilhadas, egoísmo enlouquecido, ambição doentia são a luz vermelha na vida. Atrás dela existe o perigo de caminhos errados e abismos. Bondade, solicitude, discrição mudam a luz de seu caminho para verde. Faça aquecer o motor de seu coração. E não esqueça que há uma chave de ignição: o amor.
Phill Bosmans

Ao encontrar alguém, cumprimente sempre sorrindo e enviando pensamentos de paz, saúde e prosperidade para esta pessoa. Cuidado com a primeira impressão. Lembre-se de que não devemos julgar ninguém. Se for um inimigo, tente fazer o mesmo. Se não conseguir, busque ignorar esta pessoa. Não envie pensamentos de mágoa e revolta sobre ela. Os pensamentos.
Iran Ibrahim Jacob

FONTE: Reply
 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Oração pela Vitória


Vem, Espírito Santo, e ilumina nossa mente com a luz do céu. Remove todos os obstáculos que possam existir em nós e que nos impedem de caminhar na luz. Enche-nos de esperança renovada.
Fortalece-nos para que possamos permanecer firmes na verdade de Cristo.  Ajuda-nos a usar com sabedoria os dons recebidos, para a honra e glória de Deus.

Senhor Jesus, nós Te convidamos a entrar em nosso coração e em nossa alma, em nosso corpo e em nossa mente.  Pedimos-Te que caminhes conosco em nossa jornada por este mundo repleto de pecado e de escuridão. Ajuda-nos a ficar sempre em união Contigo e com o Espírito Santo.  Que nossa vontade se una à Tua para fazer a vontade do Teu Pai, do nosso Pai celestial.

Amado Pai, humildemente nos submetemos a Ti e pedimos que veles por nós e nos protejas de todo mal. Aceitamos prontamente tudo aquilo que, em Tua Providência, nos tens dado.
Nós Te amamos e sabemos que Tu nos amas.
Ajuda-nos a conhecer cada vez mais o amor à medida que somos iluminados pela luz de Cristo.

Maria, Mãe querida, pedimos que tu venhas e fiques conosco. Nós te convidamos a entrar em nosso coração e pedimos que nos conduzas cada vez para mais perto do teu Filho e nosso Salvador, Jesus Cristo.
Como nossa Mãe no céu, vela por nós e envia teus anjos para que nos guardem e protejam.
Pedimos que conduzas os santos a constantemente intercederem por nós junto ao Pai.
Pedimos que, como nossa Mãe amadíssima, intercedas sempre por nós junto às três Pessoas da Santíssima Trindade, de modo que possamos caminhar fiel e vitoriosamente no caminho da vida.

Oramos em nome de Jesus. † Amém! Aleluia! Amém!


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Pe. Fraciscus Faus - Amor à Missa. O céu sobre a terra

 A luz “tabórica”

            Se fôssemos capazes de «ver» com os olhos da fé as riquezas divinas que encerra a Missa, reagiríamos como São Pedro no dia da Transfiguração de Jesus. Diríamos, cativados, ao assistir à Missa: Como é bom estarmos aqui, e teríamos, como ele, desejos de perpetuar aqueles momentos (Cf. Mt 17,4).
            Acho que você se lembra bem da cena da Transfiguração. Foi aquele dia em que Jesus pediu a Pedro, Tiago e João que o acompanhassem até o alto de uma montanha para orar - a tradição diz que era o monte Tabor -, e lá se transfigurou na presença deles. Seu rosto, seu corpo, suas vestes, começaram a brilhar como o sol, deixando entrever a maravilha indescritível da divindade de Cristo, que no dia-a-dia ficava oculta na sua humanidade (Cf. Mt 17,2; Mc 9, 2 e 5; e Lc 9,29 e 33). Essa luz que extasiou os três Apóstolos e lhes fez vislumbrar a beleza divina de Jesus com a qual nenhuma beleza humana se pode comparar, é às vezes chamada de «luz tabórica» (do Tabor).
            Pois bem, a Missa - como já víamos - «é uma Pessoa», é Jesus, Deus e Homem verdadeiro. Se, por um milagre, um raio de «luz tabórica» nos fizesse enxergar na Missa a divindade de Cristo, realmente presente no altar após a Consagração (e presente, depois, nos sacrários), ficaríamos extasiados, deslumbrados, arrebatados por uma alegria indescritível. E, além de Cristo irradiando os fulgores da divindade, veríamos também o que diz João Paulo II na Encíclica sobre a Eucaristia (n. 19):
            «A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de Céu que se abre sobre a terra. É um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as  nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho».
Um pedaço do Céu que se abre sobre a terra
            Você entende? O Papa, nesse texto que acabo de citar, refere-se à imagem do Céu como Jerusalém celeste, que São João contempla no Apocalipse: Vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém … Ao mesmo tempo, ouvi do trono [de Deus] uma grande voz que dizia: «Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo e Deus mesmo estará com eles» (Apoc 21,2-3).
            Nessa cidade celestial, não haverá nada de execrável, mas nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos lhe prestarão culto; verão a sua face e o seu nome estará nas suas frontes (Apoc 22,3-4)
            Esse «pedaço do céu que se abre sobre a terra» é uma realidade, mística mas objetiva, em cada Missa. Pois em cada Missa Deus está presente e, com Ele, todos os anjos e santos que, contemplando-O e cultuando-O intimamente unidos a Ele, formam a Jerusalém celeste.
            Veja também o que já dizia o Catecismo da Igreja Católica, antes da Encíclica sobre a Eucaristia: Na Missa, «à oferenda de Cristo unem-se não somente os membros que estão ainda na terra, mas também os que já estão na glória do céu: é em comunhão com a Santíssima Virgem Maria [...], assim  como com todos os santos e santas, que a Igreja oferece o Sacrifício Eucarístico» (n. 1370).
            Penso que vale a pena lembrar-lhe que, na mesma Encíclica sobre a Eucaristia, João Paulo II fez uma referência tocante à presença de Nossa Senhora na Missa.
            Na Missa - diz -, que é «memorial do Calvário, está presente tudo o que Cristo realizou em sua paixão e morte. Por isso, não pode faltar o que Cristo fez para sua Mãe em nosso favor. De fato, entrega-lhe o discípulo predileto e, nele, entrega cada um de nós: “Eis aí o teu filho”. E de igual modo, diz a cada um de nós: “Eis aí a tua mãe” (Cf Jo 19,26-27). Viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia [ou seja, a Missa] implica também receber continuamente este dom. Significa levar conosco - a exemplo de João - aquela que sempre de novo nos é dada como Mãe» (Ecclesia de Eucharistia, n. 57).
            Já tinha pensado nisso? Receber Maria como Mãe em cada Missa?É para ficar louco de agradecimento e confiança!
Mais orações do coração
            Tendo no coração essas luzes da fé, procuremos agir em consequência. Essas realidades podem inspirar-nos lampejos de devoção, daquelas «orações do coração», íntimas e silenciosas, de que falávamos na reflexão passada.
            É maravilhoso abrir os olhos interiores e «ver» que Nossa Senhora está também junto de Jesus Eucaristia, junto do altar, como esteve - e está agora - junto da Cruz (Jo 19,25); e, então, falar-lhe, pedir-lhe que nos ajude a rezar com amor as orações litúrgicas da Missa, que nos acompanhe a receber com fervor a Santa Comunhão; que se lembre, como diz a Liturgia, de dizer «coisas boas» a seu Filho em nosso favor.
            E também estão presentes os santos, e os anjos. São Josemaria gostava de dizer que, no altar, na Missa, sabia-se «rodeado de anjos», que com ele louvavam o Senhor.
            Quando esteve no Brasil, em 1974, na véspera da sua partida, deu-nos, aos que convivemos com ele, as seguintes palavras, como um «legado de despedida»: «Quando vierem dizer ao Senhor - referia-se a Jesus sacramentado, presente no Sacrário -, talvez sem ruído de palavras: “Senhor, eu te amo, creio que estás aqui”, nesses momentos, louvem também a Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e invoquem Maria e José, porque de alguma maneira estarão presentes no Sacrário, como o estiveram em Belém e em Nazaré. Não se esqueçam!»
            Antes de terminarmos hoje a reflexão, queria acrescentar um pensamento. Na Missa, você, com certeza, reza pelas pessoas queridas que já faleceram. Provavelmente tem a convicção moral - uma piedosa convicção íntima - de que muitas delas já estão no Céu. Se acha isso, não percebe que elas também têm que estar presentes neste «Céu sobre a terra» que é a Eucaristia? Por isso, repare, onde poderá estar mais perto das pessoas que amou - pai, mãe, esposa ou marido, filhos, parentes, amigos falecidos -, onde poderá «conversar» melhor com elas, do que na Santa Missa, na comunhão e rezando perto do Sacrário?
            Como é grande a riqueza da Missa! Quantos motivos para vivê-la com fervor, em contínua oração! Contudo, mais uma vez quero lembrar-lhe que todas as sugestões que vim comentando como meios para viver melhor a Santa Missa, não é necessário - e nem seria sensato ou possível - praticá-las «todas» em cada Missa. Ficam aí, à sua disposição, como que guardadas num cofre sem chave, para que possa lançar mão ora de umas ora de outras, conforme os dias e a inspiração que Deus lhe der na hora da Missa.

FONTE: Pe. Franciscus Faus